CAPÍTULO 9.
- Luana, eu nem sei mais o que faço! Parece que tudo está acontecendo ao mesmo tempo, eu não vou aguentar tudo isso por muito tempo... – Luiza dizia com lágrimas no olhar.
- Calma amiga! Me conta o que aconteceu pra te deixar assim, tão arrasada? – Luana se esforçava para parecer uma amiga gentil e companheira.
- Ontem o Ângelo, aquele meu primo, apareceu aqui no CFM e me deu um beijo – Assustou-se ao imaginar a cena novemente.
- LUIZA! – Grita Luana com histeria – Sua safadinha, pegando todos e nem me contou...
- Eu não estou “pegando ninguém”! Aquele ridículo do Ângelo é que me agarrou. Pra piorar a situação a minha tia, mãe dele está internada, por causa do câncer. – Nesse momento uma lágrima cai do olho esquerdo de Luiza e Luana rapidamente a enxuga com a palma da mão direita.
- Amiga isso é uma besteira. Um beijo não mata ninguém e você não pode fazer nada para salvar a tia doente... “Nem Deus salva essa velha” – Pensou Luana.
- Besteira pra você, Luana, que está por fora da situação. Pra mim isso é o fim, até por que...
- O que mais aconteceu, Luiza? – Luana já estava completamente sem paciência para ouvi-la.
- O Vinícius viu a gente se beijando.
- Sério? – Luana tentava disfarçar o sorriso de alegria – Nossa! E qual o foi a reação dele?
- Não poderia ser pior. Partiu meu coração o ver chorando daquele jeito... Mas ele não pode ser meu!
- Amiga, se for por minha causa, você sabe que...
- Luana, não é por você. Agora é por mim... Vinícius e eu, não nascemos para ficar juntos. Acho que não tenho muita sorte no amor. Essa é a minha sina, viver sem amor...
Isso era o que Luiza queria que acontecesse, mas na realidade ela nunca conseguiria esquecer Vinícius. De onde vem toda essa atração, esse amor tão forte e destrutivo? O amor é paciente, não tem pressa, nem escolha, simplesmente acontece. Não podemos medir sua intensidade, só precisamos vivê-lo. Mas amar demais não é pecado? O que custa pecar uma vez na vida em nome da felicidade!
Errado é deixar que uma obsessão seja confundia com amor. Amor não mata, não destrói, não oprime. Tornar uma relação passional significa deixar de amar. Quando deixamos de amar, perdemos completamente a razão, dando lugar ao desconforto da solidão e ao desamparo da desilusão. Amar, definitivamente, não é sofrer.
- Ai Rô – Luana não conseguia parar de rir – Estou com tanta pena da minha amiguinha Luiza – Luana caçoava de Luiza com uma voz fina, sobressaindo com risadas maléficas.
- Você é péssima, Luana! E é isso que mais me excita em você – Dizia Rogério ao puxá-la para si, envolvendo em um abraço faminto e devorador.
- Eu sei meu gostoso. E o que mais me excita nessa vida é ver como a Luiza é idiota – Luana gargalhava – Imbecil, retardada... Luiza é uma lesma! Não sei como o Vinícius consegue gostar tanto daquela mosca morta...
- Porque ele é mais babaca que a Luiza – Rogério intensificou os risos de Luana
- Isso é verdade! Vinícius e Luiza: O CASAL MAIS NOJENTINHO E IRRITANTE do mundo inteiro – Gritava Luana, de uma janela na ala superior do CFM, que era direcionada ao lado de fora da escola.
- Agora chega! Vamos parar de falar de gente insignificante. E você, Luana, trate de me dar prazer o mais rápido possível – Rogério falava no ouvido de Luana depois de agarrá-la.
- E você vai querer transar aqui, no chão dessa escolinha xexelenta?
- Claro que não! Só quero que você comece a me deixar louco com essa sua boca e depois... Deixaremos que o prazer nos guie – Rogério imprensava Luana na parede, retirando sua camiseta da farda e dando chupões em seu corpo despido.
O romance de Luiza e Rogério ainda irá render muita confusão. Uma mente maligna era pouca, foi preciso unir o útil ao agradável, o prazer em nome da vingança e o ódio pela maestria de sensações promíscuas. O delírio da relação, baseada nos instintos carnais, era mais racional que o sentimento que unia Vinícius e Luiza, o que tornava a relação mau-caráter de Rogério e Luana mais vantajosa na hora de medir forças. Às vezes, ter controle sobre o emocional e manter a serenidade, faz com que as relações durem um pouco mais.
- Cadu, cara, como vai a sua mãe? Esqueci de te ligar para perguntar. Naquele dia você saiu tão preocupado... – Disse Vinícius, com uma voz de preocupação.
- Você nem imagina... Foi uma luta para poder entrar em casa, ela sempre acha que alguém quer assaltar ou matá-la – Falava Cadu com uma expressão bem triste.
- Fica assim não, cara. Precisamos ter fé de que ela vai melhorar.
- É! Eu estou tentando convencê-la a ir a um psicólogo, mas ela faz resistência!
- Vocês vão superar isso, pode ter certeza!
- Vini, muito obrigado eu... – Cadu vê Karina de relance e fica admirado com tamanha beleza – Meu... Quem é aquela gata? Nossa! Nunca tinha reparado nela...
- Acho melhor você nem pensar em ter nada com ela. Vive andando pra lá e pra cá com a Luana, devem ser farinha do mesmo saco! A Karina tem uma cara de sonsa que é incrível...
- Karina, então é esse o nome dela? Tão linda quanto o nome! – Karina é a típica patricinha emergente, que sonhava em sair do subúrbio. Tinha porte de modelo; era loira, tinha os cabelos longos e ondulados, olhos azuis e um sorriso esplendoroso.
Será que novas paixões estão para surgir? Nunca em toda a história do CFM houve tantos conflitos, amores e desamores.
"O amor nos torna patéticos, enquanto o sexo é uma selva de epiléticos..." (Rita Lee)

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