CAPÍTULO 12.
A situação estava ruim para os dois lados. Ambos estavam sensíveis, fragilizados e com os corações destruídos, mas precisavam lutar contra esse sentimento e seguir em frente. Agir por impulso poderia causar sérios problemas a todos, mas parece que Vinícius e Luiza não entendem muito isso, pois gostam de correr riscos e vivem tentando driblar o destino.
- O que é isso Vinícius? Você tá ficando louco? – Luiza tentava se esquivar de Vinícius que a puxava pelo braço, arrastando-a pelo pátio do CFM.
- Não solto enquanto você não vier comigo! – Vinícius falava com uma expressão de fúria e desejo no olhar.
- Me larga! Você não pode sair me agarrando assim... Eu... Eu... Eu tenho N A M O R A D O.
- Como tem um namorado? Você é minha! Não pode ser de mais ninguém – Nesse momento Vinícius puxa Luiza para si e lhe rouba um beijo, no começo ela se retrai, mas não consegue resistir por muito tempo.
Eis o primeiro beijo do casal, um momento único e indescritível, apesar das circunstâncias, estava sendo ótimo para os dois. Sentir o toque dos lábios e a troca de sentimentos fez com que eles percebessem o desejo e a química que havia entre os dois, uma ligação além da vida, algo que emanava e contagiava todos que estavam ao redor. O primeiro beijo, do primeiro amor, deveria ser inesquecível. E foi...
- Qual é meu irmão? Tá ficando louco? – Vinicius disse ao se levantar do chão, após receber um soco na face, que acabara de receber das mãos de Ângelo.
- Louco? Você agarra minha mulher e vem me chamar de louco? – Ângelo estava transtornado.
- Ela não é sua mulher! Luiza me ama e é comigo que ela vai ficar – Vinícius puxou Luiza para si.
- Rapaz, eu estou falando sério, se você não soltar minha namorada agora eu vou ter que quebrar a tua cara!
- Vem! Me bate se você for homem de verdade – Vinícius encarava e afrontava Ângelo, que apesar de ser menor que Vinícius, estava completamente alucinado, capaz de destruir qualquer coisa.
- Agora você vai se vê comigo! Quem tá pedindo é você!
- PAREM! Chega! Eu não aguento mais isso. Vocês não estão vendo que isso só vai machucar mais ainda todos nós? Se quiserem se destruir, me tirem fora dessa! Não vou compactuar com essa briguinha de vocês.
- Luiza! Esse cara tava te agarrando – Disse Ângelo incrédulo com a atitude de Luiza.
- Cala a boca! – Luiza afastou-se de Vinícius e olhou bem para o seu rosto, criando coragem para acabar de vez com todas as esperanças que eles tinham de ficar juntos – E você Vinícius... Nunca mais chegue perto de mim, agora eu... Eu... Eu sou comprometida – Apesar da voz embargada, Luiza foi bem enfática no que disse.
- Você só pode estar brincando, não é? – Agora era Vinícius quem não acreditava no que ouvia.
- É isso mesmo que você ouviu! – Luiza puxa Ângelo para perto de si, enquanto o rapaz a envolve com o seu braço direito – Ângelo e Eu estamos namorando.
- Você... Você é uma vagabunda mesmo!
- Veja bem como fala com a minha namorada! Não ouviu o que ela disse? Deixa a gente em paz ou eu sou capaz de fazer...
- CHEGA! Ninguém aqui é capaz de nada. Não quero saber de brigas, entenderam? Agora vamos pra casa Ângelo e deixemos que Vinícius pense melhor em tudo o que ele anda fazendo com a vida dele.
- O que eu fiz, foi transformar a minha vida em um sol, que girava em torno de você, que era o meu planeta, a minha vida. E você destruiu tudo o que tinha de melhor dentro de mim. Cada um tem o que merece, não é? Mas esse não é o meu fim, vai ser difícil, mas eu vou aprender a viver sem você, nem que seja a última coisa que eu faça.
Luiza precisava ser dura com Vinícius para acabar de vez com suas expectativas. O amor deles é improvável, não poderia acontecer naquele momento. Iludir Vinícius só iria feri-lo ainda mais e ela precisava cumprir a promessa que fez a sua tia Denise. Um amor tão viciante, tão inebriante, tão ardente estava se tornando uma doença e era melhor cortar o mal pela raiz, antes que se tornasse cada vez mais impossível evitar ficar longe um do outro.
- Que horas?
- Nos encontramos às 20h, na pracinha, de lá veremos um local apropriado, no qual ninguém possa nos ver – Luana falava com uma voz sedutora.
- Por você eu faço tudo. Pode deixar! Às 20h estarei lá com o carro dos meus pais – Rogério estava completamente dominado, seria fácil induzi-lo a fazer o que Luana desejasse.
- Assim é que se fala! Seja um garotinho obediente e assim receberá tudo o que mais deseja.
- E o que eu mais desejo? – Rogério falava baixo, com medo de que alguém os pegasse naquela sala de música vazia do CFM.
- Me ter por inteira, por toda a eternidade! – Luana falava devagar, colocando a mão de Rogério dentro de sua calça, que compunha a farda do CFM.
- Muito pretensioso de sua parte – Rogério falava ao beijar o pescoço de Luana, que se afastou, com medo de ser pega por alguém.
- Até mais, meu gostoso. E não se esqueça do carro, iremos precisar dele para nos divertir – Luana deu um beijo rápido nos lábios de Rogério e saiu, deixando-o sozinho, na sala de música, que estava vazia naquele horário.
"Amor e desejo são coisas diferentes. Nem tudo o que se ama se deseja e nem tudo o que se deseja se ama".

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