Visitantes

sábado, 5 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 25


Um novo dia chegara no CFM, mas muita gente ainda lembrava dos últimos acontecimentos, os comentários eram os mais variados possíveis. Muitas meninas julgavam Luiza baseando nos boatos que foram espalhados pela escola, outras idolatravam a moça, diziam que ela era a representação da mulher brasileira, que não se deixava abalar por homem nenhum e os trocava como se fosse uma roupa íntima.

Luiza estava segura de si. Desde o dia em que foi humilhada, muita coisa aconteceu, inclusive um amadurecimento forçado. Ângelo apoiou-a bastante, ajudando-a a encarar tudo de frente e não se deixar levar por comentários maldosos. Ela realmente sentia algo bom por Ângelo, mas a presença de Vinícius em seu coração ainda era constante. Mas Luiza havia mudado, estava mais forte, mais bonita, imponente e intensa.

- Olha só, a devoradora de homens já está caçando uma nova presa – Disse uma aluna do 2º ano.
- Cuidado, querida! Quem sabe não seja o seu namorado, a presa da vez – Luiza lançou um olhar de desprezo para a garota, que envergonhada, saiu de cabeça baixa em direção ao banheiro.
- Hoje a safadinha veio com tudo... Não quer brincar comigo ali atrás, é rapidinho, vamos? – Disse um marmanjo do 3º ano.
- Desculpa, mas não sou do tipo que brinca com coisas velhas e usadas. Quem sabe um dia, não é? Nunca é tarde para alimentar um sonho! – Luiza soltou um beijinho no ar para o garoto que ficou a ver navios.

Apesar da mudança, Luiza não queria mais se vingar de Vinícius. Ângelo a fez ver uma nova forma de superar todas essas as decepções, agindo de forma superior, não ligando para as provocações e tratando Vinícius com indiferença. Nada melhor que um banho de água fria para desestimular alguém.

Luiza viu que Vinícius estava sentado em uma das muitas mesas que havia ao redor do refeitório do CFM e tentou ser a mais fria possível. Soltou os cabelos, retocou o batom, subiu um pouco a blusa da farda, levantou a cabeça, abriu um sorriso largo e passou pelas mesas como se tivesse desfilando, propositalmente, para que Vinícius percebesse sua “felicidade”.

- Cara, tá tudo bem? – Perguntou Guilherme.
- Sim! – Vinícius tentou disfarçar o semblante triste e deu um sorriso forçado – Vou ficar...
- Um rapaz tão bonito como você não deveria ficar assim por alguém que não o ama! – Guilherme ficou um pouco envergonhado com o que disse, principalmente pelo olhar de estranhamento com que Vinícius o fuzilou.
- Obrigado pela força! Mas... Nos conhecemos?
- Acho que não... Prazer! Sou Guilherme, faço o segundo ano.
- Você não é amigo da Luana? – Ponderou.
- Ela não gosta muito de mim, sempre me critica, me ignora... Até tentei ser amigo dela!
- Um cara legal como você não devia ficar se rastejando por uma amizade sem futuro, como a da Luana...
- Então agora é você quem me dá conselhos? Tivemos um avanço! – Comemorou Guilherme.
- Claro, ué! Amigos servem para isso – Vinícius sorriu, bagunçando o cabelo de Guilherme.
- Você considera uma pessoa que acabou de conhecer como um amigo, assim, tão rápido?
- Eu gostei de você, tenho certeza de que será um grande amigo, por isso me referi dessa forma.
- Fico lisonjeado de ter Vinícius Ribeiro como amigo! – Brincou Guilherme.
- Besteira! – Vinícius levantou-se da mesa que estava – Bom agora eu tenho que ir, preciso esfriar a cabeça e esquecer os problemas...
- Se precisar de companhia...
- Obrigado, mas eu prefiro sofrer sozinho – Vinícius se foi, deixando Guilherme a suspirar.

Vinícius estava muito inseguro, o campeonato se aproximava e ele continuava fora de forma. As tais vitaminas que estava ingerindo só deixavam-no mais debilitado, causando sonolência e muita fome, fazendo com que ele engordasse cada vez mais. As expressões em seu rosto estavam bem marcadas, suas pálpebras estavam caídas e seus olhos bastante vermelhos, completados por olheiras profundas.

Ao sair da escola no término das aulas, ligou para Cadu, que havia faltado a aula, mas seu celular estava desligado. Sem ter com quem conversar, decidiu parar em um bar, próximo a sua casa.
A cada minuto que era contado pelo grande relógio, localizado na parede que estava de frente ao balcão de despacho, Vinícius perdia ainda mais a sua consciência, não falava coisa com coisa, trocava as palavras e chorava como um bebê que pedia o colo da mãe.

- Eu não merecia passar por tudo isso que estou passando. Luiza pensa que sou o culpado por tudo de ruim que acontece na vida dela, mas ela nem imagina a cobra que cria de baixo das suas cobertas, Luana é perigosa! – Vinícius falava trocando as palavras e gaguejando – Queria só ter uma nova chance de mostrar que posso amar Luiza como nenhum homem poderá amá-la. Ela arranjou aquele babaca do primo dela só para me fazer ciúmes, mas ela que me aguarde... – Vinícius gritava no bar, chamando a atenção de todos que estavam ali.

O dono do recinto pediu parar que Vinícius se retirasse, por já estar passando dos limites e se continuasse assim, iria espantar toda sua freguesia.

- Vou mostrar para Luiza que eu sou o homem certo para ela, só eu sou capaz de fazê-la feliz. Quero ver se ela terá coragem de me negar um beijo – Vinícius falava sozinho ao andar pelas ruas, seguindo em direção a casa de Luiza.


"... Queria que me beijasses até deixar-me sem fôlego. Perder o conhecimento, tocar o céu contigo..."

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 24


- O que é que você está falando? – Luana tentava dizer alguma coisa, mas sua voz falhava.
- Exatamente o que você ouviu! Você é filha daquele homem que matou a sem vergonha da sua mãe, naquele acidente quando eles fugiam.
- Isso é mentira! Porque ela iria fugir e me deixar aqui, com você, seu monstro?
- Pra que ela iria querer uma criança feia e chorona, se tudo o que ela mais almejava era dinheiro e poder?  Ela não dava a menor importância pra você, nunca gostou... Aliás, ninguém gosta de você.
- Como você pôde descer tão baixo? Inventar uma história dessas para difamar a imagem da minha mãe... Realmente, você não vale um só vintém.
- Se duvidar, sou melhor que você! – Marcos ria enquanto pegava uma garrafa de uísque no guarda roupa de seu quarto.

Luana saiu do quarto do pai e foi para o seu. Deitou-se em sua cama e começou a chorar desesperadamente. Sentia ódio do pai, ódio da mãe, ódio de si mesma. Como sua vida poderia ser assim? Será que alguém conseguia ter algum sentimento bom por Luana que não seja pena?

Sentou-se na cama, enxugou as lágrimas que teimavam em cair. Seguiu em direção a um espelho da sua altura que tinha dentro de seu quarto, depois pegou uma tesoura grande de aço e começou a furar seus olhos, refletidos na imagem do espelho. Pegou também um batom vermelho e passou no espelho, que refletia a imagem de seus lábios, logo abaixo dos furos que fez onde havia a imagem de seus olhos. “Preciso ser cega, surda e muda para poder alcançar tudo o que almejo. Agora, mais do que nunca, terei de ser implacável. Coração? Já não existe há muito tempo!”

- Ângelo? Finalmente consegui falar com você – Falou Luiza aliviada ao falar com o namorado pelo celular.
- Ela se foi, Luiza – Gaguejou Ângelo.
- Como assim, Ângelo, ela conseguiu alta? – Luiza procurava não pensar o pior.
- Não! Mamãe faleceu... Eu tentei, eu juro que tentei ser um bom filho.
- Não fale assim, sua mãe amava muito você.
- Queria que ela me perdoasse por não ter sido um bom filho.
- Pode ter certeza que ela não guardou mágoa nenhuma de você.
- Eu quero ser uma pessoa melhor, Luiza. Eu me esforço, mas parece que ninguém nota...
- Eu noto Ângelo! Eu sei que você é uma pessoa boa, que está tentando me ajudar.
- Queria que você me notasse de outra forma...
- Eu prometo que vou te aceitar de verdade, como meu namorado e, juntos, vamos nos ajudar. Um apoiando o outro, como um casal de verdade.
- Nesse momento, mais do que nunca,vou precisar do seu apoio.

Nada melhor que um amor para ajudar superar os problemas. Mas será que esse amor é capaz de suportar tantos problemas? Sabemos se um sentimento é verdadeiro quando ele consegue se manter erguido diante dos furações e tempestades que surgem ao longo de nossa jornada.

- Amor, já que agora estamos namorando de verdade, eu quero dar um passo a mais na nossa relação.
- Co... Co... Como assim, Carlos Eduardo? – Karina assustou-se pensando no que poderia ser esse passo a mais.
- É, meu amor! Já que agora somos namorados, eu quero que você saiba que as minhas intenções com você são as mais puras e verdadeiras. Por isso, quero que você conheça a minha mãe.
- Ah, é isso? – Karina ficou aliviada com a resposta do namorado.
- Claro! Você pensou que fosse o que? Karina, você tá precisando relaxar mais, você anda muito tensa. Deixa eu te ajudar a ficar mais calma?
- E como você vai fazer isso? – Disse Karina com um olhar penetrante e sedutor.
- Assim! – Cadu beijou Karina de forma voraz – E agora, como se sente?
- Assim... Você... Me deixa... Mais... Nervosa... – Karina falava recuperando o fôlego.
- Como você consegue ficar mais linda a cada dia? – Cadu estava hipnotizado por Karina.
- O seu amor me torna uma pessoa melhor! Você era tudo o que faltava em minha vida – Karina falava entre os beijos apaixonados que concedia a Cadu.


"... Se eu pudesse ser uma parte de ti, escolheria ser tuas lágrimas. Porque tuas lágrimas são concebidas em teu coração, nascem em teus olhos, vivem em teu rosto, e morrem em teus lábios..."

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 23


Luana não agüentava mais ficar presa naquele quartinho imundo, estava fraca, pois passara a noite de ontem e o dia de hoje sem comer ou beber. Já não conseguia raciocinar muito bem, olhava para todos os lados em busca de alguma saída. Viu um raio de luz, em toda aquela escuridão, vindo de uma abertura feita em uma janela, que estava praticamente no teto. Ela procurou rapidamente algo para que pudesse alcançar aquela brecha, pegou várias caixas que estavam jogadas ali e empilhou, fazendo-as de apoio.

- Droga! Não tem como abri essa janela – Luana esmurrou os cortilhos da janela, fazendo os romper – Essa porra tá tão podre que vai ser fácil sair daqui! – Sorriu Luana.

Ela começou a dar cotovelada nos cortilhos, partindo-os no meio. Depois de alguns minutos, já era possível sair dali. Luana pulou para o outro lado da casa, entrando pela cozinha, que ficava na lateral esquerda. Abriu com rispidez uma gaveta, onde se encontrava o aparelho de jantar da casa. Luana pegou um facão, desses de peixeiro e foi em direção ao quarto de seu pai.

- Então quer dizer que eu não tenho coragem de te matar, não é miserável? – Luana falou baixinho para si mesma.

Chegou bem próximo da cama, ajoelhou-se diante do pai, que dormia de lado e roncava igual a um porco que estava prestes a ir ao abate. Pôs a mão sobre o coração do pai, inclinou a ponta da faca na mesma direção e fez uma expressão voraz, parecia um animal que estava somente esperando a hora certa para devorar sua presa.

- Talvez você até tenha razão! Matar você enquanto dorme seria muito depressivo, não teria graça nenhuma... Quero ver você agonizar até o último suspiro! Pode ser que não seja morto por minhas próprias mãos, mas tenha a certeza de que sua hora vai chegar! – Luana começou a gargalhar como fazia quando estava tramando algo.

Marcos acordou assustado e arregalou os olhos quando viu a filha na sua frente com uma faca apontando para seu peito.

- O que você pensa que está fazendo? – Disse Marcos.
- Mostrando a você que sou bem pior do que imaginou e que não tenho medo de suas ameaças. Olha para você, não passa de um bêbado abandonado, esculachado e desajeitado. Pretendia me dar uma lição de moral me prendendo naquele chiqueiro?
- Você está completamente louca, abaixa essa faca! – Gritou Marcos.
- Cala essa sua boca suja! Quem dá as ordens aqui, agora, sou eu e acho bom você me obedecer...
- Quem você pensa que é?
- Um monstro que foi criado por você!
- Eu vou surrar essa sua cara cínica para aprender a me respeitar!
- Se encostar um dedo em mim, mato você! – Gritou Luana – Mas não será preciso... Você irá definhar aos poucos, se duvidar, vai morrer de cirrose, papai – Ironizou Luana.
- Você é mesmo uma ordinária pior que sua mãe! Faço um favor mantendo você em minha casa e assim que me agradece? – Agora era Marcos que ironizava.
- Do que você está falando, bêbado imundo?
- Eu não sou o seu pai! – Marcos olhava no fundo dos olhos de Luana.

Luana não esboçava nenhuma reação, estava perplexa, duvidava das palavras do homem que a criou. Deixou cair a faca que estava em suas mãos, uma lágrima caíra de seu olho esquerdo e suas pernas já não agüentavam suportar seu peso, fazendo-a cair diante de Marcos, que matinha sua postura firme e ereta.



"A vingança procede sempre da fraqueza da alma, que não é capaz de suportar as injúrias".

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares

CAPÍTULO 22.


- Karina, eu sei que é tudo muito recente... Mas eu não quero perder tempo! – Disse Cadu.
- Como assim, perder tempo? – Disse Karina, confusa.
- Não quero mais ficar um segundo se quer, sem te ter, só para mim!
- Do que você está falando? – Karina sorria um pouco confusa.
- Namora comigo? – Cadu ajoelhou-se nos pés de Karina.
- Namorar? Com você? – Assustou-se.
- É por quê? Algum problema? Eu sei que eu estou sendo precipitado, mas eu gosto de você e quero poder ter a chance de fazer com que você seja a mulher mais feliz desse mundo.
- E... Eu... Eu... – Karina sentiu o corpo esfriar, um arrepio percorreu sua medula, seus braços pesavam e os olhos ficaram baixos quando de repente ela sentiu uma tontura e desmaiou nos braços de Cadu.
- Karina? Amor acorda, por favor... Ah meu Deus e agora? – Cadu olha para o céu, desesperado.
- Aceito! – Karina levantou-se de repente e disparou.
- Ah meu Deus, obrigado! Sabia que o senhor não me abandonaria! – Karina ria das feições de Cadu – Você disse alguma coisa? Está bem? – Perguntou Cadu, preocupado.
- Eu disse que aceito... O seu pedido de namoro – Karina foi em direção a Cadu para abraçá-lo.

Cadu não acreditou no que Karina disse, olhou novamente para os céus e desmaiou. Parecia surreal toda essa cena hilária. Como o amor poderia ser tão contraditório, sendo capaz de causar tantos desencontros?

Luiza ligou para Ângelo e pediu para que ele fosse a casa dela, pois precisavam ter uma conversa bastante séria.

- Que bom que veio, precisava muito falar com você!
- Estou aqui, Luiza, pode falar! – Disse Ângelo, sentando-se no sofá da sala da casa de Luiza.
- Desejam alguma coisa? – Disse Marta.
- Não Martinha, não precisa! Qualquer coisa eu mesma faço, obrigada.
- Se é assim, vou me retirar. Boa Noite meninos, juízo! – Disse Marta sorrindo e indo em direção ao seu quarto.
- Você está bem? – Perguntou Luiza, procurando palavras para quebrar o gelo.
- Poderia estar melhor, mas sinto que você é quem não está nada bem, o que aconteceu?
- Eu preciso da sua ajuda para me vingar de Vinícius! – Luiza disse bem séria, olhando nos olhos de Ângelo.
- O que? Você me chamou até aqui para me dizer isso?
- É... Eu não vou conseguir fazer isso sozinha, sei que posso confiar em você e...
- Luiza, presta atenção numa coisa: Por mais que eu te ame, eu não sou capaz de destruir o meu rival por um capricho seu. Será que você não ver que isso só vai unir ainda mais vocês? Eu quero ter você por méritos próprios e não pelo fracasso alheio.
- E... Eu... Eu nem sei o que te falar, pensei que você...
- Porque você não esquece o Vinícius? Para com essa idéia boba de vingança! Se você acha que foi ele quem espalhou aqueles boatos sobre você, tudo bem, você tem todo o direito de ficar chateada, mas se vingar? Esquecer tudo isso é o melhor que você faz!
- Você está coberto de razão, mas eu não consigo me libertar desse rancor, dessa mágoa.
- Porque você não olha em volta? Veja quantas pessoas gostam e torcem para que você seja feliz... Eu estou apaixonado por você, Luiza, e eu quero ter o direito de te amar! – Ângelo foi chegando mais perto de Luiza e já estava praticamente com os lábios colados nos dela.
- Gente, desculpa interromper vocês, mas é que ligaram do hospital pedindo para que o Ângelo fosse para lá o mais rápido possível – Disse Cláudio com bastante cautela.
- Minha mãe! – Gritou Ângelo – Aconteceu alguma coisa? Eles disseram alguma coisa? Me fala, tio Cláudio!
- Desculpa Ângelo, mas eles só pediram para que você fosse para lá!
- Quer que eu vá com você, Ângelo? – Disse Luiza preocupada.
- Não, não precisa amor! Fica aqui e pensa em tudo o que eu te falei – Ângelo falava ofegante, preocupado.
- Me liga mais tarde para me dar alguma notícia?
- Tudo bem, agora eu preciso ir! Tchau tio Cláudio, tchau Luiza...

Ângelo saiu rapidamente da casa de Luiza e foi atrás de um táxi. Ele precisava saber o que aconteceu com sua mãe, mas, no fundo, ele já esperava pelo pior. Esqueceu até do que tinha falado para Luiza, naquele momento, sua mãe era o que mais lhe importava.

No outro dia, no CFM, todos os alunos olhavam torto para Luiza, que tentava fugir daqueles olhares inquisidores. Vinícius estava tão preocupado com o Campeonato, que esqueceu completamente de todos os seus problemas enquanto Luana continuava presa dentro do quartinho, no quintal de sua casa, sem comida e sem bebida. Na escola, todos estavam preocupados com o seu sumiço, mas ninguém sabia o que tinha acontecido.

- Onde será que se meteu a Luana? Ela não é de faltar aula! – Disse Rogério preocupado.
- Deve ter saído com alguém na noite passada e acabou perdendo a hora – Disse Guilherme, ironizando.
- Olha aqui, veadinho, mas respeito com a Luana, beleza? – Rogério puxou Guilherme pelo colarinho da farda masculina do CFM – Agora vaza daqui, hoje eu não estou com vontade de olhar nessa sua cara maquiada – Zombou Rogério.
- Ah Rogério, eu também estou preocupada, será que aconteceu alguma coisa com ela? – Falou Karina.
- Não quero nem imaginar! Ela não atende o celular... Será que o veadinho tinha razão?
- Não precisa falar assim com o Guilherme! Você sabe que ele gosta de ti, não devia maltratar os sentimentos alheios.
- Ele precisa saber que eu não sinto nada por ele e nem nunca vou sentir – Falou Rogério – Se vou ter que transar com ele, que seja apenas para zoar. A que ponto eu cheguei, me envolvendo com um veadinho? Tudo pela Luana! Só espero que ela não me abandone, pois nem sei do que sou capaz de fazer se isso acontecer – Pensou Rogério.
- Ai, credo! Você e a Luana são iguaizinhos... Agora eu preciso saber como está meu namorado – Karina estava radiante – Se souber alguma coisa do paradeiro de Luana, me avisa! – Karina soltou alguns beijinhos no ar para Rogério e saiu desfilando pelo CFM, em busca de seu amado.


"Se aprende a amar não quando se encontra a pessoa perfeita, e sim quando se aprende a crer na perfeição de uma pessoa imperfeita".

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 21


Luiza estava completamente cega, só conseguia enxergar com os olhos de Luana, que por sua vez, fazia de tudo para destruir a felicidade da “amiga”. Luana não desejava Vinícius, nunca o amou, quis somente usá-lo para fazer intriga com Luiza, pois seu maior prazer era ver a rival sofrer.

Luana justificava seus atos maléficos na violência sofrida pelo pai alcoólatra, que agregava todos os seus problemas a filha, acreditando ser ela, a grande causadora de toda sua desilusão.

- Luana, eu fiz tudo do jeito que você me pediu! Nada deu errado... – Disse Karina, preocupada com a reação de Luana.
- É, vejo que você não é tão burra como eu imaginava!
- Não fala assim amiga, eu deveria ganhar o Oscar de melhor atriz pela minha atuação no CFM.
- Que atuação? Qualquer um seria capaz de enganar aqueles porcos ignorantes que estudam naquela escolinha suburbana. Contente-se apenas com minha amizade, que já é muito para você – Esnobava Luana.
- Será que conseguimos separar de vez aquele casalzinho ridículo?
- Ainda não! A guerra apenas começou. Deixemos que Luiza tente destruir Vinícius... Quero que ela seja responsável pelo próprio sofrimento. E se preciso for, daremos uma forcinha ao destino.
- Você é muito calculista! Como consegue ser tão fria?
- Devorei todos os sentimentos bons que existiam dentro de mim, fiz de minhas tripas coração e uni tudo isso ao ódio que sinto por Luiza.
- Ah... É... – Engasgou Karina – Preciso ir, fiquei de ligar para o Cadu assim que chegasse em casa. Amanhã conversamos melhor. – Karina apressou-se me sair do CFM, as maldades de Luana já estavam se tornando fora de série.

Quanto mais pensava, mais Luiza tinha certeza de que Ângelo seria o homem ideal para ela. Além de não ser tão confuso e problemático como Vinícius, ele transmitia segurança e estabilidade, tudo o que ela queria naquele momento.

Marta, era uma senhora de meia idade, trabalhava na casa de Luiza desde antes de sua mãe morrer, criou-a como filha e sabia como ninguém o que se passava em sua cabeça.

- Vinícius ou Ângelo? – Encarou Marta ao sentar-se no sofá da sala, ao lado de Luiza.
- O que? – Indagou Luiza, sem entender.
- Que te deixou assim, tão desnorteada?
- Os dois... – Luiza sorriu ao sentir a preocupação de sua mãe postiça – Por incrível que pareça, eu acho que estou aprendendo a gostar do Ângelo. Nos últimos dias ele veio se mostrando tão gentil, cavalheiro e respeitoso.
- Não conhecia esse lado educado de Ângelo – Marta ficou surpreendida.
- Acho que ninguém conhecia... Essas atitudes me fizeram vê-lo com outros olhos, agora eu o analiso como homem e não como um primo.
- E Vinícius, onde fica no meio dessa história?
- Vinícius conseguiu destruir tudo o que eu sentia de bom por ele. Aqui – Luiza bateu no peito com certa força, enquanto derramava algumas lágrimas – Não resta mais nenhum sentimento bom para dividir com ele, somente rancor e mágoa.
- Não carregue tantos sentimentos ruins dentro de você, tente perdoá-lo e procure seguir em frente, com ou sem o Ângelo. Bom, vou terminar de preparar o jantar e depois vou visitar um velho amigo.
- Que amigo? – Luiza sorria, sentindo cheiro de romance no ar.
- Prometo que um dia te conto – Marta abraçou Luiza e retirou-se em direção a cozinha.

Alguns segredos que estavam enterrados na memória de antigos moradores de Fortaleza, começaram a permear em suas mentes nos dias que se seguiam. Muitas lágrimas insistiam em vir à tona, carregando consigo muito sofrimento e angústias do passado.

- Onde você se meteu garota? – Perguntou Marcos.
- Na escola, ué! Onde mais eu poderia estar? – Luana manteve uma ironia na voz.
- Não se faça de desentendida, conheço muito bem a sua raça. Não sei por que ainda insiste em freqüentar essa escola.
- Não tenho culpa se você não tem dinheiro para pagar uma escola que preste para mim – Afrontou Luana.
- Pra ser puta, não é preciso ir a escola e você sabe muito bem disso. Você deveria trazer dinheiro pra dentro de casa e não ficar perdendo tempo em escola.
- Como você tem coragem de dizer uma coisa dessas para a sua própria filha? Que tipo de pai é você? – Luana se revoltou com a atitude do pai – Anda, me fala seu monstro!
- Agora você quer brincar de ser santa?
- Sei muito bem quem sou e se cheguei a esse estado deplorável é por sua culpa. Você nunca soube ser um homem de verdade, por isso minha mãe te deixou... Quem vai querer ter um traste como você dentro de casa?
- Você não sabe o que tá falando, criatura dos infernos! – Marcos pegou o copo de vidro, no qual continha a cachaça que bebia e atirou no rosto de Luana.
- Eu vou te matar, seu ordinário! Vou acabar com sua raça... Não me importo se você é ou não meu pai. Pra mim, você não passa de um corno miserável.
- Não faça ameaças que não pode cumprir! – Marcos puxou Luana pelo cabelo e tranco-a em um quartinho sujo, no quintal de sua casa – Você vai ficar aí dentro, sem comida e bebida até aprender a me respeitar!
- Você não sabe do que sou capaz! Eu não tenho mais medo de você – Luana chutava e esmurrava a porta daquele quarto, tentando sair – ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM, NÃO VAI! – Gritava Luana.



"O amor é como as rosas,
Cada pétala uma ilusão, cada espinho uma realidade!"

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 20


- Mas, amor, você tem idéia de quem poderia fazer uma crueldade dessas com você? – Perguntou Ângelo.
- O Vinícius anda muito esquisito, tendo atitudes pretensiosas e agindo de má fé. Tenho quase certeza que foi ele quem espalhou esses boatos pelo CFM, para tentar me desmoralizar.
- E você acha que ele seria capaz de cometer uma baixeza dessas com você, Luiza?
- Não tenho dúvidas! Depois que descobri quem realmente é Vinícius, posso esperar qualquer coisa dele.
- E eu posso saber o que você descobriu?
- É algo que envolve outras pessoas... Não acho legal ficar falando da intimidade alheia.
- Tudo bem! Mas espero que algum dia, você possa confiar mais em mim. Pode ter certeza que eu nunca seria capaz de fazer algo contra você – Ângelo deu um beijo na testa de Luiza e saiu do quarto da moça.
- Já vai? Ainda é cedo... – Luiza parecia confusa, mas gostava da presença de Ângelo, ela a confortava.
- Você precisa ficar um tempo sozinha, para poder refletir sobre tudo o que anda acontecendo em sua vida e principalmente nas escolhas que você deve tomar.

Luiza estava convencida de que foi Vinícius que andou sujando seu nome com essas mentiras sujas a seu respeito. Mas ela precisava ter a certeza e acreditava que encontraria isso com Luana.

- Amiga... Você acha que o Vinícius seria capaz de inventar essas mentiras sobre mim? – Falou Luiza, do outro lado da linha.
- Luiza... Eu sou suspeita para falar, você sabe muito bem o que eu passei nas mãos daquele monstro.
- Mas você acredita que ele possa tentar me prejudicar por vingança?
- Hoje ele veio me procurar, tentou me agredir, por eu ter contado tudo a você. Eu disse que ele era perigoso, mas você não me deu ouvidos!
- Ele te fez alguma coisa? – Assustou-se Luiza.
- Não! Graças a Deus eu consegui escapar, porque apareceram alguns alunos lá perto.
- Ainda bem, Luana! Eu quero que você fique bem longe desse garoto.
- Do Vinícius eu só quero distância – Sorriu Luana, tampando o telefone com a palma da mão.
- Esse garoto precisa entender que o que havia entre nós... Acabou! E depois do que ele fez com você, só consigo ter nojo dele.
- Você também não deve bater de frente com o Vinícius, ele é muito perigoso. E do jeito que ele está, com ódio de você por tê-lo trocado pelo Ângelo...
- Ele não sabe com quem tá se metendo... Vou fazer ele pagar muito caro por toda essa humilhação que passei. Não sou do tipo que leva desaforo para casa! Fui boba uma vez, outra, jamais.

O sabor da Vingança pode ser mais saboroso e divertido que um simples amor renegado. Uma linda história de amor estava se tornando a mais perfeita contradição entre o amor, o ódio e o poder. São nesses momentos de aperto que descobrimos quem é quem de verdade. Os bons, muitas vezes se mostram fracos e incapazes de superar uma perda e se afundam em um vício. Os maus, muita vezes encontram um ponto de equilíbrio quando estão diante de algo que lhes remete a uma dor que fizera de seus corações uma perfeita amargura. E essa dor, faz com que surja novamente, uma forma de redenção e perdão de todos os pecados cometidos.

- O que é que você está fazendo aqui atrás, sozinho?
- Na... Na... Nada, eu tava só esperando minha vez de entrar na quadra para treinar – Disse Vinícius, tentando esconder algo.
- Sei! Parece até que tava se escondendo. – Disse Cadu desconfiado.
- Imagina! Eu. me escondendo? Não, não... - Vinícius forçava um sorriso para disfarçar.
- E o que é isso em suas mãos?
- Ah... Isso aqui? – Disse Vinícius mostrando um vidrinho de remédio – É só um energético para eu não ficar cansado tão rapidamente no treino. – Disse Vinícius tropeçando nas palavras.
- Toma cuidado Vinícius! Ficar tomando remédios sem prescrição médica pode trazer danos irreversíveis ao seu organismo. Não vale a pena sacrificar a sua vida por uma vitória no time de basquete da escola.
- Não é o que você tá pensando Cadu... São apenas vitaminas energéticas!
- Não desconta suas desilusões se afogando em antidepressivos, drogas ou bebidas. Cresça como pessoa superando os desafios. Amadureça essa sua mentalidade. Não é se drogando que você vai esconder toda sua frustração.

Vinícius não conseguia dizer uma palavra se quer, ela sabia que seu amigo tinha razão. Essas atitudes são típicas de pessoas fracas, que não conseguem transformar uma desilusão em experiência de vida. O melhor de errar é aprender há não repetir o mesmo erro.



"As correntes da escravidão só prendem as mãos. É a 

mente que faz livre o escravo."

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.


CAPÍTULO 19


- Luiza? – Ângelo entrou no meio da multidão e abraçou Luiza – Mas o que é que está acontecendo aqui? Vocês estão ficando loucos?
- Louco é você de namorar uma vagabunda como essa aí – Disse um aluno.
- Vagabunda é a sua Avó! Mais respeito com a minha namorada ou você vai querer levar uns socos nessa sua cara imunda?
- Todo corno é assim... Deixem! Um dia ele aprende a ser homem de verdade! – Disse uma garota do 3º ano.
- Vocês não têm esse direito, não têm! – Luiza gritava para todos aqueles alunos ouvirem.
- Mas que gritaria é essa aqui na minha escola? – Disse a Diretora Rita.
- São esses moleques humilhando a minha namorada!
- Parem com essa bagunça e vão todos para as suas salas, as aulas já estão começando – Rita disse num tom autoritário, mas ninguém se mexia, todos encaravam Ângelo e Luiza – Não ouviram o que eu falei? Para a sala A G O R A!
- Tá tudo bem com você, meu amor? – Ângelo demonstrava bastante preocupação.
- Graças a Deus, sim! Se não fosse você, nem sei o que poderia ter acontecido comigo – Luiza abraçou Ângelo de forma bem carinhosa.
- Luiza! Na minha sala, agora! E você – Rita apontava para Ângelo – Como não é estudante do CFM, vá para sua casa!
- A gente se vê mais tarde, Luiza. Não se esquece de me ligar quando chegar em casa, certo? – Ângelo deu um beijo no rosto de Luiza, próximo a sua boca. Ela arrepiou-se, deu um sorriso sem graça e seguiu a Diretora Rita.

Luiza e Rita passaram horas conversando e não chegaram a nenhuma conclusão. Ninguém sabia dizer ao certo o que aconteceu naquele pátio. Sabiam apenas que alguém espalhou boatos sobre a relação de Vinícius e Luiza.

- Não pensei que você pudesse descer tão baixo, Luana! – Falou Vinícius furioso.
- Olha só, quem resolveu aparecer, depois de tanto tempo...
- Não seja cínica, você sabe muito bem porque eu vim aqui! Não se cansa de tentar prejudicar a mim e a Luiza?
- Prejudicar? Que imaginação fértil, essa sua!
- Acho bom você desmentir todas essa infâmias que espalhou sobre mim!
- E se eu não quiser o que você vai fazer? Me bater? – Luana começou a rir como forma de deboche.
- Olha aqui garota, não me faça perder a cabeça com você – Vinícius agarrou o braço de Luana – Você vai agora, lá no pátio, contar para todos, que eu nunca abusei de você.
- Não seja ridículo! Porque eu faria isso?
- Porque se não... – Vinícius puxou o braço de Luana com força.
- Socorro, socorro! Ele tá tentando me agredir, alguém me ajuda, socorro! – Luana gritava, mas mantinha o sorriso no rosto, enquanto tentava soltar-se de Vinícius.
- Para de gritar sua louca, para!
- Quem tem que temer algo aqui, é você, Vinícius! Não sabes do que sou capaz – Luana começou a simular um choro – Socorro, alguém me ajuda esse garoto quer me agarrar a força!

Vinícius a soltou e jogou-se ao chão, desistindo de tentar reverter a situação.

- Estou cansado disso tudo, sabe? Não agüento mais esse joguinho... Não consigo mais conviver com a Luiza, não tenho mais forças para viver...
- Uma vez, não faz muito tempo, eu disse que um dia você iria rastejar aos meus pés – Luana colocou o pé no tórax de Vinícius e o empurrou, fazendo com que ele caísse de vez no chão - E esse dia, chegou mais rápido do que eu poderia imaginar – Luana pisou em cima de Vinícius e cuspiu em seu rosto.
- Ordinária! - Gritou Vinícius.
- Não tente me desafiar, sou pior do que você pode imaginar! – Luana sorriu, virou-se e saiu daquele jardim.

Luana conseguiu virar de vez aquele jogo. Todos estavam contra o casal Vinícius e Luiza, ninguém mais confiava na bondade de Luiza ou no caráter de Vinícius. Agora, chegou a vez de Luana reinar no CFM. Ela queria sentir pelo menos uma vez, como é ser amada, desejada e aclamada por todos. Mas isso ainda era pouco, seus planos eram bem maiores do que as estruturas de concreto do Colégio Francisco Mourão.


"O olhar de quem odeia é mais penetrante do que o olhar de quem ama".