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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 8.


Os dias no Francisco Mourão estavam cada vez mais agitados, tudo parecia estar acontecendo ao mesmo tempo. O ar ainda estava pesado, depois da onda de preconceito gerada por Luana, mas com a calma e a paciência da diretora Rita, tudo estava voltando ao normal, exceto por um motivo.

- Ah Luana, tenho tanta coisa pra te falar, amiga! A festa na casa da Lili foi perfeita, peguei tantos gatinhos, um mais lindo que o outro. Mas eu não... – Dizia Karina super animada.
- Beleza, outra hora você me conta! – Disse Luana se esquivando das “confissões de uma adolescente em crise”.
- Nossa! Que bicho te mordeu? Aconteceu alguma coisa?
- A mesma de sempre, eu não tenho paz com aquele porco do meu “papai”. Preciso sair daquela casa! – Luana andava de um lado a outro, demonstrando fúria ao arquitetar algo contra o seu pai.
- E porque não sai?
- Porque não tenho dinheiro? Não seja burra! Aquele velho só bebe, nem pra trazer dinheiro pra casa... Vivo numa miséria descomunal e ainda tenho que respeitá-lo para não se agredida.
- Oras! Vem morar comigo amiga, lá em casa tem um quarto de hospedes maravilhoso e todos te adoram por lá!
- Eu não quero viver de favor pelo resto da minha vida. Preciso de segurança, estabilidade. Sou uma rainha, não posso continuar a viver em um chiqueiro. – Falava Luana com repudia na voz.
- Ai amiga, tem calma tudo vai se resolver! Você está precisando é de um homem... Rico, bonito e poderoso para bancar a vida dos teus sonhos.
- Eu não vivo de migalhas... Não vou passar a minha juventude esperando que um velho morra para poder me apossar de sua herança. Em breve terei tudo o que mais desejo, serei uma mulher poderosa e há de quem ousar cruzar o meu caminho.
- Você me dá medo, Luana!
- Não tenha querida. Se você fizer por onde, nunca sofrerá as conseqüências de uma traição... Caso me traia – Ergueu-se Luana, num tom prepotente e superior – pode preparar-se para saber como é a vida no inferno! – Luana pega a palma da mão de Karina – Eu mesma faço questão de arrancar dedo por dedo desta sua mãozinha macia – Os risos maléficos de Luana ecoavam pelos corredores gigantescos e vazios da ala superior, quase inabitável no CFM, aonde Luana sempre ia para movimentar seus planos mais sórdidos.

As idéias da garota estavam começando a se organizar. Primeiro ela precisava focar em Vinícius e Luiza, depois veria o que poderia ser feito para neutralizar o poder que seu pai exercia sobre ela. Tudo precisava ser feito com muita cautela, não poderia haver erros. A vida de Luiza está a um passo de pertencer a Luana, bastava apenas não se precipitar e tomar as decisões acertadamente.

- Rogério? Tudo bom, cara?
- E ai Vini, firmeza? Cara... Precisamos marcar aquela revanche, não é?
- Meu, tu ainda se lembra disso? Aquele racha foi há quase um ano!
- Nunca esqueço uma derrota – Falou Rogério em um tom mais sério e intimidador.
- Só marcar que eu estarei! Não fujo dos desafios... – Vinícius projetou-se de forma mais intimidadora.
- Pode deixar! – Rogério olha ao lado e dá um sorrisinho de canto de boca – É... Vinícius?
- Diz cara!
- Aquela ali não é a Luiza com o primo “sedutor” dela? – Citou Rogério ao tentar armar uma intriga entre Vinícius e Ângelo, pois ele sabia que os dois não se davam bem por causa de Luiza.

Vinícius olhou de relance e assustou-se ao ver que Ângelo estava no CFM conversando de uma forma mais íntima com Luiza.

- Ângelo? O que você está fazendo aqui? – Falou Luiza, assustada!
- Não posso vir buscar minha namorada no colégio? – Ângelo tentava provocá-la com uma voz sedutora.
- Primeiro que eu não sou sua namorada e segundo... – Ângelo tapou a boca de Luiza com o dedo indicador, posicionou-se de fronte a ela e tascou-lhe um beijo, digno de uma novela das 20h. Não havia como fugir, Luiza foi pega de surpresa.

O olhar de Vinícius o traia de uma forma intensa, sem parar de chorar, guiado pela pior imagem que sua retina poderia gravar – “Porque Luiza faz isso com meu coração?” – Vinícius caíra de joelhos ao chão, perante o amor de sua vida aos braços de outro, com o coração sangrando sob suas mãos, imóvel, sem nenhuma reação, juntava-se a dor de perder alguém que nunca possuiu. O amor se tornou a pior doença que alguém poderia contrair. Amar tornou-se sofrer e aquela imagem o torturava.





O Seu Lugar

Seu Cuca

Composição: James Lima
Assim que você encontrar o seu lugar
Guarde embaixo do solo suas mágoas
E deixe secar as velhas lágrimas sem dó
Só o tempo desfaz suas marcas

Ver você
Assim
Sem noção da falta que faz o seu olhar
E é você quem faz o meu viver
Quando segue de volta pra casa

Um velho sonho sobe a escada da minha morada
E abre os olhos claros e sorri pra mim
Seus passos são compassos da minha balada
E eu sei
Que é assim
Seu lugar é ao lado meu
Até o fim

Cê' vai me torturar assim?
Pra que jogar
Se eu já decorei suas cartas
Me deixe mostrar o meu retrato sobre o seu
Pra revelar onde estão minhas falhas

Ver você
Assim
Sem noção da falta que faz o seu olhar
E é você quem faz o meu viver
Quando segue de volta pra casa

Um velho sonho sobe a escada da minha morada
E abre os olhos claros e sorri pra mim
Seus passos são compassos da minha balada
E eu sei
Que é assim
Seu lugar é ao lado meu
Até o fim

Um velho sonho sobe a escada da minha morada
E abre os olhos claros e sorri pra mim
Seus passos são compassos da minha balada
E eu sei
Que é assim
Seu lugar é ao lado meu

Um velho sonho sobe a escada da minha morada
E abre os olhos claros e sorri pra mim
Seus passos são compassos da minha balada
E eu sei
Que é assim
Seu lugar é ao lado meu
Até o fim.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 7.


- Oi! Será que a gente poderia conversar?
- Já pedi pra você não me dirigir a palavra! – Falou Luiza se esquivando de Vinícius.
- Eu sei, mas eu te peço, por favor, me dá mais uma chance de te mostrar o quanto eu te amo.
- Desculpa Vinícius, mas entre nós não vai acontecer nada, por mais que isso me doa, por mais que eu goste de você, não dá!
- Já que você não me quer como homem, será podíamos ser pelo menos amigos? Eu gostava tanto da sua amizade...
- Eu também, eu te amo tanto, mas tanta coisa impede a gente de ficar juntos.
- Nada nos impede, basta você quer!
- Não é tão simples assim...
- É! Querer é poder, se você gostasse mesmo de mim, esqueceria tudo o que passou e viveria o presente ao meu lado, me amando e sendo amada.
- Você não é capaz de entender...
- Então me deixa entender? Me deixa participar da sua vida, me deixa eu te amar?

Luiza corre para os braços de Vinícius e começa a chorar; ele a envolve com um abraço, uma troca de sentimentos, uma união, um afago da dor. Pois um só indivíduo acabara de ser formado ali, dentro daquela escola.  E nesse abraço eles eram somente um casal de adolescentes que estavam aprendendo a amar e descobrir juntos, as desilusões do amor.

- Eu sou capaz de tudo por você, eu vou até o fim do mundo se for preciso, mas sem você, eu não vivo. – Desabafou Vinícius
- Mas nesse momento, você só pode ter a minha amizade – Luiza soltava-se daquele abraço aconchegante que tanto lhe fez bem.
- Tudo bem, eu aceito. Só de ter você perto de mim, já me dá ânimo para viver e lutar pelo nosso amor.

 Quem nunca amou nessa vida? Mesmo que tenha sido um amor platônico, todos nós já nos apaixonamos. Pessoas apaixonadas cometem erros, são cegas, mas fazem tudo para ter a pessoa amada. Nada mais justo que viver intensamente uma paixão, tão linda, tão inocente e pura. Porque não se dar um chance? Precisamos nos libertar de tudo o que impeça a existência desse sentimento primitivo, mas tão intenso e voraz, que desperta as mais lindas e prazerosas sensações. O amor seja ele da forma que for é sempre motivo de comemoração. Um brinde a todos que um dia ousaram acender uma fagulha de amor em corações alados.

- Eu não já mandei você limpar essa casa direito, Luana?
- Eu estou limpando, mas com o Senhor pisando com os pés sujos, não tem nem como manter a casa limpa – Desabafa Luana.
- Não estou perguntando como fazer, estou mandando você fazer!
- Tudo bem, eu já estou terminando...
- Não, não está! – Marcos derruba um copo de cerveja no chão, sujando tudo o que Luana havia limpado – Acho que a sala ainda continua suja.
- Porque você faz isso comigo? Porque, só me diz isso?
- Porque você não presta! Você é uma garota má e pessoas ruins merecem sofrer. Não tem como driblar a genética, né? Filha de vadia, vadia será...
- Você amava minha mãe – Chorava Luana.
- Amei, até descobrir quem ela era. Nosso amor se acabou no dia em que você nasceu. Você só veio para atrapalhar a minha vida, destruir tudo de bom que sua mãe e eu havíamos construído. – Marcos pigarreia e cospe no chão.
- Eu... Eu...
- Você? – Risos – Cala essa sua boca que é melhor! E limpa isso direito, pois o preguiçoso trabalha em dobro – Marcos espalha as cinzas que estavam no cinzeiro, sob uma mesinha de centro, na sala de estar.
- Eu não posso limpar tudo isso agora! Preciso terminar de me arrumar. Vou a uma festinha de uma ami...
- Ir a uma festa? Ponha-se em seu lugar! Olha pra você, nem roupa pra sair tem, não sabe se portar, não tem educação. É idêntica a mãe! Eu transformei a sua mãe em uma dama da sociedade cearense. E o que ela fez para me agradecer? Me deu você, o pior castigo que alguém poderia ter...
- Eu te odeio, com todas as minhas forças. Seu porco! – Gritava Luana, afrontando seu pai, que se levantou da poltrona que estava e segurou o seu rosto com muita força.
- Lave essa sua boca imunda, agora! – Marcos deu um tapa na cara de Luana, que caiu no chão pelo impacto – E depois... Vá para o seu quarto e só saia de lá quando eu mandar! Sua vagabunda.



Amar e ser amado. É isso que importa!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 6.



Luana havia conseguido o que queria; fazer Luiza sofrer. Ela sempre teve muita inveja de Luiza, pois a amiga sempre teve uma base familiar muito forte, os valores morais foram bem empregados pelos pais de Luiza em sua educação. Isso magoava Luana, que nunca havia tido uma família de verdade, sempre humilhada pelo pai, sofria com a perda prematura de sua mãe. Desde criança ela queria ser como Luiza, morar na casa da Luiza, ter a família da Luiza, poder ser amada como Luiza era amada.

Todos esses sentimentos ruins tornaram-se uma obsessão, que só aumentava ao longo dos anos. Era calculista, capaz de tudo para conseguir o que tanto queria e não media esforços. Suas artimanhas eram planejadas a finco, modeladas com muito ódio e rancor. Em seu coração predominava a amargura. Mas Luana desejava apenas ser amada; ter direito a uma família, um lar e uma vida descente. Um direito constitucional de todo cidadão.

- Oi gente? Como foi o final de semana?
- Oi Luana! – Falou Karina
- Nossa! Hoje você tá mais gata do que nunca. Anda fazendo o que em Luana? – Disse Rogério, sempre tentando abocanhar de todos os lados.
- Somente cuidando do que é meu e fazendo justiça com as próprias mãos, é claro!
- Que saúde, viu? – Rogério falava, devorando-a com os olhos.
- Pois é! Pena que essa gata aqui, já tenha um dono. – Luana esboçava um tom de cinismo elevado.
- É quem é o sortudo amiga? – Karina como sempre preocupada com as fofocas.
- Em breve a escola inteira saberá. Será o acontecimento do ano, aguardem!
- O que a Luana está aprontando dessa vez? – Guilherme falava vindo em direção do outro lado do pátio principal da Escola Francisco Mourão.
- Eu? Mas que imagem ruim você tem de mim, Gui!
- Experiência própria...
- Pode parar com esse ciuminho bobo Guilherme. Desse corpinho aqui – passando a mão sob os seios, de uma forma voraz – Você nunca terá nada. Não sou mulher de me envolver com garotinhos insossos como você...
- Se deu mal garanhão! – Rogério gargalhava com muita vontade
- Então é assim, Luana? Você não tem o direito de me usar!
- Te usar? Cala essa boca, garoto! Você só está piorando sua imagem. Daqui a pouco vão sair dizendo por aí que você é gay.

Guilherme ficou completamente constrangido com as insinuações de Luana e preferiu calar-se. Enquanto isso Luana e Karina destilavam todo o seu veneno sobre todos que estudavam no Francisco Mourão.

- Essa escolinha medíocre está cada vez pior. Todo dia aparece uma marmota diferente, como essa “sapatão” ridícula... Olha essa roupa... E esse cabelo? Tudo bem ela gostar de meninas, mas precisa se vestir como um homem? Tosca!
- Amiga você é terrível! – Karina deitava-se no chão de tanto rir dos comentários de Luana – Olha esse outro – Karina agora apontava para um garoto magro que usava roupas bem justas e coloridas – Seguidor fiel dos “Gaystarts”. Não há criatura mais horrenda nesse mundo! – De repente Karina sobe em um banco no corredor entre as salas do Francisco Mourão e começa a gritar – Quando eu for presidenta desta bosta de país, eu vou extinguir todos esses homossexuais ridículos. Isso é uma má influência a moral e aos bons costumes.

Karina era ovacionada pela grande maioria dos alunos daquela escola, que aplaudiam e gritavam seu nome com certa eloqüência e Luana só ria por ter influenciado a amiga a instaurar o preconceito entre os alunos, causando uma verdadeira confusão. Tudo o que ela mais queria era tirar toda a atenção da escola, para que sua relação com Vinícius não viesse à tona, já que o afastamento dele com a Luiza era um dos assuntos mais comentados daquela semana e ela precisava de tempo para elaborar sua próxima tática.

- Luana, o que é que está acontecendo aqui?
- É essa louca da Karina que tá zoando os homossexuais aqui do colégio, armando uma confusão geral. Achei ridícula essa atitude dela, tanto que me afastei...
- Nossa! Não sabia que a Karina tinha tanto preconceito assim. – Falava Luiza um pouco assustada.
- Ah Luiza, todos nós temos, inclusive você. Só que preferimos esconder e fingir que aceitamos. Mas basta acontecer um caso de homossexualismo próximo a nós, para poder vermos o preconceito brotar.
- Claro que não! Tenho minhas convicções e sigo-as fielmente, mas ainda bem que você não estava nesse meio. Se existe uma coisa que eu não suporto é preconceito!
- Obvio que não, amiga, você sabe que eu sou totalmente a favor da diversidade cultural – Luana soltava alguns risinhos irônicos que Luiza não chegava a perceber.
- Eu sei! Você é umas das pessoas mais sensatas que conheço.
- E você a mais tola da face da terra – Pensou Luana.



 Ninguém é realmente digno de inveja, e tantos são dignos de lástima!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 5.



- Vinícius? Nossa! Quem é vivo sempre aparece... Desde que voltamos das férias nunca mais havia te encontrado.
- É Cadu, a vida anda muito corrida. São tantos problemas que você nem pode imaginar.
- Nem me fale em problemas... Na minha casa as coisas só pioram a cada dia, minha mãe tá cada vez pior, não sei mais o que fazer!
- Mas eu pensei que aquelas neuras da tia Cássia já tivessem passado, pensei que fosse algo momentâneo.
- Nós também pensávamos! Mas vamos mudar de assunto... O que anda acontecendo na tua vida pra te deixar assim, tão pra baixo?
- Ah, é a Luiza!
- Sempre a Luiza, já conseguiu se declarar?Já sei! Ela te deu um fora, acertei?
- Nem quando eu to mal você deixa de tirar um sarro comigo, né?
- Você sabe que mora aqui – Cadu bate forte no peito – Você é um grande irmão, cara. Não se deixa abater, segue em frente. Errar é humano, mas é necessário aprender com os nossos erros, eu sou a prova viva disso.
- Te amo muito cara, você é o irmão que nunca tive.
- Conta sempre comigo, irmão. Mesmo distantes, seremos sempre bons e grandes amigos.
- Claro, nossa amizade foi construída sob muita sinceridade, confiança e lealdade.
- É isso aí! Fica com Deus brother. Agora eu preciso ir, tenho que ver como está a minha mãe.

Nas horas difíceis é sempre bom poder contar com um amigo de verdade, alguém que saiba te aconselhar com sensatez e ajudar a encontrar um novo rumo. Era disso que Vinícius precisava; um novo rumo. Luana havia destruído toda e qualquer chance dele ser feliz ao lado de Luiza, tudo parecia estar de cabeça pra baixo, nada mais fazia sentido. Ele havia se declarado e ela negado o seu amor, por acreditar e confiar nas mentiras contadas por uma falsa amiga. As amizades podem ser mais destrutivas do que qualquer outra relação amorosa, confiar demais pode ajudar e ao mesmo tempo atrapalhar.

Cadu era um grande amigo de infância de Vinícius, os dois eram como irmãos, já que suas mães também eram grandes amigas (Cadu tinha traços bem marcantes e rústicos, que elevavam sua virilidade masculina. Possuía olhos e cabelos castanhos bem escuros, completado por um corpo atlético de dar inveja a qualquer marmanjo). Mas a vida de Cadu não estava melhor do que a de Vinícius. Seus conflitos eram bem mais complexos e exigiam muita maturidade para um simples adolescente.

- Quem é? – Assustou-se – Eu sei o que você quer... Saí da minha casa agora! Eu vou chamar a polícia, to avisando... – Disse Cássia, atrás da porta da sala de estar.
- Mãe, para com isso, abre essa porta, sou eu, Cadu.
- Você tá querendo me enganar, meu filho está na escola – Respirou bem fundo e começou a chorar – Eu não tenho nada, nossa família é bem simples, não possuímos nada de valor pra você roubar.
- Mãe, sou eu, acabei de chegar... – Cadu tentava controlá-la.
- Prove! – Gritava Cássia.
- Mãe... Tá vai, abre pra mim que eu prometo fazer aquela torta de brigadeiro que a Senhora ama...
- Cadu? Meu filhinho... Eu estava com tanto medo! – Falou Cássia ao abrir a porta
- Calma mamãe, eu estou aqui, tá bom? Nada vai te acontecer.
- Mas eu tenho medo! Esses assaltantes ficam só esperando a hora certa para nos atacar. Ninguém sabe o que vai encontrar ao sair de casa, não podemos correr o risco de ser atacados por esses ladrões e traficantes.
- Me deixa abrir essa janela, aqui tá muito quente... – Falou Cadu levantando-se para abrir a Janela que estava bloqueada com várias cadeiras.
- Não! Por favor, assim eu me sinto mais segura, com tudo trancado. – Cássia ainda soluçava.
- Tudo bem, agora vamos, precisamos fazer uma deliciosa torta de brigadeiro. – Falou Cadu ao envolver a mãe nos seus braços, fazendo carinho.



 Nada corrompe corações verdadeiros.


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 4.



- Então quer dizer que você conversou com ele? – Indagou Luana, impressionada.
- Eu não podia deixar que o Vinícius achasse que um dia poderíamos ficar juntos. Eu sei o quanto você gosta dele e não sou eu quem vai atrapalhar a relação de vocês. – Disse Luiza, com os olhos cheios de lágrimas.
- Luiza – Luana abraçou a amiga – Nem sei o que te falar, você é a melhor amiga que eu poderia ter – Luana sorria cinicamente pelas costas de Luiza.
- Eu fiz o que achava certo!
- Acho que não mereço ter uma amiga como você.  – Ameaçou iniciar um choro.
- Imagina, somos amigas há tanto tempo... Você é como uma irmã pra mim, meu dever é zelar pela sua felicidade. – Luiza dá um beijo na testa de Luana.

Os destinos de Vinícius e Luiza tomaram rumos completamente diferentes. A desilusão daquela relação amistosa se tornou motivo para separar um casal que se amava. Uma nova relação foi imposta entre o “casal” que se obrigava a manter distância. Os sentimentos bons que Luiza tinha por Vinícius foram desfalecendo, dando lugar para o rancor e a amargura. Começava a surgir uma nova mulher, fria e determinada, que não se deixaria abalar por uma paixão de adolescência ou isso era mais uma tentativa de se proteger das ilusões amorosas.

- LUANA, LUANA! – Gritava Marcos, da sala de estar.
- Senhor, meu pai? – Falou Luana, com a cabeça baixa, temendo o que aconteceria ali.
- Cadê o meu almoço?
- Eu não tive tempo de fazer, acabei de chegar da escola.
- Sua ordinária! Não tem pena do seu pai? Eu passo o dia trabalhando, chego em casa e não tem um prato de arroz cozido pra comer?
- Não se preocupe papai, eu posso fazer agora! – Disse Luana, aos prantos.
- Cale essa sua boca suja! Perdi até a fome com tanta insolência. Sua única obrigação nessa vida é cuidar de mim e nem isso você sabe fazer. É pior que sua mãe, aquela vadia...
- Não fala assim da minha mãe. – Disse Luana em um tom ameaçador.
- Eu falo como quiser! Você é uma vaca, pior que ela. Vai pegar uma cerveja pra mim e vê se para de choramingar.

Luana com o olhar vazio vai em direção a cozinha, sem conseguir controlar o choro. Não por passividade ou medo, mas por ódio. Ódio daquele pai alcoólatra, ódio daquela casa imunda e velha, ódio de sua própria vida. Desde que sua mãe morrera aquela casa nunca foi a mesma, seu pai cada vez mais se afundava na bebida e descontava toda sua raiva em Luana, a única lembrança que tinha da mulher.

- Eu juro, em nome da minha mãe, que vou me vingar de tudo o que esse homem já me fez. Vou destruir cada gota de sangue que percorre seu corpo e arrancar a vida de suas entranhas – Pensou Luana ao abrir uma cerveja e cuspir dentro da garrafa. – Só vou sentir-me livre quando conseguir roubar o seu último suspiro.

Não havia como fugir, essa era a sina de Luana, esse era o seu destino, essa era sua vidinha “medíocre”. Será esse o motivo que origina os atos maldosos de Luana ou ela simplesmente sente prazer em atormentar a vida das pessoas? Não, o único prazer de Luana é ver Luiza numa situação pior a que ela vive. A força que move Luana é superior a qualquer outro tipo de redenção divina.

Rancor, mágoa, miséria, descaso... Qual seria o verdadeiro sentimento que move Luana? – Aqui se faz aqui se paga! – Esse ditado popular se encaixa bem na filosofia de vida de Luana. Será que a vingança é a única solução para resolver todos os problemas que possuímos? Porque não... Se nos fizeram sofrer, temos o direito de fazer com que sofram da mesma forma ou até pior. Saudações aos vingativos de plantão.


                                   

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.


CAPÍTULO 3.




- É... Vinícius? – Indagou Luiza com a voz embargada – Será que a gente poderia conversar?
- Cla... Claro, Luiza! Nossa, nem acredito que você...
- Vinícius, a gente precisa conversar pessoalmente. Me encontra ás 11: 00h na praça de alimentação do Iguatemi?
- Lógico! Luiza, eu queria que você me perdoasse... – Sua fala foi interrompida pelo telefone desligado, no outro lado da linha.

Sem saber o que fazer, Vinícius trancou-se no banheiro, ligou o chuveiro e sentou-se ao chão, deixando com que a água que caia lavasse toda a sua alma. Nem ele mesmo entendia o motivo de tamanho desespero. Luiza podia não ter nada haver com sua vida sexual, mas na sentimental, era ela quem dominava e prevalecia em todos os seus mais profundos pensamentos.

A dor de saber que a pessoa na qual amamos, está sofrendo por nossa culpa, fere mais do que uma tentativa de acabar-se consigo mesmo. Era evidente que Luiza também sentia alguma coisa por Vinícius, além de uma pura amizade, mas a insegurança dessa relação permanecia sobre os sentimentos presos ao coração. Paixão, amor, relação conjugal com o melhor amigo tem chances de dar certo? Não existem muitos exemplos bons para seguir, mas tudo é possível. Mas parece que as desilusões já estão sendo vividas antes mesmo de iniciar-se uma relação propriamente dita.

- Que bom que você veio – Disse Luiza ao sentar-se ao lado de Vinícius na “Subway”.
- Já estou aqui há quase meia hora, não consegui agüentar a ansiedade.
- Engraçado!
- Por quê? – Disse Vinícius confuso.
- Você ansioso para me ver, mas indo pra cama com minha melhor amiga.
- Você não sabe o que diz, aquela garota é uma vadia.
- Sei muito bem quem ela é, mas se ela transou com você foi porque houve algum tipo de liberdade da sua parte.
- Eu... Eu estava bêbado.
- Não quero saber de suas desculpas, nós não temos nada um com o outro. Mas eu, sinceramente, achava que você confiasse mais em mim e tivesse pelo menos me dito que estava gostando da Luana. – Luiza estava embaraçada com a situação.
- Luiza, eu gosto de você.
- Eu também gosto muito de você, Vinícius. Você é, ou era o meu melhor amigo.
- Você não entendeu! Eu gosto de você, não como um simples amigo, mas como um homem apaixonado.
- Apaixonado por mim? Não consigo te entender, juro que não... Você fica com a Luana, mas gosta de mim?
- Eu aceitei sair com a Luana porque você me disse ao telefone que ia sair com  Ângelo. Eu sei que ele gosta de você e sei também que você sente algo por ele.
- Eu não suporto o Ângelo, eu apenas o aceito, em favor a minha tia, que está à beira da morte.
- Então quer dizer que eu tenho alguma chance contigo?
- Tinha! Ao contrário de você, eu não traio os meus amigos. A Luana está apaixonada por você.
- Mas eu não estou. O que aconteceu entre nós foi só sexo, eu não sinto nada por ela – Disse Vinícius aos prantos. – Diz que me aceita, por favor?
- Garoto, você é ridículo.

Se antes os dois já estavam mal, com toda essa discussão, ficaram completamente destruídos. Não tinha jeito, Luiza não queria mais saber de Vinícius e ele tinha certeza de que era o único culpado pelo o que estava acontecendo. A vida é repleta de armadilhas, algumas nos abalam fortemente, outras nos ajudam a crescer como seres humanos, superando as desilusões e auxiliando na forma com que podemos melhorar as nossas ações. Existe algum êxito para o ato de amar com demasia e não poder usufruir desse sentimento? Não há... É necessário sofrer por amor, faz parte da doce ilusão de viver.

Nesse jogo não há vencedores e Luana ainda irá sofrer muito com esses seus atos, mas por enquanto porque não acabar com a vida de quem a gente mais odeia? É como dizem; Cada um tem o que merece nessa vida. Se você faz por onde, com certeza será agraciado por seus atos humanísticos. Mas será que Luana acredita em salvação divina? E você? Sua fé é capaz de sustentar seu espírito diante das desilusões da vida? Eis é mais uma grande questão a desvendar-se. Enquanto não acontece o juízo final, saboreiem o doce sabor da vingança.




Estranho Jeito de Amar

Sandy e Junior

Composição: Tatiana Parra/Junior Lima/Otávio de Moraes
Quanta bobagem
Tudo o que se falou
Me olho no espelho
E já nem sei mais quem sou
Quanto talento
Pra discutir em vão
Será tão frágil
Nossa ligação
Não tem que ser assim
Tanto desencontro, mágoa e dor
Pra que que a gente tem que
Se arriscar
Então volta pra mim
Deixa o tempo curar
Esse estranho jeito de amar
Falsas promessas
Erros tão banais
Mas ninguém cede
Nem pensa em voltar atrás
Não tem que ser assim
Tanto desencontro, mágoa e dor
Pra que que a gente tem que
Se arriscar
Então volta pra mim
Deixa o tempo curar
Esse estranho jeito de amar
Esquece esse jogo
Não há vencedor
O mesmo roteiro
De sempre cansou
Vou te amando
E me frustrando
E sobrevivendo
Por um fio
Mas tô aqui
Sem desistir
Volta pra mim
Não tem que ser assim
Tanto desencontro, mágoa e dor
Pra que que a gente tem que
Se arriscar
Então volta pra mim
Deixa o tempo curar
Esse estranho jeito de amar
Não tem que ser assim
Tanto desencontro, mágoa e dor
Se é bem melhor
A gente se entregar
Então volta pra mim
Deixa o tempo curar
Esse estranho jeito de amar.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 2




- Alô? D. Marta será que eu poderia falar com a Luiza? – Perguntou Vinícius
- Olha Vinícius, a Luiza passou muito mal hoje no colégio, chegou aqui chorando e até agora não saiu do quarto.
- Mas... Mas o que aconteceu? – Vinícius fala assustado.
- Eu ia te perguntar a mesma coisa! Desde que ela chegou em casa, não fala em outro nome se não o seu.
- O meu? – Vinícius pensa um pouco – NÃO! Ela não pode ter feito isso, ela não teria coragem – Gritou Vinícius, desesperado ao telefone.
- Ela quem meu filho?
- Não, nada D. Marta! Depois eu passo aí, tá certo? Beijo.

Vinícius estava completamente descontrolado. Ele agora sabia o porquê de não ter visto Luiza hoje, no colégio. Ele começou a discar um número em seu celular, mas estava sempre fora de área.
“Aquela desgraçada da Luana me paga! Ela me prometeu que nunca contaria nada do que aconteceu a ninguém, principalmente a Luiza. Mas isso não vai ficar assim, vou resolver essa história agora”.

- Abre essa porta imediatamente, garota! – Gritava Vinícius no quarto de Luana – Vou contar até três... 1, 2...
- O que foi? Veio provar um pouco mais do que te deu prazer, na noite passada? – Disse Luana em um tom irônico, ao abrir a porta de seu quarto.
- Você sabe muito bem que não! Como você teve coragem de contar para a Luiza que nós passamos a noite juntos?
-Não vejo problema algum nisso, você é livre e desimpedido, pode fazer o que quiser da vida.
- É, mas você sabe muito bem que é a Luiza quem eu amo.
- Se amasse não teria transado comigo.
- Eu só transei com você porque estava bêbado e não tinha noção do que tava fazendo...
- Você é um covarde! Não tem coragem de assumir que gosta dela, vem dormir comigo pra tentar e esquecê-la e depois colocar a culpa de tudo na bebida. Não seja hipócrita...
- Você não presta! Você é insensível, sem coração, sabia que eu estava debilitado e mesmo assim aceitou transar comigo.
- Tenha a santa paciência! Eu não tenho vocação para ser babá de marmanjo alcoólatra. E quer saber do que mais, saí da minha casa, agora!
- Faço questão! Não quero permanecer nenhum segundo mais ao seu lado.
- Isso é o que nós vamos ver, querido. Você ainda irá rastejar aos meus pés!
- Presunçosa!
- E será num futuro muito próximo, meu amorzinho. Tchau, tchau... - Dizia Luana em um tom irônico, seguido por uma gargalhada maléfica.

Vinícius fitou-a com um ódio tão grande, que se fosse capaz, mataria Luana só com um olhar. “Como ela pôde fazer isso?”, “E agora? Luiza deve estar me achando o maior “galinha” da face da terra”, “Seria mais fácil morrer do que ver o olhar de desprezo da Luiza”... Esses pensamentos pairavam sob a cabeça de Vinícius enquanto ele andava pelas ruas do Centro, desamparado, sem rumo e com muito receio do que poderia vir a acontecer daqui pra frente.

Mas ele precisava encontrar uma maneira de reparar toda aquela confusão. Era Luiza quem ele amava de verdade, só a Luiza. A Luana era um passatempo, sem importância e ele precisava explicar isso ao seu verdadeiro amor. Mas como? Com esses argumentos, era quase impossível convencê-la. Mas ele ia encontrar uma saída, ele precisava encontrar. Era a Luiza que tirava o seu sono, em pensamentos, delírios e sonhos... Um desejo incontrolável, uma paixão comovente e um amor dilacerado. Seu coração sangrava por dentro, toda a tensão e a culpa estavam voltadas a si.

Tudo parecia caótico, obscuro, maléfico. Como alguém é capaz de ser tão baixa e egoísta como a Luana? Como ele, Vinícius, poderia ser tão idiota? Eles são seres humanos e os humanos cometem muitos erros, perdoáveis ou não. Mas ele se arrependera e estava disposto a lutar pelo amor de Luiza e ninguém iria impedi-lo de ser feliz com a mulher que ama. Dizem que perdão é sinônimo de grandeza, será que Luiza, com toda sua pompa, era capaz de perdoar alguém que peca por sofrer de amor? E o amor, por si só, é suficiente para manter uma relação duradoura nos dias atuais?