Uma história de Gabriel Colares.
CAPÍTULO 34
- Cheguei há uns dias... Quando eu te mandei aquele e-mail, já estava no Brasil, descansando um pouco a mente.
- Que trapaceira! – Brincou Vinícius.
- Saudades de mim, gatão?
- Muitas! Você... Está tão diferente, mais bonita, madura!
- Obrigada, mas você também não fica atrás. Tornou-se um belo homem!
- Como o tempo passa rápido, não é?
- Sim! Parece que foi ontem, nós dois, na porta da sua casa, dando o nosso último beijo – Thaís deixou cair uma lágrima.
- Não vamos remoer o passado, precisamos curtir e viver o presente!
- Exatamente! Vamos entrar? A aula já vai começar!
- Como assim? Você vai estudar no Francisco Mourão?
- Claro! Assim poderei ter a chance de ficar mais perto de você... Para matar as saudades dos bons tempos, é claro!
Thaís segurou a mão de Vinícius e juntos foram entrando no CFM. Aos olhos de Luiza, tudo parecia em câmera lenta. Thaís era verdadeiramente linda, tinha os cabelos longos e lisos em um tom de loiro escuro, tinha porte de modelo, com o corpo esbelto e bem modelado.
Todos admiravam tamanha beleza daquele casal, as meninas morriam de inveja de Thaís, que além de muito linda, se vestia super bem, com aquele ar europeu reluzente. Ambos estampavam um mega sorriso e pareciam se completar em cada detalhe.
- Sabia que você foi o meu primeiro amor? – Disse Vinícius ao sentar-se em uma das mesas do refeitório.
- E você foi o meu púnico amor! – Thaís sorriu um pouco envergonhada.
- Como assim, você não namorou mais ninguém, todos esses anos? – Assustou-se.
- Claro que namorei, mas nunca fui apaixonada e nem nunca me envolvi tão completamente, como quando estava com você
- Parece até mentira, uma garota linda como você, não ter se entregado intensamente amor.
- Você foi o meu primeiro homem e isso a gente nunca esquece!
- Juntos descobrimos o amor...
- Estamos parecendo até dois velhos conversando – Sorriu Thaís.
- Realmente! Parece que foi há milênio, tudo isso que aconteceu entre a gente.
- Mas ainda é tudo tão vivo e real...
- Deve ser porque alguma coisa boa ficou apesar da despedida.
- Nosso relacionamento nunca acabou de verdade, foi imposta apenas uma barreira.
- Será esse um sinal?
- Sinal de que?
- Não sei... É melhor deixar pra lá, passou! – Vinícius parecia envergonhado.
Luana e Karina observavam do outro lado do colégio a cena romântica que se passava entre os dois e só conseguia sorrir, como se tivesse ganhado mais uma batalha contra Luiza.
- Essa garota veio na hora certa! Parece até um presente de Deus, que pela primeira na vida se lembrou que eu existo – Comemorava Luana.
- Não conseguir captar no que isso pode ser útil para você – Disse Karina.
- Pensa só, amiga; Ângelo vai terminar com Luiza por causa das fotos e das cartas que vai receber, onde ela e Vinícius estão em uma cena como romântica, como essa que estamos vendo. Ela vai ficar tão desesperada, que não vai saber para quem recorrer e vai até Vinícius, que até lá, já deve estar aos beijos com essa garota nova. Não é perfeito?
- Como você é maquiavélica! Planejou uma novela inteira através de uma cena...
- Precisamos ter visão, Karina! Sem inteligência, não se vai a lugar algum.
- Mas isso não é inteligência, é crueldade!
- Pense como quiser, não preciso de sua opinião.
- Mas precisa de minha ajuda!
- Por pouco tempo, queridinha! Você não passa de uma alpinista social, daquelas bem oportunistas. Tenho certeza que quando botarmos as mãos na grana daquele veadinho do Guilherme, você vai calar essa sua boca porca e parar de conversinha besta.
- Gozado! – Sorriu Karina – Quem você falando assim, até pensa que você tem alguma dignidade.
- Se duvidar, tenho até mais que você! Não tenho um passado sujo para esconder, como umas e outras...
- Não venha com suas insinuações, Luana – Gritou Karina.
- Não faço insinuação, só digo a verdade. Agora preciso ir, vou me encontrar com a ‘minha melhor amiga’, que já deve estar me esperando na sala de música, onde você já deveria estar a muito tempo para fotografar esse momento histórico.
- Vou ficar escondida por trás dos instrumentos maiores, debaixo do palco.
- Muito bem, vejo que está aprendendo alguma coisa comigo! Gosto de pessoas assim, ágeis e inteligentes.
- Que essa seja a última vez que você me envolve em suas sujeiras.
- Vai sonhando, queridinha! Muita coisa ainda nos espera.
"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite".