CAPÍTULO 28
- Então você é a tal namorada do meu filho? – Disse Cássia tentando se recompor, prendendo os cabelos e ajeitando a roupa que trajava.
- É... A... Acho que sim, eu mesma! – Disse Karina, desconsertada.
- Mãe, pra que tudo isso trancado? Essa casa tá muito abafada, eu vou abrir essa janela!
- NÃO! – Gritou Cássia – Você não pode fazer isso...
- Mas mamãe!
- Não queira que eu seja além do que consigo ser – Disse Cássia, cautelosa.
- Nós já conversamos sobre isso! A senhora precisa parar com essas atitudes...
- Um passo de cada vez, meu filho.
- Desculpa se estou causando algum incomodo Dona Cássia...
- Não se preocupe! Aceitar você aqui dentro desta casa será um de meus menores problemas.
Cadu olhou de relance para Karina, como se pedisse desculpas pelo constrangimento da situação.
- Amor, eu sei que não vai ser fácil, mas quero te pedir para fazer um mínimo de esforço possível. Minha mãe sofre de alguns problemas psicológicos... Ela ficou com o emocional abalado depois da morte do meu pai.
- Toda essa situação é muito estranha para mim... Eu nunca vivenciei algo do tipo, sempre estive tão preocupada com roupas e sapatos que nunca parei para pensar nos problemas que existem ao meu redor. Agora consigo entender tudo o que você precisa passar para cuidar de sua mãe.
- É difícil, mas eu preciso ter forças para lidar com isso, afinal, ela é minha mãe...
- Pode ter certeza de que eu vou ajudá-lo a encontrar forças, assim como você me ajudou a ver o mundo de uma forma diferente.
- É bom saber que posso contar com você! – Sorriu Cadu.
- Mas o que de fato sua mãe tem? Você tem algum diagnóstico médico?
- Eu não faço a menor idéia! Já tentei diversas vezes levá-la há um psicólogo ou psiquiatra, mas ela se recusa a fazer qualquer tipo de tratamento.
- Isso é uma doença, precisa ser tratada!
- Mas, para ela, são apenas precauções. Não tenho como lutar contra a sua vontade, o desejo de cura tem que partir dela!
Depois de algum tempo, após o almoço e uma longa conversa com Cássia, Karina recebe um torpedo de Luana, lembrando-a do compromisso pendente entre as duas. Ela logo se apressou em despedir-se do namorado, prometendo uma nova visita. Assim que saiu, ligou para Luana e avisou que já estava a caminho do shopping e marcaram um ponto de encontro. Luana estava com uma voz estranha, parecia um misto de ansiedade e maldade.
- Pensei que você tivesse desistido de vir! – Disse Luana ao encontrar Karina no local marcado.
- É que eu tive alguns problemas com a minha sogra, mas já está tudo resolvido.
- Não pensei que esse seu namorico com o amigo do Vinícius fosse se tornar algo tão sério!
- Nem eu... Queria apenas me divertir e acabei me apaixonando – Disse Karina entre suspiros.
Elas conversavam enquanto passeavam pelo shopping, analisando as vitrines. Até que Luana parou em uma loja e começou a observar os artigos que eram vendidos ali.
- Porque você está olhando essas roupinhas de bebê? – Disse Karina, curiosa.
- Fico imaginando como seria se eu fosse mãe – Luana tocou a barriga e fez alguns movimentos em forma de carinho.
- Amiga... Você por um acaso está grávida? – Karina estava assustada.
- E se estivesse? – Luana lançou um olhar malicioso para amiga.
- Quem poderia ser o pai? Não me diga que...
- Não, Karina! Eu não estou grávida... Ainda!
- Nossa, que bom, já estava ficando nervosa!
- Luiza está irredutível, não quer mais se vingar de Vinícius, sente pena dele... Isso não pode acontecer. Ela precisa sofrer o pão que o diabo amassou, nem que para isso eu precise ficar grávida e acabar com todas as chances dela ficar com Vinícius.
- Você seria capaz de usar uma criança, um ser inocente e indefeso nessas suas tramóias para destruir Luiza?
- Sou capaz de coisas muito piores, inclusive fazer pactos com entidades superiores – Luana tinha um olhar maligno.
- Você precisa cair na real, isso é loucura demais...
- Não se preocupe bobinha, ainda não é o momento para isso. Te chamei aqui por outro motivo!
- Que motivo?
- Luiza parece estar começando a gostar do priminho dela e isso não é nada bom. Aquela garota é uma infeliz, mal termina com um e já está apaixonada por outro. Depois dizem que eu sou a vadia daquele colégio...
- E o que nós temos haver com isso?
- Eu quero a infelicidade completa de Luiza, vou destruir tudo o que ela mais ama. Se esse priminho entrou no jogo, precisamos destruí-lo rapidamente, antes que seja impossível!
- Eu estou cansada desses seus jogos para destruir Luiza! Estou tentando ser uma pessoa melhor, tentando amadurecer e amar alguém de verdade. Não quero mais me sujeitar a esse tipo de coisa...
- Você esqueceu que está em minhas mãos? Posso acabar com essa sua pose de boa moça em apenas alguns segundos! Acho bom você fazer exatamente o que vou lhe dizer ou nem sei do que sou capaz de fazer com aquele seu namoradinho...
- Mas que essa seja a ultima coisa que você me pede! – Karina estava com bastante medo, temia que Cadu soubesse de tudo o que ela havia feito no passado ou que Luana tentasse algo contra ele.
- Isso é apenas o começo, queridinha! – Sorriu Luana – Prepare-se para coisas muito piores.
Karina tinha um olhar raivoso, mas ao mesmo tempo mantinha uma postura medrosa. Ela sabia exatamente do que Luana seria capaz para alcançar seus objetivos e ser uma pedra no sapato dela, seria o mesmo que assinar uma carta de suicídio.

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