CAPÍTULO 4.
- Então quer dizer que você conversou com ele? – Indagou Luana, impressionada.
- Eu não podia deixar que o Vinícius achasse que um dia poderíamos ficar juntos. Eu sei o quanto você gosta dele e não sou eu quem vai atrapalhar a relação de vocês. – Disse Luiza, com os olhos cheios de lágrimas.
- Luiza – Luana abraçou a amiga – Nem sei o que te falar, você é a melhor amiga que eu poderia ter – Luana sorria cinicamente pelas costas de Luiza.
- Eu fiz o que achava certo!
- Acho que não mereço ter uma amiga como você. – Ameaçou iniciar um choro.
- Imagina, somos amigas há tanto tempo... Você é como uma irmã pra mim, meu dever é zelar pela sua felicidade. – Luiza dá um beijo na testa de Luana.
Os destinos de Vinícius e Luiza tomaram rumos completamente diferentes. A desilusão daquela relação amistosa se tornou motivo para separar um casal que se amava. Uma nova relação foi imposta entre o “casal” que se obrigava a manter distância. Os sentimentos bons que Luiza tinha por Vinícius foram desfalecendo, dando lugar para o rancor e a amargura. Começava a surgir uma nova mulher, fria e determinada, que não se deixaria abalar por uma paixão de adolescência ou isso era mais uma tentativa de se proteger das ilusões amorosas.
- LUANA, LUANA! – Gritava Marcos, da sala de estar.
- Senhor, meu pai? – Falou Luana, com a cabeça baixa, temendo o que aconteceria ali.
- Cadê o meu almoço?
- Eu não tive tempo de fazer, acabei de chegar da escola.
- Sua ordinária! Não tem pena do seu pai? Eu passo o dia trabalhando, chego em casa e não tem um prato de arroz cozido pra comer?
- Não se preocupe papai, eu posso fazer agora! – Disse Luana, aos prantos.
- Cale essa sua boca suja! Perdi até a fome com tanta insolência. Sua única obrigação nessa vida é cuidar de mim e nem isso você sabe fazer. É pior que sua mãe, aquela vadia...
- Não fala assim da minha mãe. – Disse Luana em um tom ameaçador.
- Eu falo como quiser! Você é uma vaca, pior que ela. Vai pegar uma cerveja pra mim e vê se para de choramingar.
Luana com o olhar vazio vai em direção a cozinha, sem conseguir controlar o choro. Não por passividade ou medo, mas por ódio. Ódio daquele pai alcoólatra, ódio daquela casa imunda e velha, ódio de sua própria vida. Desde que sua mãe morrera aquela casa nunca foi a mesma, seu pai cada vez mais se afundava na bebida e descontava toda sua raiva em Luana, a única lembrança que tinha da mulher.
- Eu juro, em nome da minha mãe, que vou me vingar de tudo o que esse homem já me fez. Vou destruir cada gota de sangue que percorre seu corpo e arrancar a vida de suas entranhas – Pensou Luana ao abrir uma cerveja e cuspir dentro da garrafa. – Só vou sentir-me livre quando conseguir roubar o seu último suspiro.
Não havia como fugir, essa era a sina de Luana, esse era o seu destino, essa era sua vidinha “medíocre”. Será esse o motivo que origina os atos maldosos de Luana ou ela simplesmente sente prazer em atormentar a vida das pessoas? Não, o único prazer de Luana é ver Luiza numa situação pior a que ela vive. A força que move Luana é superior a qualquer outro tipo de redenção divina.
Rancor, mágoa, miséria, descaso... Qual seria o verdadeiro sentimento que move Luana? – Aqui se faz aqui se paga! – Esse ditado popular se encaixa bem na filosofia de vida de Luana. Será que a vingança é a única solução para resolver todos os problemas que possuímos? Porque não... Se nos fizeram sofrer, temos o direito de fazer com que sofram da mesma forma ou até pior. Saudações aos vingativos de plantão.

Sabe a impressão que se tem desse capítulo?
ResponderExcluirque o pai dela pode até ter abusado sexualmente da Luana... Por causa dessa passagem: " e descontava toda sua raiva em Luana, a única lembrança que tinha da mulher." [Tenso!]
(Larissa Sales)