CAPÍTULO 27.
A semana no Francisco Mourão estava super agitada, as vésperas da Feira Cultural, os alunos se desdobravam para terminar seus trabalhos a tempo e receber uma boa nota. Muitos alunos haviam contratado pessoas para ajudar na montagem de alguns equipamentos a serem usados e isso aumentava ainda mais o tumulto na escola.
- Quando vamos começar a fazer o nosso trabalho para a feira cultural, Luiza? – Perguntou Luana ao se aproximar de Luiza em um dos bancos dos bancos do refeitório.
- Luana, será que você poderia ver isso com a Karina? Eu ando sem cabeça pra isso...
- Mas o que aconteceu amiga? – Luana fingia preocupação.
- Ontem o Vinícius foi lá em casa pedir para ficar comigo e o Ângelo nos pegou em uma situação constrangedora.
- Você deveria ter mais cuidado com esse garoto...
- Ele estava bêbado, não tinha noção das coisas que falava, tentou me levar junto com ele...
- Eu pensei que você estivesse evitando-o, assim como pediu para que eu fizesse.
- Eu desisti de tentar me vingar de Vinícius, acho que ele já está sofrendo muito por tudo o que fez e também, eu não sou Deus para julgar as pessoas. No momento certo, ele irá pagar por todas as ruindades que cometeu.
- Co... Como assim? – Luana estava incrédula.
- Isso mesmo o que você ouviu Luana. Todos nós já sofremos demais com tudo isso, resolvi esquecer o que aconteceu e superar essa fase, sabe. Aprendemos muito com os nossos erros, evitar Vinícius e ignorá-lo é o melhor que todos nós poderemos fazer.
Luana ficou extremamente furiosa, não havia batalhado tanto para morrer na praia por causa de Luiza. Ela precisava virar o jogo ao seu favor, Luiza precisava se autodestruir, sofrer e essa sua nova atitude de superioridade só está atrapalhando os planos de Luana, que por sua vez, imaginava com clareza o fracasso de sua rival.
- Karina, você e Rogério precisam fazer o trabalho para a Feira Cultural.
- Mas não éramos um grupo?
- Sim, mas a mente produtiva do grupo são vocês dois. Agora tratem de fazer algo decente para passarmos de ano – Luana olhava diretamente para Rogério.
- E você, o que vai fazer? – Perguntou Rogério.
- Logo, logo vocês irão saber, aguardem! – Luana estava bastante confiante.
- Bom, gente, o papo está muito bom, mas agora eu tenho que ir. Hoje vou almoçar com Cadu, ele vai me apresentar a mãe e, eu já estou atrasada.
- Vou precisar de você, Karina! Mais tarde, assim que você sair da casa dele, me liga para irmos ao shopping resolver alguns assuntos pendentes.
- Tá certo, amiga, até mais.
Karina deu uma piscada para Rogério, como sinal de despedida, sorriu parra Luana e se foi, ao encontro de Cadu.
- O que você pretende com isso tudo, hein? Onde você estava todo esse tempo? – Perguntou Rogério ao segurar o braço de Luana com bastante força.
- Calma gostosão, gosto de pegada, mas não tão violenta – Luana sorria.
- Não me enrola...
- Fui ao inferno e voltei mais forte do que nunca. Estou cheia de armamentos e munição para destruir todos os meus inimigos, basta saber qual o momento certo para atacar – Luana falava com ódio, gana, inveja.
- Não consigo te entender...
- Não precisa, deixe que eu mesma entenda. Basta fazer o que eu disser e tudo acontecerá como planejo.
- E o que devo fazer? Já estou farto desses seus enigmas...
- Assim que eu conversar com a Karina, digo exatamente o que faremos. Mas por enquanto, apenas trate de me dar prazer. Estou precisando desses seus beijos, desse seu corpo, da sua pegada e de tudo o que você pode me proporcionar.
Rogério puxou Luana para si e a levou para uma das salas vazias, em uma ala superior do CFM (Essa ala foi abandonada depois de um incêndio ocorrido nos anos 80 porque a sua estrutura estava comprometida. Apesar de ser a única parte intacta que restou do incêndio, os proprietários da escola optaram por construir uma nova estrutura, mais equipada) e os dois protagonizaram uma cena erótica de devassidão e libertinagem, esquecendo tudo o que estava ao redor. Sussurros de prazer estavam impregnados nas estruturas daquele prédio.
- Quem é essa garota, meu filho? – Perguntou Cássia, com a porta da sala entreaberta.
- Mamãe abre a porta, quando entrar eu te explico – Disse Cadu de forma calma e serena.
- Eu não abro a porta da minha casa para desconhecidos. Essa garota pode muito bem ser uma seqüestradora ou uma espiã que queira ver o que temos para poder roubá-las.
- Mamãe, ela está comigo, fique calma, por favor. Agora tira essas cadeiras da porta e me deixa entrar!
- Eu não posso, eu não posso... – Cássia estava desesperada, mexia nos cabelos e andava de um lado ao outro.
- Cássia, sou eu, seu filho e ela – Cadu puxou Karina para si e apresentou para a mãe - É a minha namorada, Karina. Deixe-nos entrar, por favor...
- Como posso ter certeza de que ela não vai tentar nada contra mim?
- Não vai acontecer nada, eu estou aqui para te proteger e a Karina é só uma moça comum, incapaz de lhe fazer alguma mal...
Cássia parou para escutar o filho, que depois de muita insistência conseguiu com que a mãe retirasse todos os móveis que havia colocado entre a porta, como forma de proteção. Ela estava completamente descontrolada, não conseguia parar de chorar, tinha vergonha do filho e não queria assumir que era uma pessoa doente, preferia dizer que todas as suas atitudes eram apenas precauções.
Karina não sabia como agir, esperava encontrar uma sogra completamente diferente e si depara com tantos problemas relacionados ao namorado. Mesmo assim, estava sempre ao lado de Cadu, segurando a sua mão e lhe dando forças para lidar com toda aquela situação embaraçosa. A situação obrigava Karina a encontrar bastante controle, que até pouco tempo, não sabia que possuía.
"O amor é a luz que ilumina a escuridão que aquece a alma e enlouquece o coração".

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