CAPÍTULO 6.
Luana havia conseguido o que queria; fazer Luiza sofrer. Ela sempre teve muita inveja de Luiza, pois a amiga sempre teve uma base familiar muito forte, os valores morais foram bem empregados pelos pais de Luiza em sua educação. Isso magoava Luana, que nunca havia tido uma família de verdade, sempre humilhada pelo pai, sofria com a perda prematura de sua mãe. Desde criança ela queria ser como Luiza, morar na casa da Luiza, ter a família da Luiza, poder ser amada como Luiza era amada.
Todos esses sentimentos ruins tornaram-se uma obsessão, que só aumentava ao longo dos anos. Era calculista, capaz de tudo para conseguir o que tanto queria e não media esforços. Suas artimanhas eram planejadas a finco, modeladas com muito ódio e rancor. Em seu coração predominava a amargura. Mas Luana desejava apenas ser amada; ter direito a uma família, um lar e uma vida descente. Um direito constitucional de todo cidadão.
- Oi gente? Como foi o final de semana?
- Oi Luana! – Falou Karina
- Nossa! Hoje você tá mais gata do que nunca. Anda fazendo o que em Luana? – Disse Rogério, sempre tentando abocanhar de todos os lados.
- Somente cuidando do que é meu e fazendo justiça com as próprias mãos, é claro!
- Que saúde, viu? – Rogério falava, devorando-a com os olhos.
- Pois é! Pena que essa gata aqui, já tenha um dono. – Luana esboçava um tom de cinismo elevado.
- É quem é o sortudo amiga? – Karina como sempre preocupada com as fofocas.
- Em breve a escola inteira saberá. Será o acontecimento do ano, aguardem!
- O que a Luana está aprontando dessa vez? – Guilherme falava vindo em direção do outro lado do pátio principal da Escola Francisco Mourão.
- Eu? Mas que imagem ruim você tem de mim, Gui!
- Experiência própria...
- Pode parar com esse ciuminho bobo Guilherme. Desse corpinho aqui – passando a mão sob os seios, de uma forma voraz – Você nunca terá nada. Não sou mulher de me envolver com garotinhos insossos como você...
- Se deu mal garanhão! – Rogério gargalhava com muita vontade
- Então é assim, Luana? Você não tem o direito de me usar!
- Te usar? Cala essa boca, garoto! Você só está piorando sua imagem. Daqui a pouco vão sair dizendo por aí que você é gay.
Guilherme ficou completamente constrangido com as insinuações de Luana e preferiu calar-se. Enquanto isso Luana e Karina destilavam todo o seu veneno sobre todos que estudavam no Francisco Mourão.
- Essa escolinha medíocre está cada vez pior. Todo dia aparece uma marmota diferente, como essa “sapatão” ridícula... Olha essa roupa... E esse cabelo? Tudo bem ela gostar de meninas, mas precisa se vestir como um homem? Tosca!
- Amiga você é terrível! – Karina deitava-se no chão de tanto rir dos comentários de Luana – Olha esse outro – Karina agora apontava para um garoto magro que usava roupas bem justas e coloridas – Seguidor fiel dos “Gaystarts”. Não há criatura mais horrenda nesse mundo! – De repente Karina sobe em um banco no corredor entre as salas do Francisco Mourão e começa a gritar – Quando eu for presidenta desta bosta de país, eu vou extinguir todos esses homossexuais ridículos. Isso é uma má influência a moral e aos bons costumes.
Karina era ovacionada pela grande maioria dos alunos daquela escola, que aplaudiam e gritavam seu nome com certa eloqüência e Luana só ria por ter influenciado a amiga a instaurar o preconceito entre os alunos, causando uma verdadeira confusão. Tudo o que ela mais queria era tirar toda a atenção da escola, para que sua relação com Vinícius não viesse à tona, já que o afastamento dele com a Luiza era um dos assuntos mais comentados daquela semana e ela precisava de tempo para elaborar sua próxima tática.
- Luana, o que é que está acontecendo aqui?
- É essa louca da Karina que tá zoando os homossexuais aqui do colégio, armando uma confusão geral. Achei ridícula essa atitude dela, tanto que me afastei...
- Nossa! Não sabia que a Karina tinha tanto preconceito assim. – Falava Luiza um pouco assustada.
- Ah Luiza, todos nós temos, inclusive você. Só que preferimos esconder e fingir que aceitamos. Mas basta acontecer um caso de homossexualismo próximo a nós, para poder vermos o preconceito brotar.
- Claro que não! Tenho minhas convicções e sigo-as fielmente, mas ainda bem que você não estava nesse meio. Se existe uma coisa que eu não suporto é preconceito!
- Obvio que não, amiga, você sabe que eu sou totalmente a favor da diversidade cultural – Luana soltava alguns risinhos irônicos que Luiza não chegava a perceber.
- Eu sei! Você é umas das pessoas mais sensatas que conheço.
- E você a mais tola da face da terra – Pensou Luana.

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