Quarenta e cinco minutos haviam passado. Lilian não desistira de esperar, continuava ao lado do telefone, ansiosa, esperando ele ligar. Mas esse ato não acontecera. (Em um momento de loucura, Lilian havia colocado uma carta na bolsa dele, se declarando, e abaixo uma rubrica com o seu número de telefone).
Desiludida. Lilian precisava esquecer esse amor platônico que a consumia e se apaixonar por algo palpável. Mas ela gostava de fantasiar. Passava horas escrevendo cartas, poemas e declarações em seu diário, confidências que ninguém nunca ousara ler.
Hoje seus olhos
Pareciam faíscas,
Tão intensos
Como o beijo
Algoz que ousara
Furtar em meus
Devaneios predatórios.
Ousada.
Senti-me promiscua
Com aqueles delírios
De uma arte pecaminosa.
Porque amar a ilusão?
Sua aridez me tornou
Vulnerável...
Eu te amo!
Um amor que fere e
Dilacera meu coração.
Cansada de vasculhar o Orkut dele em busca de algum fato pitoresco, Lilian decide sua vida. Naquele momento a única saída era a morte. Ousou um suicídio, mas era surreal imaginar que uma garota tão linda poderia trocar seu bem mais precioso, por um garoto hipócrita, movido por fama e aparências, sem conteúdo interno, apenas ilusório.
Uma semana internada. Diagnóstico: Envenenamento por Diazepam (Usado no tratamento de pacientes com depressão, se ingerido em muita quantidade pode causar danos irreversíveis ao organismo). Naquela maca de hospital, Lilian vivenciou a comprovação da existência divina. Uma luz intensa pairava sobre a janela da enfermaria. Arrepiou-se. Ela sentia uma força superior tocar seu coração. Uma voz dizia: “Tenha força. Você precisa entender o amor antes de partir. Não é se desprendendo da matéria que você irá encontrar a redenção do seu espírito”.
Movida pela fé, Lilian ganha forças para viver e resolve não mais sofrer porque quem não a merece. Para se sentir mais confiante em si e demonstrar sua mudança interna, Lilian sai do hospital e vai mudar radicalmente o visual. Um novo corte, uma nova cor, um novo estilo, uma nova esperança e um novo amor.
A autoconfiança lhe trouxe um “quê” sensual. Desfilar se tornou algo comum em seu dia-a-dia. Não havia uma só pessoa que não reparasse em sua beleza. Os príncipes se tornaram sapos e os sapos se tornaram príncipes. O príncipe de Lilian estava em sua frente, o tempo todo, mas ela nunca havia parado para observar.
Seus olhos verdes refletiam o vermelho das rosas que lhe entregara como forma de demonstrar todo seu amor por ela. Olhares cruzados, mãos geladas e inquietas, lábios entreabertos. O beijo acontecera. Agora não existia somente Lilian, mas uma princesa que encontrou o seu encantado.
Reflita: Antes de amar alguém você precisa se amar, se descobrir e expuser a beleza que existe dentro de você.
Gabriel Colares.

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