CAPÍTULO 15
“A intolerância pode surgir representada de várias maneiras no nosso dia-a-dia. É comum sermos intolerantes no trânsito, não respeitando as leis proferidas pela justiça e causando inúmeros acidentes que poderiam ser evitados; Também há intolerância dentro de casa, por parte de familiares que não se respeitam, filhos que não aceitam os pais e famílias desestruturadas. Tudo no Brasil gera intolerância. Hoje, dia 21 de janeiro, é o Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa, data que foi oficializada pela Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva...”
- Professora, aonde a Senhora quer chegar com esse discurso contra a inquisição? – Perguntou Cadu, fazendo piada.
- Pois bem, Carlos Eduardo, era justamente nesse ponto que eu iria chegar, quando fui interrompida pelo Senhor – A professora de história olhava com indiferença para Cadu, fazendo toda a turma rir.
- Agora pronto! Essa daí vai querer dar uma de pastora da Igreja Universal. Eu não suporto essas coisas – Disse Karina, revirando os olhos.
- Bem, como eu ia dizendo, a partir desse tema, vocês irão formar grupos e elaborar uma discussão sobre a Intolerância Religiosa para ser apresentada na Feira Cultural do CFM. O trabalho mais inteligente e criativo ganhará um prêmio surpresa, que será divulgado ao final das apresentações.
- Isso pode ser muito interessante – Disse Luana ao imaginar o que poderia ser feito para detonar o evento.
- Interessante? Só se for pra você que integra a Umbanda, sua macumbeira. Eu não tenho paciência pra essa onda de religião, têm muitas coisas pra pensar e discutir, o meu cérebro não consegue processar tanta informação – Disse Karina, super confusa.
- Deixa de ser burra, Karina! Essa feira vai ser ótima pra botar alguns planos em prática – Luana lançou um olhar para Rogério, que estava amedrontado com o que poderia acontecer nessa feira.
O CFM entrava no seu mês mais movimentado. Além da Feira Cultural, se aproximavam também os jogos do “Campeonato entre Escolas”, onde Vinícius iria jogar com o time de basquete do Francisco Mourão. As meninas estavam super agitadas, muitas desencalhavam nesses eventos e eles, os rapazes, ficam loucos para que chegasse logo, o grande dia do jogo. Os jogadores do time vencedor eram tratados como reis e isso era o sonho de todos que queriam almejar uma boa posição social dentro da instituição.
- Como é que vão os preparativos para o campeonato, Vini?
- Estou muito apreensivo, Cadu. Fazia um tempo que eu havia parado de treinar, voltei agora e não estou conseguindo acompanhar o ritmo.
- Ah cara, aposto que você vai tirar de letra mais essa vitória pro time de basquete do CFM.
- Assim espero! Andei até tomando umas vitaminas pra voltar a velha forma, mas não estão servindo muito. Acho que vou aumentar as doses...
- Vinícius, você sabe que essas coisas são perigosas! Não vá se envolver em encrenca por causa dessas “vitaminas” que você anda ingerindo.
- Relaxa Cadu! Como eu disse, são apenas vitaminas. Mas e você, desistiu da Karina?
- Claro que não! Vamos ao cinema essa noite e depois vamos dar uma esticada em algum barzinho.
- Pelo menos um de nós tem que ter sorte no amor, não é? – Vinícius falou de forma triste.
Luiza parecia estar perdida naquela sala de aula, não tinha nem ao menos anotado as coordenadas da professora de história para a feira cultural. Ela só tinha olhos para Vinícius, que conversava com Cadu, do outro lado da sala. Ela observava cada passo, cada gesto, cada sorriso que Vinícius concedia. Em sua mente só vinha a lembrança do ultimo encontro, no qual ele disse que não haveria mais volta na relação, nem ao menos amizade entre eles poderia existir.
- Porque não vai lá e conversa com ele? Para de ficar só observando! – Disse Luana ao se aproximar de Luiza, arrancando-lhe todos aqueles pensamentos anteriores.
- Eu estou namorando o Ângelo, Luana.
- Sério amiga? – Luana não conseguia esconder a felicidade nos olhos, não por Vinícius estar livre, mas por Luiza estar sofrendo – E você está feliz? – Luana tentava sondar de todos os lados.
- Estou tentando, Luana. Você sabe que é difícil esquecer uma paixão assim, de repente.
- Eu queria poder fazer alguma coisa pra te ajudar, amiga!
- Você pode! Agora o Vinícius está livre e eu ficaria muito feliz se você ficasse com ele. Assim seria bem mais fácil esquecê-lo.
- Mas... O Vinícius não quer saber de mim, ele te ama, só tem olhos para você – Luana baixou a cabeça, fingindo estar chorando, mas apenas debochava do sofrimento de Luiza.
- É... Vamos mudar de assunto? Você sabe como vai ser essa feira cultural? –Luiza evitava mais sofrimento.
- Era justamente sobre isso que eu queria falar com você.
- Então fala, ué!
- Será que eu poderia fazer parte da sua equipe?
- Claro! Eu nem tinha uma equipe e vai ser ótimo, assim você me ajuda porque eu nem prestei atenção na explicação.
- Vai sim... Ser ótimo! – Luana deu um sorriso de vitória – Vamos poder lembrar os velhos tempos, quando éramos as melhores amigas...
"De vez em quando precisamos sacudir a árvore das amizades para caírem as podres".






