CAPÍTULO 25
Um novo dia chegara no CFM, mas muita gente ainda lembrava dos últimos acontecimentos, os comentários eram os mais variados possíveis. Muitas meninas julgavam Luiza baseando nos boatos que foram espalhados pela escola, outras idolatravam a moça, diziam que ela era a representação da mulher brasileira, que não se deixava abalar por homem nenhum e os trocava como se fosse uma roupa íntima.
Luiza estava segura de si. Desde o dia em que foi humilhada, muita coisa aconteceu, inclusive um amadurecimento forçado. Ângelo apoiou-a bastante, ajudando-a a encarar tudo de frente e não se deixar levar por comentários maldosos. Ela realmente sentia algo bom por Ângelo, mas a presença de Vinícius em seu coração ainda era constante. Mas Luiza havia mudado, estava mais forte, mais bonita, imponente e intensa.
- Olha só, a devoradora de homens já está caçando uma nova presa – Disse uma aluna do 2º ano.
- Cuidado, querida! Quem sabe não seja o seu namorado, a presa da vez – Luiza lançou um olhar de desprezo para a garota, que envergonhada, saiu de cabeça baixa em direção ao banheiro.
- Hoje a safadinha veio com tudo... Não quer brincar comigo ali atrás, é rapidinho, vamos? – Disse um marmanjo do 3º ano.
- Desculpa, mas não sou do tipo que brinca com coisas velhas e usadas. Quem sabe um dia, não é? Nunca é tarde para alimentar um sonho! – Luiza soltou um beijinho no ar para o garoto que ficou a ver navios.
Apesar da mudança, Luiza não queria mais se vingar de Vinícius. Ângelo a fez ver uma nova forma de superar todas essas as decepções, agindo de forma superior, não ligando para as provocações e tratando Vinícius com indiferença. Nada melhor que um banho de água fria para desestimular alguém.
Luiza viu que Vinícius estava sentado em uma das muitas mesas que havia ao redor do refeitório do CFM e tentou ser a mais fria possível. Soltou os cabelos, retocou o batom, subiu um pouco a blusa da farda, levantou a cabeça, abriu um sorriso largo e passou pelas mesas como se tivesse desfilando, propositalmente, para que Vinícius percebesse sua “felicidade”.
- Cara, tá tudo bem? – Perguntou Guilherme.
- Sim! – Vinícius tentou disfarçar o semblante triste e deu um sorriso forçado – Vou ficar...
- Um rapaz tão bonito como você não deveria ficar assim por alguém que não o ama! – Guilherme ficou um pouco envergonhado com o que disse, principalmente pelo olhar de estranhamento com que Vinícius o fuzilou.
- Obrigado pela força! Mas... Nos conhecemos?
- Acho que não... Prazer! Sou Guilherme, faço o segundo ano.
- Você não é amigo da Luana? – Ponderou.
- Ela não gosta muito de mim, sempre me critica, me ignora... Até tentei ser amigo dela!
- Um cara legal como você não devia ficar se rastejando por uma amizade sem futuro, como a da Luana...
- Então agora é você quem me dá conselhos? Tivemos um avanço! – Comemorou Guilherme.
- Claro, ué! Amigos servem para isso – Vinícius sorriu, bagunçando o cabelo de Guilherme.
- Você considera uma pessoa que acabou de conhecer como um amigo, assim, tão rápido?
- Eu gostei de você, tenho certeza de que será um grande amigo, por isso me referi dessa forma.
- Fico lisonjeado de ter Vinícius Ribeiro como amigo! – Brincou Guilherme.
- Besteira! – Vinícius levantou-se da mesa que estava – Bom agora eu tenho que ir, preciso esfriar a cabeça e esquecer os problemas...
- Se precisar de companhia...
- Obrigado, mas eu prefiro sofrer sozinho – Vinícius se foi, deixando Guilherme a suspirar.
Vinícius estava muito inseguro, o campeonato se aproximava e ele continuava fora de forma. As tais vitaminas que estava ingerindo só deixavam-no mais debilitado, causando sonolência e muita fome, fazendo com que ele engordasse cada vez mais. As expressões em seu rosto estavam bem marcadas, suas pálpebras estavam caídas e seus olhos bastante vermelhos, completados por olheiras profundas.
Ao sair da escola no término das aulas, ligou para Cadu, que havia faltado a aula, mas seu celular estava desligado. Sem ter com quem conversar, decidiu parar em um bar, próximo a sua casa.
A cada minuto que era contado pelo grande relógio, localizado na parede que estava de frente ao balcão de despacho, Vinícius perdia ainda mais a sua consciência, não falava coisa com coisa, trocava as palavras e chorava como um bebê que pedia o colo da mãe.
- Eu não merecia passar por tudo isso que estou passando. Luiza pensa que sou o culpado por tudo de ruim que acontece na vida dela, mas ela nem imagina a cobra que cria de baixo das suas cobertas, Luana é perigosa! – Vinícius falava trocando as palavras e gaguejando – Queria só ter uma nova chance de mostrar que posso amar Luiza como nenhum homem poderá amá-la. Ela arranjou aquele babaca do primo dela só para me fazer ciúmes, mas ela que me aguarde... – Vinícius gritava no bar, chamando a atenção de todos que estavam ali.
O dono do recinto pediu parar que Vinícius se retirasse, por já estar passando dos limites e se continuasse assim, iria espantar toda sua freguesia.
- Vou mostrar para Luiza que eu sou o homem certo para ela, só eu sou capaz de fazê-la feliz. Quero ver se ela terá coragem de me negar um beijo – Vinícius falava sozinho ao andar pelas ruas, seguindo em direção a casa de Luiza.
"... Queria que me beijasses até deixar-me sem fôlego. Perder o conhecimento, tocar o céu contigo..."






