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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Queridos Leitores,

Em respeito a todos que lêem diariamente DES | ILUSÃO, venho por meio deste comunicado, agradecer pelo apoio e pelo carinho com que vocês sempre me tratam. Peço desculpas pelo que venho informar, mas por total falta de tempo, não poderei mais postar capítulos diários dessa Web Novela.

A partir desta semana, DES | ILUSÃO passa a ser publicada em todas as sextas-feiras e sábados das semanas que prosseguem no mês de março. Espero contar com a compreensão de vocês e peço que não deixem de ler e comentar a minha história. A participação de vocês é mais que importante, é necessária.

Obrigado!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.


CAPÍTULO 38


Luana andava feliz da vida pelos compartimentos do CFM, até chegou a balbuciar um cantarolar, mas logo parou quando viu o olhar de Rogério que a encarava.

- O que foi meu amor, porque está me olhando assim? – Luana parecia preocupada.
- Onde é que você estava todo esse tempo?
- Pra que você saber? Estou aqui, não estou? – Luana esboçava ignorância com a atitude controladora de Rogério.
- Eu acho que tenho esse direito, não acha?
- Não, eu não acho!
- Até onde sei, a gente tem um lance juntos...
- Lance? Ah é verdade, havia me esquecido que a gente transa quando se esbarra!
- Porque você está me tratando assim, eu te fiz alguma coisa? – Perguntou Rogério, com uma voz chorosa.
- Nada, você nunca faz nada! Você só quer me usar, mas na hora em que eu preciso da sua ajuda você desaparece, vira as costas – Luana dramatizava a situação para virar o jogo.
- Você é que não me procura mais...
- Não gosto de grudes e cobranças, nós nem namoramos, não sei por que você fica cobrando algo que não depende de mim e sim da sua capacidade mental.
- Eu sempre faço tudo o que você pede e assim que me trata?
- Tudo o que eu peço?
- Sim, já fiz muita coisa por você e...
- Não importa, tudo é muito pouco! Você precisa fazer mais, muito mais! Não cansa de me ver sofrer? Quer que eu fique na ruína ou que aquele idiota da Luiza me destrua?
- Claro que não, Luana! Eu te amo! – Rogério deixou que uma lágrima caísse de seus olhos.
- Então acho bom ficar ligado, muita coisa vai acontecer essa semana e a sua ajuda vai ser crucial para que dê tudo certo.
- O que tem que dar certo? – Espantou-se.
- Os meus planos para acabar com a desgraçada da Luiza.

Rogério, apesar de abatido, não resistia aos encantos de Luana. Ela, por sua vez, usava da sedução para conseguir tudo o que queria com ele, que seguia fielmente todas as ordens da parceira.

Karina se sentia muito mal por estar prejudicando uma pessoa inocente só para realizar os desejos insanos de uma pessoa descontrolada, como Luana. Seu amor por Cadu aumentava cada vez mais, mas ela ainda tinha muito receio do que poderia ser sua vida ao lado dele, que possuía inúmeros problemas com a mãe, que sofria de transtornos psicológicos.

-Eu não sei mais o que faço com a mamãe, amor. Ela jogou fora todas as facas que tinham lá em casa e deu pra se trancar no banheiro, fica horas e horas lá dentro, diz ela que está se protegendo, mas nós sabemos que isso é um sério problema psicológico – Disse Cada, ao conversar com Karina, na casa dela.
- Cadu, eu andei pesquisando na internet sobre essa doença da sua mãe...
- Como assim, pesquisando? O que você sabe sobre isso?
- Naquele dia, em que eu estive na sua casa, pude perceber inúmeras situações delicadas, como se fossem sintomas de alguma doença psicótica. Então, resolvi pesquisar sobre os sintomas e acabei descobrindo uma doença que descreve exatamente as atitudes de sua mãe.
- E que doença é essa?
- Transtorno Obsessivo Compulsivo, mais conhecido com TOC. As pessoas que sofrem dessa doença apresentam idéias e comportamentos absurdos, que parecem ridículos, mas são incontroláveis, repetitivas e persistentes. Muitas pessoas sofrem desse mal, mas poucas reconhecem que estão doentes, assim como sua mãe.
- Esses sintomas realmente descrevem todas as atitudes da minha mãe – Disse Cadu perplexo – Isso é grave?
- Se não for tratado com urgência pode causar danos celebrais complexos e irreversíveis – Karina falava com bastante cautela.
- Ah mais agora ela vai nesse hospital, nem que não queira! – Dizia Cadu bastante nervoso.


"A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato num mundo de doidos."

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares,


CAPÍTULO 37.


- Meu Deus! O que foi que a gente fez? – Disse Luiza ao se levantar do chão, vestindo suas roupas e tentando se recompor.
- Fizemos amor, ué! Por quê?
- Nós não podíamos Vinícius. Não, não, não! Depois de tudo o que aconteceu entre a gente... O Ângelo não merecia isso e eu... Ainda não estava pronta para ter a minha primeira vez, tinha imaginado que seria completamente diferente do que aconteceu aqui...
- Mas não foi especial, não foi mágico? Ou será que você não gostou? –Vinícius se assustou.
- Você não entende... Estou falando de lealdade, dignidade! Foi especial sim, mas eu queria que fosse diferente e em outra ocasião.
- Porque você sempre tem que dificultar as coisas?
- Não estou dificultando nada, só tenho minhas barreiras e espero que as respeite. Agora eu preciso ir, fiquei de encontrar com o meu namorado.
- Espera, por favor, não vai! Dá mais uma chance a nós dois? – Disse Vinícius segurando o braço de Luiza, impedindo-a de sair.
- Agora não dá mais! É difícil tentar viver como se nada tivesse acontecido quando não existe confiança. E quando se perde a confiança a relação nunca mais volta a ser a mesma. Desculpa!

Luiza pegou sua bolsa que ainda estava no chão e saiu, deixando Vinícius sozinho naquela sala de música. Enquanto isso, Karina se escondia por trás do palco, que era de frente para onde os dois estavam e fotografava cada detalhe da cena. Já Luana, não conseguia parar de rir do lado de fora da sala, pois tudo o que ela havia planejado saiu melhor que a encomenda.

- Luana, onde é que você estava? – Disse Luiza ao encontrar com Luana sorrindo ao chegar no pátio central da escola.
- Eu estava indo te encontrar, ué! – Disse Luana fazendo-se de desentendida.
- Você pensa que eu sou boba, é?
- Evidente que sim – Pensou Luana – Claro que não, amiga! É que eu tive alguns problemas para resolver. Eu tive que ir buscar minhas coisas na sala de aula e quando cheguei lá, tinham sumido com todos os meus livros e com a minha bolsa. Corri para a diretoria, tentar encontrar, mas aí no caminho eu encontrei com o Vinícius e pedi para que ele fosse te fazer companhia, já que eu iria demorar e vocês aproveitavam a chance para tentar se entender de uma vez.
- Então quer dizer que você armou tudo isso pra tentar me unir novamente com o Vinícius, mesmo depois de ele ter feito tudo aquilo com você?
- É... Foi! Ah amiga, cansei de te ver triste pelos cantos, chorando por ele. Você não pode sofrer por minha culpa, eu sei que você ama o Vinícius, por isso dei uma forcinha ao destino.
- Ah Luana, você não existe! Só uma pessoa boa como você, engoliria seu orgulho e falaria com uma pessoa que só fez o mal a você, para ver sua melhor amiga feliz!
- Foi Luiza, desculpa se fiz algo errado, só estava tentado consertar as burradas que eu fiz...
- Você não tem que se desculpar de nada! Se até hoje, Vinícius e eu não demos certo é porque não era pra ser, somos muito diferentes – Lamentou Luiza.
- Você é tudo na minha vida, só quero a sua felicidade! – Luana abraçou Luiza com bastante força.
- Mas o que você queria falar comigo?
- Queria te dizer tudo o que acabei de te contar. Você é especial, por isso, não quero que você sofra por minha causa. Viva sua vida e não ligue para o que as outras pessoas vão pensar de você.

Luiza sorriu, beijou a testa da “amiga” e saiu em direção ao portão de saída do CFM.

- Que garota mais burra e ridícula! É incrível como eu sempre consigo enganar essa trouxa... Vai ser retardada assim lá na casa do caralho! – Gargalhava Luana

Enquanto Luana comemorava mais uma conquista, Karina aparece com a câmera na mão.

- Então, conseguiu fotografar tudo? – Luana demonstrava bastante euforia.
- Fiz exatamente como você me pediu, tem quase 100 fotos nessa câmera, faça bom proveito!
- Pode ter certeza que eu farei... Aquela vadiazinha da Luiza mal sabe o que a espera!
- E agora, o que devo fazer? – Perguntou Karina, bastante impaciente.
- Vou revelar essas fotos, pôr dentro dos envelopes das cartas e te entregarei a noite, depois você irá apenas distribuí-las ao maior interessado em toda essa sujeira.
- Ainda bem que você reconhece que isso tudo é uma sujeira!
- Claro! Onde já se viu uma mulher comprometida, ir para a cama com outro homem e em um local público? Tenha a santa paciência, essas vadias não merecem perdão! – Luana gargalhava em comemoração ao seu triunfo.
- Você é muito sem noção!
- Cala essa boca e vai procurar o que fazer sua oportunista de quinta! Mas não se esqueça do nosso compromisso mais tarde... Beijinhos, coisa fofa – Disse Luana ao lançar alguns selinhos no ar.


"Aqueles que reprimem o desejo assim o fazem porque o seu desejo é fraco o suficiente para ser reprimido".


p.S.: Desculpem os erros de ortografia, ultimamente ando atrasando alguns capítulos porque estou escrevendo na hora de postar e estou com pouco tempo para revisar. Peço a compreensão de todos vocês e desejo uma ótima leitura.

Obrigado!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 35 e 36.


- Onde será que está Luana? Já faz mais de meia hora que estou esperando aqui, no local marcado e nada dela dar as caras. Será que aconteceu alguma coisa? – Luiza falava para si mesma.

Luiza rodava de um lado ao outro, na sala de música do CFM, um lugar bem espaçoso, onde os integrantes da Orquestra CFM ensaiavam para os festivais de música. A sala possui vários instrumentos musicais, de todas as formas e tamanhos que se possa imaginar, pois a Orquestra era um os maiores investimentos da Diretora Rita, que a usava para promover a escola no âmbito nacional e conseguir novos alunos para a entidade.

- Olha só quem eu encontro aqui, o pegador do Francisco Mourão! Não se cansa de devorar pobres menininhas indefesas? – Disse Luana ao se aproximar de Vinícius.
- Não quero papo contigo, piranha!
- Opa, não precisa ficar nervosinho, meu amor! Não combina com você, essa pose de machão – Sorriu Luana.
- Fala logo o que você quer, não tenho tempo pra perder com você! – Disse Vinícius, bastante alterado.
-Será que poderíamos conversar em um lugar mais reservado? – Falou Luana, ao mudar o tom de voz, baixando a cabeça e simulando um arrependimento.
- Por quê? O que você está planejando, sua ordinária? Já não conseguiu me separar da Luiza, quer mais o que de mim? – Vinícius segurava com força o braço de Luana.
- Vinícius, você está me machucando!
- Isso é pouco, perto de tudo o que você já fez comigo!
- Eu queria justamente te pedir desculpas por tudo o que fiz e estou disposta a contar toda a verdade para a Luiza.
- Como assim? Ninguém muda assim tão rápido, da noite para o dia. O que foi, bateu uma dor na consciência. Foi? – Ironizou Vinícius.
- Não! Só estou tentando mudar... Vi que eu não posso culpar a Luiza por tudo de ruim que aconteceu na minha vida. Ela sempre me ajudou, me apoiou quando eu precisei e eu quero consertar todo o mal que eu fiz para vocês...
- Não acha que está um pouco tarde para isso?
- Nunca é tarde para reconhecer seus erros e tentar mudar de vida.
- E o que você quer que eu faça?
- Queria poder conversar com você, sem que ninguém viesse nos interromper. Preciso te contar toda a verdade sobre a minha origem e principalmente o porquê deu ter prejudicado tanto a vida de alguém que só queria me fazer o bem...
- Onde e quando?
- Você poderia me encontrar em alguns minutos na sala de música, aqui do CFM? Só vou na minha sala pegar minha bolsa e já te encontro. Pode ser?
- Tudo bem, mas não demore! – Disse Vinícius um pouco desconfiado.

Thaís observava de longe a conversa dos dois e podia sentir que uma tensão muito grande estava manifestada nas ações de Vinícius. Ela, como uma mulher vivida, sabia muito bem os truques para se manter um relacionamento e, principalmente, para conseguir a confiança de alguém. Para ela, os movimentos e a forma com que Luana olhava para Vinícius, entregavam-a completamente. Thaís podia decifrar, apenas com um olhar, as pretensões ardilosas de Luana.

Vinícius foi andando em direção a sala de música, enquanto Luana rodeava o CFM para poder escutar tudo o que aconteceria ali, através de uma janela que a sala tinha em sua lateral esquerda.

Luiza já estava farta de esperar, pegou sua bolsa e quando estava abrindo a maçaneta, ele aparece como uma miragem aos seus olhos. Seu coração começou a bater mais forte, a mão suava e tremia, era perceptível o seu nervosismo. Vê-lo em sua frente, novamente, depois de tanto tempo, fez com que ela se lembrasse do dia em que deram o primeiro e único beijo da relação. O beijo mais quente, mais intenso em ais apaixonado de todos os que estavam por vir.

- O que você está fazendo aqui? – Disse Vinícius ao entrar na sala.
- Eu é que pergunto!
- Eu vim aqui conversar com a Luana, ela disse que está arrependida de todas as mentiras que inventou sobre mim e está disposta a confessar tudo para você.
- O que? Como assim? – Surpreendeu-se.
- Isso mesmo que você ouviu! – Disse Vinícius ao sentar-se em uma cadeira que estava no centro daquela sala.
- Mas a Luana também marcou aqui comigo! Ela disseque tinha algo importante para me dizer, estou esperando a horas e nada dela aparecer...
- Mas eu acabei de conversar com a Luana, ela disse que iria só à sala dela pegar suas coisas e já me encontrava aqui...
- O que será que ela tá aprontando? – Sugeriu Luiza – Ela não suportava a idéia de ficar perto de você, por causa daquele seu ato sórdido de tentar dormir com ela contra sua vontade!
- Você ainda não percebeu que tudo isso foi uma armação dessa garota para impedir que nós ficássemos juntos? Ela não suporta a idéia de ver feliz e apaixonada, ela quer te ver na pior. De quantas outras provas você precisa para acreditar em mim? Você não vive falando em confiança e lealdade como base na construção de um relacionamento? Então, onde estava a sua confiança em mim?
- Agora é tarde demais para discutirmos isso e agora também não importa quem mentiu nessa história. Eu estou namorando o Ângelo, estou tentando ser feliz e cumprir o desejo póstumo de minha tia.
- Não seja ridícula! Você só está com esse babaca pra tentar me esquecer...
- Quanta pompa para uma pessoa só! Não acha que esta sendo um pouquinho prepotente?
- Para de tentar encontrar maneiras de me esquecer. Eu sei que você me ama, não vai com essas palavras de dicionário que você vai me impedir e te beijar novamente.

Vinícius puxou Luiza para os seus braços e a beijou. Seus lábios sugavam os dela, seu toque provocava uma explosão de emoções e sentimentos em Luiza, que estava completamente arrepiada. As mãos de Vinícius acariciavam todo o corpo da amada, alternando entre sua nuca e os seus longos fios claros. O beijo avançava cada vez mais e aquele misto de reações provocantes condizia ao ápice da entrega emocional e os dois iniciavam uma nova etapa naquela relação, que só crescia vorazmente em contato com a pele.

Enquanto isso, Karina fotografava cada toque, cada passo e cada beijo que eram concedidos entre os dois, naquela sala, onde se concentravam todos os ecos do amor.



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 34


- Cheguei há uns dias... Quando eu te mandei aquele e-mail, já estava no Brasil, descansando um pouco a mente.
- Que trapaceira! – Brincou Vinícius.
- Saudades de mim, gatão?
- Muitas! Você... Está tão diferente, mais bonita, madura!
- Obrigada, mas você também não fica atrás. Tornou-se um belo homem!
- Como o tempo passa rápido, não é?
- Sim! Parece que foi ontem, nós dois, na porta da sua casa, dando o nosso último beijo – Thaís deixou cair uma lágrima.
- Não vamos remoer o passado, precisamos curtir e viver o presente!
- Exatamente! Vamos entrar? A aula já vai começar!
- Como assim? Você vai estudar no Francisco Mourão?
- Claro! Assim poderei ter a chance de ficar mais perto de você... Para matar as saudades dos bons tempos, é claro!

Thaís segurou a mão de Vinícius e juntos foram entrando no CFM. Aos olhos de Luiza, tudo parecia em câmera lenta. Thaís era verdadeiramente linda, tinha os cabelos longos e lisos em um tom de loiro escuro, tinha porte de modelo, com o corpo esbelto e bem modelado.

Todos admiravam tamanha beleza daquele casal, as meninas morriam de inveja de Thaís, que além de muito linda, se vestia super bem, com aquele ar europeu reluzente. Ambos estampavam um mega sorriso e pareciam se completar em cada detalhe.

- Sabia que você foi o meu primeiro amor? – Disse Vinícius ao sentar-se em uma das mesas do refeitório.
- E você foi o meu púnico amor! – Thaís sorriu um pouco envergonhada.
- Como assim, você não namorou mais ninguém, todos esses anos? – Assustou-se.
- Claro que namorei, mas nunca fui apaixonada e nem nunca me envolvi tão completamente, como quando estava com você
- Parece até mentira, uma garota linda como você, não ter se entregado intensamente amor.
- Você foi o meu primeiro homem e isso a gente nunca esquece!
- Juntos descobrimos o amor...
- Estamos parecendo até dois velhos conversando – Sorriu Thaís.
- Realmente! Parece que foi há milênio, tudo isso que aconteceu entre a gente.
- Mas ainda é tudo tão vivo e real...
- Deve ser porque alguma coisa boa ficou apesar da despedida.
- Nosso relacionamento nunca acabou de verdade, foi imposta apenas uma barreira.
- Será esse um sinal?
- Sinal de que?
- Não sei... É melhor deixar pra lá, passou! – Vinícius parecia envergonhado.

Luana e Karina observavam do outro lado do colégio a cena romântica que se passava entre os dois e só conseguia sorrir, como se tivesse ganhado mais uma batalha contra Luiza.

- Essa garota veio na hora certa! Parece até um presente de Deus, que pela primeira na vida se lembrou que eu existo – Comemorava Luana.
- Não conseguir captar no que isso pode ser útil para você – Disse Karina.
- Pensa só, amiga; Ângelo vai terminar com Luiza por causa das fotos e das cartas que vai receber, onde ela e Vinícius estão em uma cena como romântica, como essa que estamos vendo. Ela vai ficar tão desesperada, que não vai saber para quem recorrer e vai até Vinícius, que até lá, já deve estar aos beijos com essa garota nova. Não é perfeito?
- Como você é maquiavélica! Planejou uma novela inteira através de uma cena...
- Precisamos ter visão, Karina! Sem inteligência, não se vai a lugar algum.
- Mas isso não é inteligência, é crueldade!
- Pense como quiser, não preciso de sua opinião.
- Mas precisa de minha ajuda!
- Por pouco tempo, queridinha! Você não passa de uma alpinista social, daquelas bem oportunistas. Tenho certeza que quando botarmos as mãos na grana daquele veadinho do Guilherme, você vai calar essa sua boca porca e parar de conversinha besta.
- Gozado! – Sorriu Karina – Quem você falando assim, até pensa que você tem alguma dignidade.
- Se duvidar, tenho até mais que você! Não tenho um passado sujo para esconder, como umas e outras...
- Não venha com suas insinuações, Luana – Gritou Karina.
- Não faço insinuação, só digo a verdade. Agora preciso ir, vou me encontrar com a ‘minha melhor amiga’, que já deve estar me esperando na sala de música, onde você já deveria estar a muito tempo para fotografar esse momento histórico.
- Vou ficar escondida por trás dos instrumentos maiores, debaixo do palco.
- Muito bem, vejo que está aprendendo alguma coisa comigo! Gosto de pessoas assim, ágeis e inteligentes.
- Que essa seja a última vez que você me envolve em suas sujeiras.
- Vai sonhando, queridinha! Muita coisa ainda nos espera.


"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite".

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.


CAPÍTULO 33


- E agora meu Deus? Como vou fazer para colocar essas cartas nas coisas do namorado da Luiza? – Karina perguntava a si mesma – Calma! Eu preciso de calma...

Luana estava eufórica com a idéia de poder interferir mais uma vez em um relacionamento de Luiza, pois conseguir a infelicidade de sua inimiga era a única meta que possuía em sua vida.

- Marta? – Surpreendeu-se Luana – O que você está fazendo aqui?
- É... Que... Eu... Eu vim visitar você, Luana!
- Aconteceu alguma coisa com a Luiza? – Sorriu Luana.
- Não, não se preocupe, Luiza está bem!
- Ah, tudo bem – Luana ficou entristecida – Mas a que devo a honra de sua visita?
- Vim ver como você estava, faz tempo que não anda lá em casa, fiquei preocupada – Marta envolveu Luana em um abraço fraternal.
- Bom, agora que você já viu como estou, vou para o meu quarto, estou muito casada.

“Quem essa empregadinha pensa que é para vir me abraçar com toda essa intimidade? Esse mundo realmente está perdido! Onde já se viu uma doméstica querendo ter amizade com os amigos dos patrões, absurdo isso...” – Pensou Luana.

- O que você pensa que está fazendo, falando assim com a Luana? – Perguntou Marcos.
- Não posso manter uma relação de amizade com a filha de um velho amigo? – Insinuou Marta.
- Não se essa mulher já tiver dormido com o pai dela! E pra falar a verdade eu nem sou o pai dela e isso pouco importa!
- Você não sabe o que está falando, claro que a Luana é sua filha! – Disse Marta um pouco nervosa.
- Está sabendo de alguma coisa que eu nunca soube Marta? – Perguntou Marcos um pouco alterado.
- Do que você está falando? – Marta se fazia de desentendida.
- Você era tão amiga da minha ex-mulher, foi capaz até de dormir com o marido dela em surdina. Pensei que pudesse saber de alguma coisa sobre o passado de Luana, já que faz tantos mistérios...
- Só sei o que você mesmo sabe. Mas ainda sim, acho que Luana é sua filha. Lilian deve ter inventado essa história de Luana ser filha do amante dela em um momento de raiva.
- Como você pode ter tanta certeza? – Perguntou Marcos ao tomar uma dose de um uísque raro que guardada a sete chaves.
- Só imagino!
- E agora você deu para pensar? Não sabia que tinha esse dom – Marcos debochava
- Você continua o mesmo pretensioso de sempre! Por isso a Lilian de deixou, quem vai querer continuar casada com um porco alcoólatra como você? Passar bem!

Marta era melhor amiga de Lilian, esposa de Marcos e mãe de Luana. No passado, antes de Luana nascer, eles tiveram um envolvimento amoroso escondido nos mais profundos devaneios predatórios e libertinos. Mas o real motivo que fez Lilian abandonar Marcos, até hoje é um mistério. Ele mesmo prefere acreditar que ela fugiu com outro homem e que esse homem é o pai de Luana.

- Luiza?
- Oi Luana, aconteceu alguma coisa? – Perguntou Luiza ao atender o seu celular.
- É que eu precisava ter uma conversa particular com você, amanhã na sala de música do CFM, pode ser?
- Tudo bem! Mas porque tem que ser na sala de música?
- É que lá podemos conversar mais reservadamente e sem ser interrompidas.
- Pode adiantar o assunto, amiga? É que eu preciso sair com o Ângelo, havíamos combinado de sair para almoçar.
- Não se preocupe, será rápido! Até amanhã – Despediu-se Luana, com uma risada vitoriosa.

“Agora é uma questão de tempo para que um furacão passe na vida minha melhor amiguinha e destrua tudo o que ver pela frente. Quero ver essa vagabunda na ruína, ela e toda aquela família dela, inclusive a empregada insolente.” – Pensou Luana

Vinícius estava bastante nervoso e apreensivo com tudo o que estava para acontecer em sua vida. Além de não conseguir ter em seus braços o grande amor de sua vida, o Campeonato Inter Colegial de Basquete estava chegando e ele sabia que não estava na melhor forma. Para completar ainda mais o seu desespero, sua ex-namorada estava prestes a chegar a Fortaleza e ele nem ao menos sabia quando ela chegaria.

- Olá, belo rapaz – Disse Thaís ao tocar no ombro de Vinícius na entrada do CFM.
- Thaís? O que você está fazendo aqui? – Sorriu Vinícius, bastante surpreso.
- Não gostou da surpresa? – Thaís fez uma expressão triste, mas depois sorriu.
- Claro que gostei! Só fiquei assustado... Quando chegou, porque não me avisou?
- Nossa! Quantas perguntas... Havia me esquecido como o povo brasileiro é caloroso – Brincou Thaís.

Luiza observava a cena do outro lado da rua. Chegou a se emocionar ao ver que o seu grande amor estava sorrindo para outra mulher. Mas ela havia feito uma escolha e teria que arcar com as conseqüências de seus atos.


"O tempo é lento demais para os que esperam... rápido demais para os que temem... longo demais para os que sofrem... curto demais para os que celebram... mas para os que amam, o tempo é eterno".

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 32.


- Incomodo?
- Imagina! Pode entrar, a casa é sua – Disse Marcos ao abrir a porta da sala.
- Luana não está em casa?
- Não! Ela foi à casa de uma amiga, não deve voltar tão cedo...
- Melhor assim!
- Qual o motivo dessa visita repentina, Marta? – Marcos se surpreende.
- Vim saber como você está!
- Só isso?
- Si... Si... Sim, por quê? Não posso visitar um velho amigo?
- Claro que pode, só achei estranho! – Disse Marcos, pedindo para que Marta sentasse em um sofá velho que tinha na sala de estar daquela casa velha e mal cuidada.

Luana tinha suas razões para odiar aquela casa, que além de muito velha, carregava uma escuridão sentimental. Pairava um cheiro de mofo somado ao odor do álcool que eram completados pela poeira sob os móveis, que, aliás, eram bastante antigos.

Marta era uma antiga amiga de Marcos e sempre que podia, fazia algumas visitas para ver como ele estava. Mas, preferia esconder esse seu ato, para que não houvesse falatórios sobre e relação dos dois, que parecia ser bem íntima.

- Karina, eu acho que você não entendeu! – Sorriu Luana.
- Entendi muito bem! – Karina lançou um olhar de nojo para Luana – Você não se cansa desse joguinho?
- Luiza não é invencível! Uma hora ela vai cair e eu quero ver isso de camarote...
- Não culpo você por esses sentimentos, eu também era assim, mas eu estou tentando mudar pelo homem que eu amo. Você também devia tentar fazer isso... O Rogério gosta muito de você e capaz de tudo pelo seu amor.
- Você não entende Karina! Essa garota sempre teve tudo o que eu nunca tive, desde pequena ela fazia questão de ostentar aquela família adorável que ela possui.
- Não devemos nos deixar guiar por esse sentimento de inveja e amargura, isso só vai destruir você mais ainda.
- Pouco me importa, não estou à procura de redenção, não quero ser canonizada pela minha santidade. Eu posso até morrer, mas levo Luiza junto comigo para o inferno – Gritou Luana.
- Você definitivamente não está no juízo normal – Disse Karina se afastando de Luana.
- Que foi? Tá com medinho de mim? – Luana soltou uma gargalhada escandalosa – Eu não farei nada com você, mas o seu namoradinho tem muitas coisas para me oferecer...
- Fica longe do Cadu, ouviu bem? – Karina gritava apontando o dedo na cara de Luana.
- É só você parar com essa ladainha de vagabunda arrependida e fazer T U D O que eu mandar. A hora do juízo final está chegando...

Karina baixou a cabeça e começou a chorar.

- Olha pra mim! – Ordenou Luana – Presta atenção, só vou falar uma vez!
- Tu... Tu... Tudo bem! – Choramingou Karina.
- Vou fazer com que Luiza se encontre novamente com Vinícius para uma despedida romântica e você vai fotografar tudo e enviar as fotos, junto com essas cartas que escrevi para o atual namoradinho dela, o Ângelo.
- E o que dizem essas cartas? – Karina temia a resposta.
- Tudo que um homem traído detestaria saber – Luana soltou mais uma gargalhada maléfica – Ele vai ficar com tanta raiva da Luiza que vai humilhá-la de todas as formas, e você, sabe como ninguém, que Luiza tem horror a humilhações, ainda mais em público! O namoro dos dois vai por água abaixo, como uma avalanche e Luiza vai, definitivamente, se fechar ao amor depois de tantas desilusões.

Depois de deixar várias ordens a ser cumprida, Luana se retirou da casa de sua cúmplice. Karina, que por sua vez, estava tremendamente assustada com as loucuras de Luana, temia o que poderia acontecer com o seu namorado, pois a essa altura do campeonato a vilã seria capaz de fazer qualquer coisa para prejudicar o namoro dos dois.

- Cadu, me promete, por favor! – Dizia Karina ao telefone.
- Calma meu amor, você está muito nervosa!
- Só me promete...
- Prometer o quê?
- Que nunca vai me deixar, independente de tudo o que acontecer, promete que nunca vai parar de me amar...
- Claro meu amor, não precisava disso, você sabe que eu te amo.
- Me perdoa, por favor, me perdoa! Tudo o que eu faço é por amor a você.
- Você está me deixando confuso...
- Eu te amo mais que tudo, Carlos. Você foi a melhor coisa que aconteceu em toda minha vida...
- Oh meu amor, isso tudo é medo de me perder? Pois saiba que eu nunca vou lhe abandonar, não importa o que acontecer! – Disse Cadu bastante feliz pela “preocupação” da namorada.


"Coisas elevadas caem pelo ódio, coisas pequenas se elevam pelo amor." 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 31


Depois dos beijos na porta da escola, Luiza havia pedido pára que Ângelo fosse almoçar com ela, para resolverem de vez o rumo que o namoro dos dois estava tomando.

- Você acha mesmo que nós dois podemos dar certo? – Disse Ângelo preocupado.
- Não sei, mas vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que possamos viver intensamente essa paixão.
- Então quer dizer que vivemos uma paixão? –Ângelo surpreendeu-se.
- E não é? – Sorriu Luiza.
- Se você diz, então é! – Ângelo puxou Luiza e beijou-a.
-Eu quero e preciso me entregar novamente a um novo amor.
- Veio ao lugar certo! Tenho muito amor para lhe oferecer... Vou fazer de você, uma mulher de verdade. Vai até se cansar de tantos beijos! – Brincou Ângelo.
- Quero só ver se você é essa coca-cola toda!

Ângelo pegou Luiza nos braços e a encostou na parede da sala, beijando seu pescoço e toda sua região dorsal.

- Ângelo, calma! – Sorriu Luiza – Já tive a prova de que você tem pegada, agora calma, meu pai ou a Marta podem aparecer a qualquer momento.
- Só mais um beijinho, meu amor? Por favor! – Implorou Ângelo.
- Tudo bem, mais só esse e depois... – Luiza foi interrompida pelo beijo envolvente de Ângelo, que estava a seduzindo de uma forma única, fazendo o que nenhum outro homem nunca ousou fazer.
- Pronto, parei! – Disse Ângelo ao colocar Luiza no chão novamente.

Marta aparece na sala e encontra os dois naquela situação embaraçosa, tentando se recompor.

- É que eu vim avisar que o almoço já está servindo, mas se quiserem eu posso deixá-los mais a vontade... – Disse Marta, um pouco nervosa e desconfiada.
- Imagina! Nós já estávamos mesmo indo almoçar, Martinha – Disse Luiza, sorrindo sem graça.
- É... – Disse Ângelo mais envergonhado que a namorada.
- Se assim, bom almoço para vocês! Vou dar uma saidinha rápida, mas logo estarei de volta.
- Aonde você vai a essa hora? – Perguntou Luiza.
- Resolver alguns probleminhas antigos. Se seu pai chegar, diga que a comida dele está no microondas, tudo bem? – Disse Marta, pegando sua bolsa na sala e saindo.
- Tudo... – Luiza estava bastante intrigada com essas saídas repentinas de Marta.
- O que será que ela está aprontando? – Perguntou Ângelo.
- Seja lá o que for eu vou descobrir!
- Mas agora, vamos aproveitar que estamos sozinhos e namorar bastante?
- Mais do que já namoramos?
- Claro! Precisamos recuperar o tempo perdido.

Luiza e Ângelo estavam vivendo a melhor parte de todos os relacionamentos. O início sempre causa arrepios, pelo fato do casal ainda está se conhecendo intimamente, mas o prazer de descobrir juntos, a sutileza do amor, é uma sensação única e inigualável.

- Você aqui? Há essa hora? – Perguntou Marcos, bem assustado com a visita.


"Se realmente ama alguém, o único que deseja para ela é sua felicidade, ainda que você não a possa dar".

domingo, 13 de fevereiro de 2011

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Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 30.


Luana, Karina, Rogério, Guilherme e Vinícius observam tal cena, atônitos, pois isso só aumentava a veracidade das mentiras que Luana havia espalhado pelo CFM.

O casal parecia não se incomodar com os olhares atentos, continuavam o beijo como se fosse a ultima coisa que faziam na vida. Luiza se entregou ao namorado como nunca havia feito.

- Está vendo, Karina? Era disso que eu falava! Esses dois estão cada vez mais apaixonados...
- Ela só está tentando ser feliz! – Disse Karina.
- Essa miserável não merece felicidade! Mas que garota vagabunda, mal termina com um e já está agarrada a outro...
- E o que você está pretendendo fazer? Vai matar o garoto? – Insinuou Rogério.
- Claro que não, ou pelo menos não agora! Vou fazer coisa muito pior, a morte seria um presente! Quero dor, sofrimento, mágoas e muito rancor...

Guilherme olhava para Vinícius, tentando encontrar uma palavra de conforto.

- Tem certeza que não quer sair daqui? Se quiser eu posso te levar para algum outro lugar...
- Não! Eu estou bem...
- Você não precisa ficar vendo isso.
- Mas eu quero ver!
- Tudo bem, não está mais aqui quem falou – Disse Guilherme, baixando a cabeça e saindo.
- Espera, não vai! Desculpas, eu... – Disse Vinícius segurando na mão de Guilherme.
- Não precisa se desculpar, eu só estava preocupado com você!
- Não se preocupe a toa, só quero ver essa cena para ter certeza das escolhas que irei fazer daqui pra frente.
- E eu posso saber que escolhas serão tomadas? – Sorriu Guilherme.
- Breve – Disse Vinícius se virando e indo em direção ao ponto de ônibus por trás do CFM.

Luana estava completamente transtornada, seu ódio por Luiza crescia cada vez mais, ela precisava acabar com a felicidade de sua rival. As coisas na sua casa estavam cada vez pior, mal falava com Marcos, saia e entrava em casa sem dizer uma só palavra com o homem que havia lhe criado.

- Você pensa que aqui é casa da mãe Joana? – Perguntou Marcos ao levantar-se da poltrona na sala de estar e ir de encontro com Luana,
- Penso tudo, menos que isso aqui seja uma casa! – Falou Luana, seguindo em direção ao seu quarto.
- Onde pensa que vai?
- Dormir, papai! – Ironizou Luana.
- E quem vai fazer comida, lavar roupa e limpar casa?
- Crie vergonha na sua cara, arrume um emprego e contrate uma doméstica!
- Mais respeito comigo, sua vagabunda!
- Porque, nem ao menos meu pai você é! Não tenho obrigação nenhuma de te respeitar.
- Tem sim, pois fui eu quem te educou, te deu uma casa, uma família... Se não fosse por mim, você estaria no meio da rua, pedindo esmola, passando fome.
- Passo por situações semelhantes dentro dessa casa e nem por isso morri. Agora me deixa em paz, porco nojento – Disse Luana fechando a porta de seu quarto.
- E quem vai fazer o almoço? – Perguntou Marcos, um pouco arrependido.
- Ué, você não vive de cachaça? Bebe mais um litro no almoço, quem sabe assim você não para de engordar! – Luana gargalhava de uma forma bem maquiavélica.

“Nem dentro da minha própria casa eu tenho paz para pensar num jeito de acabar com aquela ordinária invejosa da Luiza. Odeio toda essa gente miserável, esse bairro, essa casa... Odeio todos!” – Pensou Luana ao deitar-se em sua cama.


"O ódio nunca desaparece, enquanto pensamentos de mágoas forem alimentados na mente. Ele desaparece, tão logo esses pensamentos de mágoa forem esquecidos." 

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Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 29.


Ao amanhecer, todos se preparavam para mais um dia agitado no Francisco Mourão. Os alunos estavam bastante cansados devido a tanto esforço para que tudo saia perfeito na Feira Cultural.

- Cara, quanto tempo! Como vão as coisas? – Perguntou Cadu.
- Tudo como Deus manda e contigo? – Disse Vinícius um pouco abatido.
- Meu namoro com a Karina está cada vez mais sólido, já até apresentei-a a minha mãe, mas foi bem embaraçoso.
- Você ainda não conseguiu convencer a tia Cássia a fazer um tratamento? – Vinícius demonstrou preocupação.
- Não, mas esse dia está cada vez mais próximo! Mamãe acredita realmente que não é uma pessoa doente e isso é terrível!
- E a Karina, como reagiu?
- Fiquei muito surpreso com a reação dela, não imaginava que ela fosse tão forte, ficou sempre ao meu lado, me ajudando e tendo paciência com a minha mãe.
- Você realmente é um cara apaixonado... Tenho orgulho do meu amigo!
- E você? Anda tão abatido... Já parou de usar aqueles comprimidos, não é?
- Cla... Cla... Claro, aquilo foi coisa de momento, não se preocupe comigo! – Disse Vinícius engasgando e tentando mudar de assunto.
- Tem certeza de que está bem? Você nunca foi dos mais fortes e temo que você possa cometer algo contra si, por causa da Luiza!
- Sabe quem me ligou ontem? – Vinícius novamente tentando mudar de assunto.
- Quem? – Disse Cadu inconformado.
- A Thaís! Ela disse que está voltando da Europa e quer me ver para matar as saudades...
- Nossa! Depois de milênios, os mortos decidem sair de suas tumbas... E você disse o que?
- Eu fiquei surpreso e sem reação! Não imaginava... Ela me parece tão diferente; mais madura e segura, ao contrário da garota tímida e ingênua com quem namorei...
- Espero que esse retorno repentino traga coisas boas para você, que anda tão abatido e deslocado da nossa realidade.

Depois do episódio lamentável que Vinícius fez na porta de sua casa, Luiza decidiu que deviria seguir a sua vida e esquecer de vez o rapaz. Pensou bastante antes de fazer alguma coisa e percebeu que estava usando Ângelo para tentar esquecer Vinícius e isso não era certo, já que ele era quem mais a ajudava e agora, mais do que nunca, era ele quem precisava de ajuda.

Luiza pediu para que Ângelo fosse lhe buscar no colégio e de lá fossem conversar, para esclarecer todos os acontecimentos.

- Oi, Luiza! - Disse Ângelo com a cabeça baixa.
- Ângelo, que bom que você veio – Sorriu Luiza – Como foi a sua noite?
- Não foi das melhores! – Disse Ângelo virando o rosto e evitando olhar nos olhos de Luiza.
-Está tudo bem com você?
- Sim!
- E porque está me tratando dessa forma?
- Que forma? Estou te tratando como sempre tratei...
- Não! Você está ríspido, parece querer me evitar.
- Você queria que eu estivesse como? Minha mãe faleceu poucos dias atrás e a única com quem eu podia contar nesse momento, minha namorada, eu encontro abraçada com outro homem, que por sinal é o seu ex-namorado.
- Não foi bem assim! Você tem que entender, não foi fácil para Vinícius e muito menos para mim...
- E para mim, você acha que é fácil? Você também precisa entender que eu tenho sentimentos e o meu coração não quer outra pessoa se não você.
- Eu não tenho o direito de te usar dessa forma, você tem razão! – Disse Luiza, deixando cair uma lágrima de seus olhos.
- Mas eu gosto de ser usado por você!
- Eu gosto muito de você, Ângelo, mas...
- Não me ama! – Ângelo deu um sorriso sereno, deixando Luiza envergonhada – Mas se você deixar, sei que posso ser capaz de fazer com que você seja a mulher mais feliz e amada desse mundo.
- Como você faria isso?

Luiza lançou um olhar curioso e ao mesmo tempo amedrontado, ela sabia exatamente do que Ângelo estava falando, mas ela queria sentir os lábios dele encostando-se aos dela, queria poder amar novamente, se sentir viva e desejada.

Ângelo foi chegando mais perto de Luiza, deu um sorriso de lado, tocou os cabelos dela, fazendo com ela fechasse os olhos, depois passou carinhosamente a mão em seu rosto. Não demorou muito para que acontecesse, em questão de segundos eles já estavam aos beijos, no portão de saída do CFM.



"As feridas do amor só se cicatrizam com o encontro de outro amor."

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

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Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 28


- Então você é a tal namorada do meu filho? – Disse Cássia tentando se recompor, prendendo os cabelos e ajeitando a roupa que trajava.
- É... A... Acho que sim, eu mesma! – Disse Karina, desconsertada.
- Mãe, pra que tudo isso trancado? Essa casa tá muito abafada, eu vou abrir essa janela!
- NÃO! – Gritou Cássia – Você não pode fazer isso...
- Mas mamãe!
- Não queira que eu seja além do que consigo ser – Disse Cássia, cautelosa.
- Nós já conversamos sobre isso! A senhora precisa parar com essas atitudes...
- Um passo de cada vez, meu filho.
- Desculpa se estou causando algum incomodo Dona Cássia...
- Não se preocupe! Aceitar você aqui dentro desta casa será um de meus menores problemas.

Cadu olhou de relance para Karina, como se pedisse desculpas pelo constrangimento da situação.

- Amor, eu sei que não vai ser fácil, mas quero te pedir para fazer um mínimo de esforço possível. Minha mãe sofre de alguns problemas psicológicos... Ela ficou com o emocional abalado depois da morte do meu pai.
- Toda essa situação é muito estranha para mim... Eu nunca vivenciei algo do tipo, sempre estive tão preocupada com roupas e sapatos que nunca parei para pensar nos problemas que existem ao meu redor. Agora consigo entender tudo o que você precisa passar para cuidar de sua mãe.
- É difícil, mas eu preciso ter forças para lidar com isso, afinal, ela é minha mãe...
- Pode ter certeza de que eu vou ajudá-lo a encontrar forças, assim como você me ajudou a ver o mundo de uma forma diferente.
- É bom saber que posso contar com você! – Sorriu Cadu.
- Mas o que de fato sua mãe tem? Você tem algum diagnóstico médico?
- Eu não faço a menor idéia! Já tentei diversas vezes levá-la há um psicólogo ou psiquiatra, mas ela se recusa a fazer qualquer tipo de tratamento.
- Isso é uma doença, precisa ser tratada!
- Mas, para ela, são apenas precauções. Não tenho como lutar contra a sua vontade, o desejo de cura tem que partir dela!

Depois de algum tempo, após o almoço e uma longa conversa com Cássia, Karina recebe um torpedo de Luana, lembrando-a do compromisso pendente entre as duas. Ela logo se apressou em despedir-se do namorado, prometendo uma nova visita. Assim que saiu, ligou para Luana e avisou que já estava a caminho do shopping e marcaram um ponto de encontro. Luana estava com uma voz estranha, parecia um misto de ansiedade e maldade.

- Pensei que você tivesse desistido de vir! – Disse Luana ao encontrar Karina no local marcado.
- É que eu tive alguns problemas com a minha sogra, mas já está tudo resolvido.
- Não pensei que esse seu namorico com o amigo do Vinícius fosse se tornar algo tão sério!
- Nem eu... Queria apenas me divertir e acabei me apaixonando – Disse Karina entre suspiros.

Elas conversavam enquanto passeavam pelo shopping, analisando as vitrines. Até que Luana parou em uma loja e começou a observar os artigos que eram vendidos ali.

- Porque você está olhando essas roupinhas de bebê? – Disse Karina, curiosa.
- Fico imaginando como seria se eu fosse mãe – Luana tocou a barriga e fez alguns movimentos em forma de carinho.
- Amiga... Você por um acaso está grávida? – Karina estava assustada.
- E se estivesse? – Luana lançou um olhar malicioso para amiga.
- Quem poderia ser o pai? Não me diga que...
- Não, Karina! Eu não estou grávida... Ainda!
- Nossa, que bom, já estava ficando nervosa!
- Luiza está irredutível, não quer mais se vingar de Vinícius, sente pena dele... Isso não pode acontecer. Ela precisa sofrer o pão que o diabo amassou, nem que para isso eu precise ficar grávida e acabar com todas as chances dela ficar com Vinícius.
- Você seria capaz de usar uma criança, um ser inocente e indefeso nessas suas tramóias para destruir Luiza?
- Sou capaz de coisas muito piores, inclusive fazer pactos com entidades superiores – Luana tinha um olhar maligno.
- Você precisa cair na real, isso é loucura demais...
- Não se preocupe bobinha, ainda não é o momento para isso. Te chamei aqui por outro motivo!
- Que motivo?
- Luiza parece estar começando a gostar do priminho dela e isso não é nada bom. Aquela garota é uma infeliz, mal termina com um e já está apaixonada por outro. Depois dizem que eu sou a vadia daquele colégio...
- E o que nós temos haver com isso?
- Eu quero a infelicidade completa de Luiza, vou destruir tudo o que ela mais ama. Se esse priminho entrou no jogo, precisamos destruí-lo rapidamente, antes que seja impossível!
- Eu estou cansada desses seus jogos para destruir Luiza! Estou tentando ser uma pessoa melhor, tentando amadurecer e amar alguém de verdade. Não quero mais me sujeitar a esse tipo de coisa...
- Você esqueceu que está em minhas mãos? Posso acabar com essa sua pose de boa moça em apenas alguns segundos! Acho bom você fazer exatamente o que vou lhe dizer ou nem sei do que sou capaz de fazer com aquele seu namoradinho...
- Mas que essa seja a ultima coisa que você me pede! – Karina estava com bastante medo, temia que Cadu soubesse de tudo o que ela havia feito no passado ou que Luana tentasse algo contra ele.
- Isso é apenas o começo, queridinha! – Sorriu Luana – Prepare-se para coisas muito piores.

Karina tinha um olhar raivoso, mas ao mesmo tempo mantinha uma postura medrosa. Ela sabia exatamente do que Luana seria capaz para alcançar seus objetivos e ser uma pedra no sapato dela, seria o mesmo que assinar uma carta de suicídio.



"Não existe nobreza sem generosidade, assim como não existe sede de vingança sem vulgaridade."

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

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Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 27.


A semana no Francisco Mourão estava super agitada, as vésperas da Feira Cultural, os alunos se desdobravam para terminar seus trabalhos a tempo e receber uma boa nota. Muitos alunos haviam contratado pessoas para ajudar na montagem de alguns equipamentos a serem usados e isso aumentava ainda mais o tumulto na escola.

- Quando vamos começar a fazer o nosso trabalho para a feira cultural, Luiza? – Perguntou Luana ao se aproximar de Luiza em um dos bancos dos bancos do refeitório.
- Luana, será que você poderia ver isso com a Karina? Eu ando sem cabeça pra isso...
- Mas o que aconteceu amiga? – Luana fingia preocupação.
- Ontem o Vinícius foi lá em casa pedir para ficar comigo e o Ângelo nos pegou em uma situação constrangedora.
- Você deveria ter mais cuidado com esse garoto...
- Ele estava bêbado, não tinha noção das coisas que falava, tentou me levar junto com ele...
- Eu pensei que você estivesse evitando-o, assim como pediu para que eu fizesse.
- Eu desisti de tentar me vingar de Vinícius, acho que ele já está sofrendo muito por tudo o que fez e também, eu não sou Deus para julgar as pessoas. No momento certo, ele irá pagar por todas as ruindades que cometeu.
- Co... Como assim? – Luana estava incrédula.
- Isso mesmo o que você ouviu Luana.  Todos nós já sofremos demais com tudo isso, resolvi esquecer o que aconteceu e superar essa fase, sabe. Aprendemos muito com os nossos erros, evitar Vinícius e ignorá-lo é o melhor que todos nós poderemos fazer.

Luana ficou extremamente furiosa, não havia batalhado tanto para morrer na praia por causa de Luiza. Ela precisava virar o jogo ao seu favor, Luiza precisava se autodestruir, sofrer e essa sua nova atitude de superioridade só está atrapalhando os planos de Luana, que por sua vez, imaginava com clareza o fracasso de sua rival.

- Karina, você e Rogério precisam fazer o trabalho para a Feira Cultural.
- Mas não éramos um grupo?
- Sim, mas a mente produtiva do grupo são vocês dois. Agora tratem de fazer algo decente para passarmos de ano – Luana olhava diretamente para Rogério.
- E você, o que vai fazer? – Perguntou Rogério.
- Logo, logo vocês irão saber, aguardem! – Luana estava bastante confiante.
- Bom, gente, o papo está muito bom, mas agora eu tenho que ir. Hoje vou almoçar com Cadu, ele vai me apresentar a mãe e, eu já estou atrasada.
- Vou precisar de você, Karina! Mais tarde, assim que você sair da casa dele, me liga para irmos ao shopping resolver alguns assuntos pendentes.
- Tá certo, amiga, até mais.

Karina deu uma piscada para Rogério, como sinal de despedida, sorriu parra Luana e se foi, ao encontro de Cadu.

- O que você pretende com isso tudo, hein? Onde você estava todo esse tempo? – Perguntou Rogério ao segurar o braço de Luana com bastante força.
- Calma gostosão, gosto de pegada, mas não tão violenta – Luana sorria.
- Não me enrola...
- Fui ao inferno e voltei mais forte do que nunca. Estou cheia de armamentos e munição para destruir todos os meus inimigos, basta saber qual o momento certo para atacar – Luana falava com ódio, gana, inveja.
- Não consigo te entender...
- Não precisa, deixe que eu mesma entenda. Basta fazer o que eu disser e tudo acontecerá como planejo.
- E o que devo fazer? Já estou farto desses seus enigmas...
- Assim que eu conversar com a Karina, digo exatamente o que faremos. Mas por enquanto, apenas trate de me dar prazer. Estou precisando desses seus beijos, desse seu corpo, da sua pegada e de tudo o que você pode me proporcionar.

Rogério puxou Luana para si e a levou para uma das salas vazias, em uma ala superior do CFM (Essa ala foi abandonada depois de um incêndio ocorrido nos anos 80 porque a sua estrutura estava comprometida. Apesar de ser a única parte intacta que restou do incêndio, os proprietários da escola optaram por construir uma nova estrutura, mais equipada) e os dois protagonizaram uma cena erótica de devassidão e libertinagem, esquecendo tudo o que estava ao redor. Sussurros de prazer estavam impregnados nas estruturas daquele prédio.


- Quem é essa garota, meu filho? – Perguntou Cássia, com a porta da sala entreaberta.
- Mamãe abre a porta, quando entrar eu te explico – Disse Cadu de forma calma e serena.
- Eu não abro a porta da minha casa para desconhecidos. Essa garota pode muito bem ser uma seqüestradora ou uma espiã que queira ver o que temos para poder roubá-las.
- Mamãe, ela está comigo, fique calma, por favor. Agora tira essas cadeiras da porta e me deixa entrar!
- Eu não posso, eu não posso... – Cássia estava desesperada, mexia nos cabelos e andava de um lado ao outro.
- Cássia, sou eu, seu filho e ela – Cadu puxou Karina para si e apresentou para a mãe - É a minha namorada, Karina. Deixe-nos entrar, por favor...
- Como posso ter certeza de que ela não vai tentar nada contra mim?
- Não vai acontecer nada, eu estou aqui para te proteger e a Karina é só uma moça comum, incapaz de lhe fazer alguma mal...

Cássia parou para escutar o filho, que depois de muita insistência conseguiu com que a mãe retirasse todos os móveis que havia colocado entre a porta, como forma de proteção. Ela estava completamente descontrolada, não conseguia parar de chorar, tinha vergonha do filho e não queria assumir que era uma pessoa doente, preferia dizer que todas as suas atitudes eram apenas precauções.

Karina não sabia como agir, esperava encontrar uma sogra completamente diferente e si depara com tantos problemas relacionados ao namorado. Mesmo assim, estava sempre ao lado de Cadu, segurando a sua mão e lhe dando forças para lidar com toda aquela situação embaraçosa. A situação obrigava Karina a encontrar bastante controle, que até pouco tempo, não sabia que possuía. 


"O amor é a luz que ilumina a escuridão que aquece a alma e enlouquece o coração".

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 26.


Vinícius gritava do lado de fora da casa de Luiza, fazia um escândalo enorme, dizendo que a amava, até ajoelho-se no chão e, chorando, pediu para que ela voltasse para ele.

- Só sairei daqui com você nos meus braços, Luiza! – Gritava Vinícius.
- Mas o que é que está acontecendo aqui. Será que você pode me explicar, rapaz? – Perguntou Cláudio, furioso.
- Vim em busca de sua filha, não consigo mais viver sem amor dela e não vou desistir assim tão fácil!
- Minha filha está namorando, com um rapaz sério, dedicado e que a ama.
- Mas eu também a amo e sou muito mais que esse babaca do priminho dela!
- Não é o que parece! Uma pessoa que enche a cara e faz escândalos no meio da rua não é digno de tal sentimento.
- E quem é você para saber se meus sentimentos são ou não dignos?
- Um pai que quer o melhor para sua filha. E no momento, ter você ao lado dela, está fora de cogitação – Cláudio estava furioso.

Aos poucos os vizinhos iam saindo de suas casas para presenciar toda essa confusão. Cláudio estava completamente envergonhado e não sabia o que fazer. Vinícius não parava de gritar por Luiza, até começou a cantar uma música, como se estivesse fazendo uma serenata.

- Vinícius? O que é que você está fazendo aqui? – Perguntou Luiza, indignada.
- Vim te buscar! Vamos fugir enquanto temos tempo, vem comigo, você não vai se arrepender! – Vinícius tentava puxar Luiza, mas não tinha forças e acabou caindo no asfalto.
- Não percebes o que estás fazendo? Você perdeu completamente a razão! Olha pra você... Bêbado, rastejando, implorando por um perdão que não me cabe concedê-lo!
- Eu sei, eu sempre faço tudo errado, mas é por amor! Eu te amo e não quero te perder...
- Você nunca me teve para perder-me.
- Tive, sempre tive você aqui – Vinícius bateu no peito – Sua vida é a minha vida. Somos um só, não consegue compreender?
- Lamento, mas agora estou em outra. Você teve sua chance e a desperdiçou, me fazendo sofrer, me deixando a mercê da caridade alheia, tirando meu chão, me iludindo, me fazendo acreditar no amor. Mas amor de verdade, não existe! – Luiza deixou que uma lágrima caísse de seu olho esquerdo.
- Fiz tudo por você, virei meu mundo de cabeça a baixo, troquei o certo pelo duvidoso e não achas que isso seja mais que uma prova de amor?
- Para manter-se de amor é preciso renunciar vários prazeres, se privar de diversas atividades e viver em função do outro. Ambos perdemos nessa relação, isso faz parte, mas o amadurecimento é a chave para a libertação. Não perca seu tempo chorando mágoas do passado. Eu aprendi a viver tudo o que a vida me proporciona com bastante intensidade, mas eu sei quando algo chega ao fim e esse final, já se colocou a nossa frente.
- Você não pode simplesmente pôr um ponto final em tudo o que vivemos. Nós tínhamos cumplicidade, nos amávamos em segredo, vivíamos a desejar um ao outro. O que aconteceu com os sentimentos bons que existiam entre nós?
- Se perderam em meio a tanta desilusão...
- E o que eu faço pra te esquecer?
- Procura uma nova paixão!
- E se eu não encontrar?
- Tenho certeza de que o destino lhe reserva grandes surpresas!
- Como você pode ter tanta certeza?
- A vida é assim, repleta de encontros e despedidas. Ainda iremos nos encontrar! Se não deu certo agora, é porque não estávamos prontos para viver um relacionamento tão intenso e com tamanha imaturidade de nossa parte.
- E o que você propõe? – Perguntou Vinícius
- Distância!
- Não consigo viver sem te ter só para mim...
- Aprende!
- Eu te amo!
- Eu também... – Concluiu Luiza, se derramando em prantos.

Luiza baixou a cabeça, enxugou as lágrimas que teimavam em cair e deu a mão para Vinícius, ajudando-o a levantar do chão. Ele tentou recusar, mas estava sem forças para ficar de pé, até que Luiza, em uma tentativa frustrada de levantá-lo, caiu abraçada a ele e ficaram os dois, ali, de joelhos no chão, chorando sem parar, confidenciando lágrimas que expeliam os sentimentos furtivos que possuíam.

- Interrompo algo? – Disse Ângelo, que vinha do outro lado da rua e parou para observar tal cena.
- De forma alguma! – Disse Cláudio ao retirar-se dali, evitando presenciar mais confusão.
- Vinícius já está de saída, não é? – Disse Luiza.
- Não vou mais me opor entre o casalzinho, chega de confusão por essa noite – Disse Vinícius ao levantar-se.
- A gente se ver por aí – Disse Luiza ao levantar-se logo em seguida.
- Quem sabe! – Encerrou Vinícius, enquanto Ângelo observava cada detalhe de suas expressões.
- Isso foi uma despedida? – Perguntou Ângelo, sem entender tudo aquilo.
- Talvez! Nunca saberemos o que poderá acontecer...



"Ver-te é um sopro de ar que me inspira, me alimenta, me excita, me tranqüiliza, me perturba, me mata... tenha pena de mim.."