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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 5.



- Vinícius? Nossa! Quem é vivo sempre aparece... Desde que voltamos das férias nunca mais havia te encontrado.
- É Cadu, a vida anda muito corrida. São tantos problemas que você nem pode imaginar.
- Nem me fale em problemas... Na minha casa as coisas só pioram a cada dia, minha mãe tá cada vez pior, não sei mais o que fazer!
- Mas eu pensei que aquelas neuras da tia Cássia já tivessem passado, pensei que fosse algo momentâneo.
- Nós também pensávamos! Mas vamos mudar de assunto... O que anda acontecendo na tua vida pra te deixar assim, tão pra baixo?
- Ah, é a Luiza!
- Sempre a Luiza, já conseguiu se declarar?Já sei! Ela te deu um fora, acertei?
- Nem quando eu to mal você deixa de tirar um sarro comigo, né?
- Você sabe que mora aqui – Cadu bate forte no peito – Você é um grande irmão, cara. Não se deixa abater, segue em frente. Errar é humano, mas é necessário aprender com os nossos erros, eu sou a prova viva disso.
- Te amo muito cara, você é o irmão que nunca tive.
- Conta sempre comigo, irmão. Mesmo distantes, seremos sempre bons e grandes amigos.
- Claro, nossa amizade foi construída sob muita sinceridade, confiança e lealdade.
- É isso aí! Fica com Deus brother. Agora eu preciso ir, tenho que ver como está a minha mãe.

Nas horas difíceis é sempre bom poder contar com um amigo de verdade, alguém que saiba te aconselhar com sensatez e ajudar a encontrar um novo rumo. Era disso que Vinícius precisava; um novo rumo. Luana havia destruído toda e qualquer chance dele ser feliz ao lado de Luiza, tudo parecia estar de cabeça pra baixo, nada mais fazia sentido. Ele havia se declarado e ela negado o seu amor, por acreditar e confiar nas mentiras contadas por uma falsa amiga. As amizades podem ser mais destrutivas do que qualquer outra relação amorosa, confiar demais pode ajudar e ao mesmo tempo atrapalhar.

Cadu era um grande amigo de infância de Vinícius, os dois eram como irmãos, já que suas mães também eram grandes amigas (Cadu tinha traços bem marcantes e rústicos, que elevavam sua virilidade masculina. Possuía olhos e cabelos castanhos bem escuros, completado por um corpo atlético de dar inveja a qualquer marmanjo). Mas a vida de Cadu não estava melhor do que a de Vinícius. Seus conflitos eram bem mais complexos e exigiam muita maturidade para um simples adolescente.

- Quem é? – Assustou-se – Eu sei o que você quer... Saí da minha casa agora! Eu vou chamar a polícia, to avisando... – Disse Cássia, atrás da porta da sala de estar.
- Mãe, para com isso, abre essa porta, sou eu, Cadu.
- Você tá querendo me enganar, meu filho está na escola – Respirou bem fundo e começou a chorar – Eu não tenho nada, nossa família é bem simples, não possuímos nada de valor pra você roubar.
- Mãe, sou eu, acabei de chegar... – Cadu tentava controlá-la.
- Prove! – Gritava Cássia.
- Mãe... Tá vai, abre pra mim que eu prometo fazer aquela torta de brigadeiro que a Senhora ama...
- Cadu? Meu filhinho... Eu estava com tanto medo! – Falou Cássia ao abrir a porta
- Calma mamãe, eu estou aqui, tá bom? Nada vai te acontecer.
- Mas eu tenho medo! Esses assaltantes ficam só esperando a hora certa para nos atacar. Ninguém sabe o que vai encontrar ao sair de casa, não podemos correr o risco de ser atacados por esses ladrões e traficantes.
- Me deixa abrir essa janela, aqui tá muito quente... – Falou Cadu levantando-se para abrir a Janela que estava bloqueada com várias cadeiras.
- Não! Por favor, assim eu me sinto mais segura, com tudo trancado. – Cássia ainda soluçava.
- Tudo bem, agora vamos, precisamos fazer uma deliciosa torta de brigadeiro. – Falou Cadu ao envolver a mãe nos seus braços, fazendo carinho.



 Nada corrompe corações verdadeiros.


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