CAPÍTULO 8.
Os dias no Francisco Mourão estavam cada vez mais agitados, tudo parecia estar acontecendo ao mesmo tempo. O ar ainda estava pesado, depois da onda de preconceito gerada por Luana, mas com a calma e a paciência da diretora Rita, tudo estava voltando ao normal, exceto por um motivo.
- Ah Luana, tenho tanta coisa pra te falar, amiga! A festa na casa da Lili foi perfeita, peguei tantos gatinhos, um mais lindo que o outro. Mas eu não... – Dizia Karina super animada.
- Beleza, outra hora você me conta! – Disse Luana se esquivando das “confissões de uma adolescente em crise”.
- Nossa! Que bicho te mordeu? Aconteceu alguma coisa?
- A mesma de sempre, eu não tenho paz com aquele porco do meu “papai”. Preciso sair daquela casa! – Luana andava de um lado a outro, demonstrando fúria ao arquitetar algo contra o seu pai.
- E porque não sai?
- Porque não tenho dinheiro? Não seja burra! Aquele velho só bebe, nem pra trazer dinheiro pra casa... Vivo numa miséria descomunal e ainda tenho que respeitá-lo para não se agredida.
- Oras! Vem morar comigo amiga, lá em casa tem um quarto de hospedes maravilhoso e todos te adoram por lá!
- Eu não quero viver de favor pelo resto da minha vida. Preciso de segurança, estabilidade. Sou uma rainha, não posso continuar a viver em um chiqueiro. – Falava Luana com repudia na voz.
- Ai amiga, tem calma tudo vai se resolver! Você está precisando é de um homem... Rico, bonito e poderoso para bancar a vida dos teus sonhos.
- Eu não vivo de migalhas... Não vou passar a minha juventude esperando que um velho morra para poder me apossar de sua herança. Em breve terei tudo o que mais desejo, serei uma mulher poderosa e há de quem ousar cruzar o meu caminho.
- Você me dá medo, Luana!
- Não tenha querida. Se você fizer por onde, nunca sofrerá as conseqüências de uma traição... Caso me traia – Ergueu-se Luana, num tom prepotente e superior – pode preparar-se para saber como é a vida no inferno! – Luana pega a palma da mão de Karina – Eu mesma faço questão de arrancar dedo por dedo desta sua mãozinha macia – Os risos maléficos de Luana ecoavam pelos corredores gigantescos e vazios da ala superior, quase inabitável no CFM, aonde Luana sempre ia para movimentar seus planos mais sórdidos.
As idéias da garota estavam começando a se organizar. Primeiro ela precisava focar em Vinícius e Luiza, depois veria o que poderia ser feito para neutralizar o poder que seu pai exercia sobre ela. Tudo precisava ser feito com muita cautela, não poderia haver erros. A vida de Luiza está a um passo de pertencer a Luana, bastava apenas não se precipitar e tomar as decisões acertadamente.
- Rogério? Tudo bom, cara?
- E ai Vini, firmeza? Cara... Precisamos marcar aquela revanche, não é?
- Meu, tu ainda se lembra disso? Aquele racha foi há quase um ano!
- Nunca esqueço uma derrota – Falou Rogério em um tom mais sério e intimidador.
- Só marcar que eu estarei! Não fujo dos desafios... – Vinícius projetou-se de forma mais intimidadora.
- Pode deixar! – Rogério olha ao lado e dá um sorrisinho de canto de boca – É... Vinícius?
- Diz cara!
- Aquela ali não é a Luiza com o primo “sedutor” dela? – Citou Rogério ao tentar armar uma intriga entre Vinícius e Ângelo, pois ele sabia que os dois não se davam bem por causa de Luiza.
Vinícius olhou de relance e assustou-se ao ver que Ângelo estava no CFM conversando de uma forma mais íntima com Luiza.
- Ângelo? O que você está fazendo aqui? – Falou Luiza, assustada!
- Não posso vir buscar minha namorada no colégio? – Ângelo tentava provocá-la com uma voz sedutora.
- Primeiro que eu não sou sua namorada e segundo... – Ângelo tapou a boca de Luiza com o dedo indicador, posicionou-se de fronte a ela e tascou-lhe um beijo, digno de uma novela das 20h. Não havia como fugir, Luiza foi pega de surpresa.
O olhar de Vinícius o traia de uma forma intensa, sem parar de chorar, guiado pela pior imagem que sua retina poderia gravar – “Porque Luiza faz isso com meu coração?” – Vinícius caíra de joelhos ao chão, perante o amor de sua vida aos braços de outro, com o coração sangrando sob suas mãos, imóvel, sem nenhuma reação, juntava-se a dor de perder alguém que nunca possuiu. O amor se tornou a pior doença que alguém poderia contrair. Amar tornou-se sofrer e aquela imagem o torturava.
O Seu Lugar
Seu Cuca
Composição: James LimaAssim que você encontrar o seu lugar
Guarde embaixo do solo suas mágoas
E deixe secar as velhas lágrimas sem dó
Só o tempo desfaz suas marcas
Ver você
Assim
Sem noção da falta que faz o seu olhar
E é você quem faz o meu viver
Quando segue de volta pra casa
Um velho sonho sobe a escada da minha morada
E abre os olhos claros e sorri pra mim
Seus passos são compassos da minha balada
E eu sei
Que é assim
Seu lugar é ao lado meu
Até o fim
Cê' vai me torturar assim?
Pra que jogar
Se eu já decorei suas cartas
Me deixe mostrar o meu retrato sobre o seu
Pra revelar onde estão minhas falhas
Ver você
Assim
Sem noção da falta que faz o seu olhar
E é você quem faz o meu viver
Quando segue de volta pra casa
Um velho sonho sobe a escada da minha morada
E abre os olhos claros e sorri pra mim
Seus passos são compassos da minha balada
E eu sei
Que é assim
Seu lugar é ao lado meu
Até o fim
Um velho sonho sobe a escada da minha morada
E abre os olhos claros e sorri pra mim
Seus passos são compassos da minha balada
E eu sei
Que é assim
Seu lugar é ao lado meu
Um velho sonho sobe a escada da minha morada
E abre os olhos claros e sorri pra mim
Seus passos são compassos da minha balada
E eu sei
Que é assim
Seu lugar é ao lado meu
Até o fim.

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