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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 13.


- Então, o que você quer de mim? Hoje sou todinho seu, pode fazer o quiser – Disse Rogério para Luana, ao chegarem a um motel, afastado da cidade.
- É assim agora? Eu mando na relação? – Luana falava de forma sedutora.
- Você é quem manda... Você diz e o papai aqui, faz! – Rogério agarra Luana e começa a beijar o seu pescoço, deitando-a na cama.
- Qualquer coisa?
- Tudo o que você quiser...
- Eu quero só você – Luana subiu em cima de Rogério e começou a tirar sua roupa, simulando um “stripper” ao som de “MY PUSSY É O PODER”
- Assim você me mata gostosa. Vem aqui, vem? Dá beijinho no papai, dá?
- Não, não – Luana continuava a dançar – Antes eu preciso de um favorzinho seu.
- Já disse... O que você quiser!
- Eu quero que você durma com o Guilherme! – Luana mantém com segurança sua proposta.
- GUILHERME? Você tá ficando louca? – Rogério pulou da cama rapidamente.
- Não, meu amor. Tenho quase certeza que o Guilherme é gay, mas eu preciso de provas. Quero que você transe com ele na sala de música do CFM.
- Luana, eu não faço esse tipo de coisa! Eu sou macho, muito macho... – Rogério começava a gritar e Luana só dava risadas.
- Se você quiser me ter, terá que fazer exatamente o que eu estou mandando. Preciso garantir que o Guilherme estará em minhas mãos, sob o meu controle. Quanto mais gente estiver ao nosso lado, melhor.
- Você não pode estar falando sério. Chantagem? Isso é cruel!
- Olha quem fala de crueldade... Eu sei coisas sobre você que até Deus duvida. Posso colocá-lo na cadeia com apenas uma ligação. Posso acusá-lo de abuso de menores, ou acha que não sei o tipo de brincadeira que você faz com sua irmãzinha? Imagina quando todos souberem!
- Ninguém vai acreditar em você! Você está completamente louca.
- Você não viu nada, ainda! – Luana gargalhava de forma escandalosa – Em quem acha que vão acreditar, no marginalzinho drogado ou em mim, que sou uma pobre adolescente indefesa, que foi enganada? Tenho provas e testemunhos para comprovar o que digo.
- Você... Você...
- Vai querer medir forças comigo ou vai ser um menininho obediente? Titia não gosta de meninos mal educados! – Luana abraçava Rogério, dando beijos no seu tórax, descendo aos poucos – Posso fazer de você o homem mais feliz do mundo. A escolha é sua...
- Ok! Não tenho mesmo escolha... Faço o que você quiser, mas antes...
- Pode deixar! Vamos terminar o que a gente começou. Sabia que você iria fazer a escolha certa, meu homem.

Segundo o pensamento de Luana, se ela tivesse o apoio financeiro de Guilherme, seria muito mais fácil elaborar planos mais requintados para destruir Luiza. O difícil era convencê-lo a compactuar com esses planos. Mas a sorte parecia estar ao lado de Luana, ela agora tem uma carta na manga e com isso pode obter tudo o que quiser de Guilherme, já que o rapaz teme que sua “reputação” seja manchada por um escândalo como esse.

- Isso são horas para a Rainha de Fortaleza chegar em casa? – Marcos ironizava Luana, completamente bêbado e com uma garrafa de cachaça na mão.
- Eu estava fazendo um trabalho na casa de uma amiga e acabei esquecendo a hora – Luana falava com a cabeça baixa.
- Trabalho? Você pensa que engana quem? – Marcos puxa Luana pelo cabelo e olha seu pescoço que estava todo marcado pelos beijos de Rogério – O tema do trabalho por acaso era Educação Sexual? Que porra de chupões são esses? – Marcos dá um tapa na cara de Luana –  Você não tem vergonha de ser tão vagabunda?
- Eu tenho vergonha de ter um pai alcoólatra como você, isso sim!
- Pois não devia ter vergonha! Faço mais do que minha obrigação deixando você morar nessa casa e comer de minha comida – Marcos cambaleava e falava de forma confusa, por causa da bebida.
- Sua comida? Nem dinheiro pra comprar um maço de fósforos você tem! Gasta toda a aposentadoria com cachaça e ainda quer ter razão? Eu faço o que quiser da minha vida!
- Não faz! Enquanto você morar nessa casa e estiver sob minha tutela, fará somente o que eu mandar.
- Você não tem o direito de me prender nessa casa imunda!
- Eu tenho pena de você! Terá o mesmo fim que a ordinária da sua mãe...
- Porque você tem tanta raiva de mim e da minha mãe?
- Porque sua mãe fugiu com outro homem e me deixou aqui, com um bebê insuportável que não parava de chorar. Era pra você ter morrido naquele acidente, junto com ela, assim eu me livrava das duas de uma vez só.
- Eu não vou deixar você me humilhar desse jeito, nunca mais!
- E o que você vai fazer? – Marcos segura com força o braço esquerdo de Luana e lhe joga ao chão com força.
- Por enquanto, nada! Mas não irá demorar muito para esse dia chegar, aí eu quero ver, quem terá pena de quem – Luana disse levantando-se, indo para o quarto.

A violência gerada pelo álcool é muito pior do que qualquer outra, principalmente quando ocorre dentro de casa, determinada por alguma desilusão vivida. Muitos alcoólatras ingerem a bebida como um remédio que e capaz de curar dores intermináveis. Mas na realidade, o álcool só aumenta, ainda mais, a angústia de quem sofre, destruindo a vida de quem bebe e a vida de quem convive com a bebida.


"O ódio dos fracos não é tão perigoso como a sua amizade".

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