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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 15


“A intolerância pode surgir representada de várias maneiras no nosso dia-a-dia. É comum sermos intolerantes no trânsito, não respeitando as leis proferidas pela justiça e causando inúmeros acidentes que poderiam ser evitados; Também há intolerância dentro de casa, por parte de familiares que não se respeitam, filhos que não aceitam os pais e famílias desestruturadas. Tudo no Brasil gera intolerância. Hoje, dia 21 de janeiro, é o Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa, data que foi oficializada pela Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva...”

- Professora, aonde a Senhora quer chegar com esse discurso contra a inquisição? – Perguntou Cadu, fazendo piada.
- Pois bem, Carlos Eduardo, era justamente nesse ponto que eu iria chegar, quando fui interrompida pelo Senhor – A professora de história olhava com indiferença para Cadu, fazendo toda a turma rir.
- Agora pronto! Essa daí vai querer dar uma de pastora da Igreja Universal. Eu não suporto essas coisas – Disse Karina, revirando os olhos.
- Bem, como eu ia dizendo, a partir desse tema, vocês irão formar grupos e elaborar uma discussão sobre a Intolerância Religiosa para ser apresentada na Feira Cultural do CFM. O trabalho mais inteligente e criativo ganhará um prêmio surpresa, que será divulgado ao final das apresentações.
- Isso pode ser muito interessante – Disse Luana ao imaginar o que poderia ser feito para detonar o evento.
- Interessante? Só se for pra você que integra a Umbanda, sua macumbeira. Eu não tenho paciência pra essa onda de religião, têm muitas coisas pra pensar e discutir, o meu cérebro não consegue processar tanta informação – Disse Karina, super confusa.
- Deixa de ser burra, Karina! Essa feira vai ser ótima pra botar alguns planos em prática – Luana lançou um olhar para Rogério, que estava amedrontado com o que poderia acontecer nessa feira.

O CFM entrava no seu mês mais movimentado. Além da Feira Cultural, se aproximavam também os jogos do “Campeonato entre Escolas”, onde Vinícius iria jogar com o time de basquete do Francisco Mourão. As meninas estavam super agitadas, muitas desencalhavam nesses eventos e eles, os rapazes, ficam loucos para que chegasse logo, o grande dia do jogo. Os jogadores do time vencedor eram tratados como reis e isso era o sonho de todos que queriam almejar uma boa posição social dentro da instituição.

- Como é que vão os preparativos para o campeonato, Vini?
- Estou muito apreensivo, Cadu. Fazia um tempo que eu havia parado de treinar, voltei agora e não estou conseguindo acompanhar o ritmo.
- Ah cara, aposto que você vai tirar de letra mais essa vitória pro time de basquete do CFM.
- Assim espero! Andei até tomando umas vitaminas pra voltar a velha forma, mas não estão servindo muito. Acho que vou aumentar as doses...
- Vinícius, você sabe que essas coisas são perigosas! Não vá se envolver em encrenca por causa dessas “vitaminas” que você anda ingerindo.
- Relaxa Cadu! Como eu disse, são apenas vitaminas. Mas e você, desistiu da Karina?
- Claro que não! Vamos ao cinema essa noite e depois vamos dar uma esticada em algum barzinho.
- Pelo menos um de nós tem que ter sorte no amor, não é? – Vinícius falou de forma triste.

Luiza parecia estar perdida naquela sala de aula, não tinha nem ao menos anotado as coordenadas da professora de história para a feira cultural. Ela só tinha olhos para Vinícius, que conversava com Cadu, do outro lado da sala. Ela observava cada passo, cada gesto, cada sorriso que Vinícius concedia. Em sua mente só vinha a lembrança do ultimo encontro, no qual ele disse que não haveria mais volta na relação, nem ao menos amizade entre eles poderia existir.

- Porque não vai lá e conversa com ele? Para de ficar só observando! – Disse Luana ao se aproximar de Luiza, arrancando-lhe todos aqueles pensamentos anteriores.
- Eu estou namorando o Ângelo, Luana.
- Sério amiga? – Luana não conseguia esconder a felicidade nos olhos, não por Vinícius estar livre, mas por Luiza estar sofrendo – E você está feliz? – Luana tentava sondar de todos os lados.
- Estou tentando, Luana. Você sabe que é difícil esquecer uma paixão assim, de repente.
- Eu queria poder fazer alguma coisa pra te ajudar, amiga!
- Você pode! Agora o Vinícius está livre e eu ficaria muito feliz se você ficasse com ele. Assim seria bem mais fácil esquecê-lo.
- Mas... O Vinícius não quer saber de mim, ele te ama, só tem olhos para você – Luana baixou a cabeça, fingindo estar chorando, mas apenas debochava do sofrimento de Luiza.
- É... Vamos mudar de assunto? Você sabe como vai ser essa feira cultural? –Luiza evitava mais sofrimento.
- Era justamente sobre isso que eu queria falar com você.
- Então fala, ué!
- Será que eu poderia fazer parte da sua equipe?
- Claro! Eu nem tinha uma equipe e vai ser ótimo, assim você me ajuda porque eu nem prestei atenção na explicação.
- Vai sim... Ser ótimo! – Luana deu um sorriso de vitória – Vamos poder lembrar os velhos tempos, quando éramos as melhores amigas...


"De vez em quando precisamos sacudir a árvore das amizades para caírem as podres".

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 14


- E como vai o nosso namoro? – Perguntou Ângelo.
- Vai bem, ué! – Disse Luiza, fazendo-se de desentendida.
- Mesmo? Pois eu nunca vi um namoro sem beijo!
- Ah, Ângelo... Nós não precisamos de beijo para mostrar que estamos juntos. Somos um casal e isso basta!
- Não para mim, Luiza. Eu sei que você só aceitou namorar comigo por causa da minha mãe, mas eu pensava que você ao menos gostasse de mim, nem que fosse um pouquinho.
- Eu... Gosto de você, Ângelo! Mas é que... – Luiza estava confusa, não sabia bem o que dizer.
- É que você é apaixonada pelo Vinícius... Eu sei!
- Não é isso, quer dizer, não é só isso! É muito difícil pra mim, lidar com tudo o que anda acontecendo em minha vida...
- Luiza, eu não quero te forçar a nada, mas eu gosto de você, de verdade! Queria ao menos poder ter uma chance de te mostrar que não sou esse monstro que você idealiza.
- Eu não penso assim de você...
- Pensa, eu sei que pensa! Todos pensam, mas ninguém me conhece de verdade... Ninguém nunca parou pra me ouvir, todos só me julgam.
- Eu prometo que vou tentar... Ser sua namorada, mas você precisa me dar um pouco mais de tempo pra refletir sobre nossa relação – Disse Luiza envergonhada.
- Temos todo o tempo do mundo, não precisa ter pressa. Quem sabe o nosso amor não possa florescer nesse meio tempo? Não custa sonhar...

Luiza estava realmente determinada a ficar com Ângelo, tentava ao máximo parecer uma namorada como outra qualquer, mas não demonstrava sentimentos, era como se tudo fosse forçado. Quando Ângelo a tocava, parecia que ele estava de frente a uma estatua, que não tinha reações, vivia com o pensamento distante, procurando saber o que se passava na cabeça de Vinícius, seu grande e eterno amor.

No Francisco Mourão as coisas começavam a se acalmar, parecia tudo estranho, mas toda essa calma seria por pouco tempo. Onde tem Luana, tem confusão e muito provavelmente ela não iria parar de aprontar tão cedo. Seus planos para destruir a vida de Luiza estavam começando a tomar forma e quanto mais o tempo passava, mais aliados eram “conquistados”. O momento da cartada final está cada vez mais próximo.

- Hoje você está tão linda, Karina – Cadu tentou puxar assunto com Karina, que estava com Luana e os outros.
- Oi? – Karina virou-se para Cadu – Desculpa, mas a gente se conhece?
- Ainda não fomos apresentados, mas não seja por isso! Prazer sou Carlos Eduardo, mas todos me chamam de Cadu.
- Mas vem cá, como você sabe meu nome?
- Sou amigo do Vinícius, achei você bonita e resolvi perguntar a ele o seu nome.
- Hum, sei... Amigo do Vinícius. Interessante! – Karina sorriu e Luana lhe lançou um olhar, como se quisesse compactuar com Karina os frutos de uma proveitosa relação.
- Será que a gente poderia ir para um lugar mais calmo, para podermos conversar melhor? – Cadu disse em tom de gozação.
- Claro, vamos sim! – Karina piscou para Luana, que sorriu com a astúcia da amiga.

As armações de Luana para destruir Luiza envolviam, cada vez mais, outras pessoas. Tudo já estava ficando muito perigoso, poderia até se tornar caso de polícia, dependendo da gravidade do que está por vir. Se aparentemente o CFM estava calmo, agora vai ficar explosivo. Vamos torcer para que venham novas armações e intrigas.

- Cara, eu estou realmente apaixonado! – Cadu falava suspirando.
- Ah é, e por quem, posso saber?
- Hoje eu finalmente criei coragem e chamei a Karina pra sair. Vini, ela é encantadora, cada vez que a gente conversa, eu fico mais apaixonado...
- Mas eu já não havia te dito que a Karina era problema? Cara, vai na minha, não se envolve com essa garota!
- Eu sei o que eu estou fazendo, beleza?
- Tudo bem garotão! Depois não diga que eu não avisei...
- Mas e você? Resolveu teu lance com a Luiza?
- Dessa eu quero distância. Me humilhei de todas as formas possíveis pra ela me aceitar, pedi milhões de desculpas por ter dormido com a Luana e ela ainda assim, ela preferiu ficar com o primo dela.
- Nossa cara! Você realmente, não tem sorte no amor. Desde que a Thaís, aquela sua namoradinha do primário, foi pra Europa, você nunca mais namorou uma garota por muito tempo.
- Meu, tu desenterrou a Thaís! Eu nem lembrava mais dela, faz tanto tempo... Mas é a vida, vivendo e aprendendo.
- Falou e disse! Mas eu torço por você, sei que ainda seremos muito felizes nessa vida.
- Deus te ouça!
- Amém! – Brincou Cadu.




Onde Estiver 

Nx Zero

Onde estiver espero que esteja feliz
Encontre seu caminho.
Guarde o que foi bom e jogue fora o que restou.
Tem horas que não dá pra esconder no olhar.
Como as coisas mudam e ficam pra trás.
O que era bom hoje não faz mais sentido.
É, uma hora isso ia acontecer.
A vida cobra e a gente tem que crescer.
Me pergunto se você pensa em mim como eu penso em você.
Onde estiver espero que esteja feliz
Encontre seu caminho.
Guarde o que foi bom (foi bom) e jogue fora o que restou.
Pois acredito nos meus sonhos.
Eu acredito na minha vida.
E no meio dessa guerra.
Nenhum de nós pode ganhar.
Sonhar e não desistir.
Cair e ficar de pé.
Dar valor depois que passou.
É duvidar da sua fé.
Eu vejo a vida tem vários caminhos.
E entre eles o destino improvisa.
Os pequenos detalhes da vida.
Resposta esta escondida.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.

CAPÍTULO 13.


- Então, o que você quer de mim? Hoje sou todinho seu, pode fazer o quiser – Disse Rogério para Luana, ao chegarem a um motel, afastado da cidade.
- É assim agora? Eu mando na relação? – Luana falava de forma sedutora.
- Você é quem manda... Você diz e o papai aqui, faz! – Rogério agarra Luana e começa a beijar o seu pescoço, deitando-a na cama.
- Qualquer coisa?
- Tudo o que você quiser...
- Eu quero só você – Luana subiu em cima de Rogério e começou a tirar sua roupa, simulando um “stripper” ao som de “MY PUSSY É O PODER”
- Assim você me mata gostosa. Vem aqui, vem? Dá beijinho no papai, dá?
- Não, não – Luana continuava a dançar – Antes eu preciso de um favorzinho seu.
- Já disse... O que você quiser!
- Eu quero que você durma com o Guilherme! – Luana mantém com segurança sua proposta.
- GUILHERME? Você tá ficando louca? – Rogério pulou da cama rapidamente.
- Não, meu amor. Tenho quase certeza que o Guilherme é gay, mas eu preciso de provas. Quero que você transe com ele na sala de música do CFM.
- Luana, eu não faço esse tipo de coisa! Eu sou macho, muito macho... – Rogério começava a gritar e Luana só dava risadas.
- Se você quiser me ter, terá que fazer exatamente o que eu estou mandando. Preciso garantir que o Guilherme estará em minhas mãos, sob o meu controle. Quanto mais gente estiver ao nosso lado, melhor.
- Você não pode estar falando sério. Chantagem? Isso é cruel!
- Olha quem fala de crueldade... Eu sei coisas sobre você que até Deus duvida. Posso colocá-lo na cadeia com apenas uma ligação. Posso acusá-lo de abuso de menores, ou acha que não sei o tipo de brincadeira que você faz com sua irmãzinha? Imagina quando todos souberem!
- Ninguém vai acreditar em você! Você está completamente louca.
- Você não viu nada, ainda! – Luana gargalhava de forma escandalosa – Em quem acha que vão acreditar, no marginalzinho drogado ou em mim, que sou uma pobre adolescente indefesa, que foi enganada? Tenho provas e testemunhos para comprovar o que digo.
- Você... Você...
- Vai querer medir forças comigo ou vai ser um menininho obediente? Titia não gosta de meninos mal educados! – Luana abraçava Rogério, dando beijos no seu tórax, descendo aos poucos – Posso fazer de você o homem mais feliz do mundo. A escolha é sua...
- Ok! Não tenho mesmo escolha... Faço o que você quiser, mas antes...
- Pode deixar! Vamos terminar o que a gente começou. Sabia que você iria fazer a escolha certa, meu homem.

Segundo o pensamento de Luana, se ela tivesse o apoio financeiro de Guilherme, seria muito mais fácil elaborar planos mais requintados para destruir Luiza. O difícil era convencê-lo a compactuar com esses planos. Mas a sorte parecia estar ao lado de Luana, ela agora tem uma carta na manga e com isso pode obter tudo o que quiser de Guilherme, já que o rapaz teme que sua “reputação” seja manchada por um escândalo como esse.

- Isso são horas para a Rainha de Fortaleza chegar em casa? – Marcos ironizava Luana, completamente bêbado e com uma garrafa de cachaça na mão.
- Eu estava fazendo um trabalho na casa de uma amiga e acabei esquecendo a hora – Luana falava com a cabeça baixa.
- Trabalho? Você pensa que engana quem? – Marcos puxa Luana pelo cabelo e olha seu pescoço que estava todo marcado pelos beijos de Rogério – O tema do trabalho por acaso era Educação Sexual? Que porra de chupões são esses? – Marcos dá um tapa na cara de Luana –  Você não tem vergonha de ser tão vagabunda?
- Eu tenho vergonha de ter um pai alcoólatra como você, isso sim!
- Pois não devia ter vergonha! Faço mais do que minha obrigação deixando você morar nessa casa e comer de minha comida – Marcos cambaleava e falava de forma confusa, por causa da bebida.
- Sua comida? Nem dinheiro pra comprar um maço de fósforos você tem! Gasta toda a aposentadoria com cachaça e ainda quer ter razão? Eu faço o que quiser da minha vida!
- Não faz! Enquanto você morar nessa casa e estiver sob minha tutela, fará somente o que eu mandar.
- Você não tem o direito de me prender nessa casa imunda!
- Eu tenho pena de você! Terá o mesmo fim que a ordinária da sua mãe...
- Porque você tem tanta raiva de mim e da minha mãe?
- Porque sua mãe fugiu com outro homem e me deixou aqui, com um bebê insuportável que não parava de chorar. Era pra você ter morrido naquele acidente, junto com ela, assim eu me livrava das duas de uma vez só.
- Eu não vou deixar você me humilhar desse jeito, nunca mais!
- E o que você vai fazer? – Marcos segura com força o braço esquerdo de Luana e lhe joga ao chão com força.
- Por enquanto, nada! Mas não irá demorar muito para esse dia chegar, aí eu quero ver, quem terá pena de quem – Luana disse levantando-se, indo para o quarto.

A violência gerada pelo álcool é muito pior do que qualquer outra, principalmente quando ocorre dentro de casa, determinada por alguma desilusão vivida. Muitos alcoólatras ingerem a bebida como um remédio que e capaz de curar dores intermináveis. Mas na realidade, o álcool só aumenta, ainda mais, a angústia de quem sofre, destruindo a vida de quem bebe e a vida de quem convive com a bebida.


"O ódio dos fracos não é tão perigoso como a sua amizade".

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.


CAPÍTULO 12.


A situação estava ruim para os dois lados. Ambos estavam sensíveis, fragilizados e com os corações destruídos, mas precisavam lutar contra esse sentimento e seguir em frente. Agir por impulso poderia causar sérios problemas a todos, mas parece que Vinícius e Luiza não entendem muito isso, pois gostam de correr riscos e vivem tentando driblar o destino.

- O que é isso Vinícius? Você tá ficando louco? – Luiza tentava se esquivar de Vinícius que a puxava pelo braço, arrastando-a pelo pátio do CFM.
- Não solto enquanto você não vier comigo! – Vinícius falava com uma expressão de fúria e desejo no olhar.
- Me larga! Você não pode sair me agarrando assim... Eu... Eu... Eu tenho N A M O R A D O.
- Como tem um namorado? Você é minha! Não pode ser de mais ninguém – Nesse momento Vinícius puxa Luiza para si e lhe rouba um beijo, no começo ela se retrai, mas não consegue resistir por muito tempo.

Eis o primeiro beijo do casal, um momento único e indescritível, apesar das circunstâncias, estava sendo ótimo para os dois. Sentir o toque dos lábios e a troca de sentimentos fez com que eles percebessem o desejo e a química que havia entre os dois, uma ligação além da vida, algo que emanava e contagiava todos que estavam ao redor. O primeiro beijo, do primeiro amor, deveria ser inesquecível. E foi...

- Qual é meu irmão? Tá ficando louco? – Vinicius disse ao se levantar do chão, após receber um soco na face, que acabara de receber das mãos de Ângelo.
- Louco? Você agarra minha mulher e vem me chamar de louco? – Ângelo estava transtornado.
- Ela não é sua mulher! Luiza me ama e é comigo que ela vai ficar – Vinícius puxou Luiza para si.
- Rapaz, eu estou falando sério, se você não soltar minha namorada agora eu vou ter que quebrar a tua cara!
- Vem! Me bate se você for homem de verdade – Vinícius encarava e afrontava Ângelo, que apesar de ser menor que Vinícius, estava completamente alucinado, capaz de destruir qualquer coisa.
- Agora você vai se vê comigo! Quem tá pedindo é você!
- PAREM! Chega! Eu não aguento mais isso. Vocês não estão vendo que isso só vai machucar mais ainda todos nós? Se quiserem se destruir, me tirem fora dessa! Não vou compactuar com essa briguinha de vocês.
- Luiza! Esse cara tava te agarrando – Disse Ângelo incrédulo com a atitude de Luiza.
- Cala a boca! – Luiza afastou-se de Vinícius e olhou bem para o seu rosto, criando coragem para acabar de vez com todas as esperanças que eles tinham de ficar juntos – E você Vinícius... Nunca mais chegue perto de mim, agora eu... Eu... Eu sou comprometida – Apesar da voz embargada, Luiza foi bem enfática no que disse.
- Você só pode estar brincando, não é? – Agora era Vinícius quem não acreditava no que ouvia.
- É isso mesmo que você ouviu! – Luiza puxa Ângelo para perto de si, enquanto o rapaz a envolve com o seu braço direito – Ângelo e Eu estamos namorando.
- Você... Você é uma vagabunda mesmo!
- Veja bem como fala com a minha namorada! Não ouviu o que ela disse? Deixa a gente em paz ou eu sou capaz de fazer...
- CHEGA! Ninguém aqui é capaz de nada. Não quero saber de brigas, entenderam? Agora vamos pra casa Ângelo e deixemos que Vinícius pense melhor em tudo o que ele anda fazendo com a vida dele.
- O que eu fiz, foi transformar a minha vida em um sol, que girava em torno de você, que era o meu planeta, a minha vida. E você destruiu tudo o que tinha de melhor dentro de mim. Cada um tem o que merece, não é? Mas esse não é o meu fim, vai ser difícil, mas eu vou aprender a viver sem você, nem que seja a última coisa que eu faça.

Luiza precisava ser dura com Vinícius para acabar de vez com suas expectativas. O amor deles é improvável, não poderia acontecer naquele momento. Iludir Vinícius só iria feri-lo ainda mais e ela precisava cumprir a promessa que fez a sua tia Denise. Um amor tão viciante, tão inebriante, tão ardente estava se tornando uma doença e era melhor cortar o mal pela raiz, antes que se tornasse cada vez mais impossível evitar ficar longe um do outro.

- Que horas?
- Nos encontramos às 20h, na pracinha, de lá veremos um local apropriado, no qual ninguém possa nos ver – Luana falava com uma voz sedutora.
- Por você eu faço tudo. Pode deixar! Às 20h estarei lá com o carro dos meus pais – Rogério estava completamente dominado, seria fácil induzi-lo a fazer o que Luana desejasse.
- Assim é que se fala! Seja um garotinho obediente e assim receberá tudo o que mais deseja.
- E o que eu mais desejo? – Rogério falava baixo, com medo de que alguém os pegasse naquela sala de música vazia do CFM.
- Me ter por inteira, por toda a eternidade! – Luana falava devagar, colocando a mão de Rogério dentro de sua calça, que compunha a farda do CFM.
- Muito pretensioso de sua parte – Rogério falava ao beijar o pescoço de Luana, que se afastou, com medo de ser pega por alguém.
- Até mais, meu gostoso. E não se esqueça do carro, iremos precisar dele para nos divertir – Luana deu um beijo rápido nos lábios de Rogério e saiu, deixando-o sozinho, na sala de música, que estava vazia naquele horário.



"Amor e desejo são coisas diferentes. Nem tudo o que se ama se deseja e nem tudo o que se deseja se ama".

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.


CAPÍTULO 11.


- Filha, será que nós podemos conversar um instante?
- Claro pai! Aconteceu alguma coisa?
- Não sei! Isso você é quem vai ter que me dizer. Tenho te visto tão triste nesses últimos dias, Luiza. Não quer se abrir comigo?
- Ah pai... Estou vivendo um dilema. Não sei qual caminho devo seguir ou quais escolhas eu deva optar. Estou dividida, confusa, perdida...
- Você já pensou em escolher aquilo que te faz feliz?
- Se eu fosse à procura da felicidade, seria muito mais fácil seguir a vida. Mas tem coisas que não aliadas à felicidade. Não posso simplesmente seguir meu coração e esquecer todas as pessoas que dependem de mim.
- Mas você não pode se martirizar e se autodestruir.
- Eu não quero sofrer e também não quero que as pessoas ao meu redor sofram.
- É muito pior do que eu imaginava minha filha!
- Você não tem noção do quanto é difícil tomar uma decisão acertadamente. Mas eu preciso tomá-la. E no momento, o melhor a se fazer e seguir a razão. Não posso me deixar levar pelo amor de Vinícius e esquecer o Ângelo e os problemas de saúde da tia Denise.
- Sua mãe ficaria feliz em ver que você se importa com a irmã dela. Mas ela ficaria muito mais feliz se você seguisse o seu coração e não fosse totalmente racional. Qual a graça de se ter sempre razão? Se existem regras é para serem descumpridas. Não se limite, lute pelo o que você quer e deseja.
- Pai... Você não sabe o quanto me faz bem ter essa conversa com você. Eu estava realmente precisando de um ombro amigo!
- Esse é meu dever, Luiza, te aconselhar sempre – Cláudio abraça a filha.
- Você faz bem mais que o seu dever, seu Cláudio. Te amo!
- Te amo muito mais. Boa Sorte! Espero que faça a escolha certa...
- Eu também espero papai.

A conversa com Cláudio, fez com que Luiza repensasse todos os acontecimentos de sua vida. Desde o falecimento de sua mãe (Sônia, mãe de Luiza, faleceu há seis anos de um câncer terminal, por isso ela se sente tão culpada por pensar em não atender um pedido de sua tia Denise) até a declaração de Vinícius, o homem a quem ela amava e sonhava em viver uma grande história de amor. E definitivamente, tomou uma decisão.

- Luiza, minha sobrinha querida, que bom que você veio me visitar aqui! Ando muito solitária nesse quarto de hospital.
- Oi tia Denise! Como a senhora está?
- Temendo a morte e sentindo os efeitos colaterais da quimioterapia – Denise falava de forma bem triste e desconsolada.
- Será que existe alguma coisa que eu possa fazer para amenizar sua dor?
- Não, mas você pode fazer muito mais!
- Como? – Luiza assustou-se.
- Eu estou perto de morrer, sei que estou degradando aos poucos. Sinto que o meu fim está próximo e temo o que possa acontecer com o Ângelo quando eu não estiver mais aqui e quero ter certeza que o seu futuro está garantido antes deu morrer.
- Não fale assim, tia! Você não vai morrer tão cedo, você é forte...
- Luiza... Sei que é difícil pra você, mas o meu sonho é ver você casada com o Ângelo. Sei que você é uma menina boa, de caráter. Vai saber bem como orientar meu filho, sei também que ele tem uma conduta duvidosa, mas com você eu tenho fé que ele irá mudar.
- Tia, eu não sei nem o que te dizer!
- Me promete Luiza! Promete que vai se casar com o meu filho, me promete que nunca vai abandoná-lo, por favor... Não posso morrer sem ter essa certeza!
- E... E... Eu prometo tia Denise!  – Afirmou Luiza bastante nervosa e com muita dúvida.

Luiza saiu correndo daquele quarto, reservado para pacientes internados nos Hospitais da rede Hapvida. Não conseguia parar de chorar, agora era ela quem estava sem rumo. Fez uma promessa póstuma e agora deveria cumpri-la. Sentia vergonha de si, por ser tão fraca e não ter força para enfrentar o “amor” de Luana por Vinícius. Desabou ali mesmo, no meio da rua, onde carros passavam e buzinavam para alertá-la, mas era desnecessário, ela parecia estar em outro mundo, atravessou a avenida sem olhar para os lados, quase sendo atropelada e causando uma enorme confusão de trânsito.

O mais certo a se fazer nesse momento era esquecer Vinícius completamente e seguir uma nova vida ao lado de Ângelo. Quem sabe ela não poderia ser feliz, construindo um novo amor, com outro homem. Ela precisava fazer com que Vinícius a esquecesse de vez e a deixasse seguir o seu caminho, mas ela não sabia o que fazer. Andando sem rumo, ela procurava uma solução para o seu problema. Não seria melhor jogar tudo pro alto, sair dessa cidade, respirar novos ares e fugir de todos os problemas? Essa é uma atitude clássica dos fracos, abandonarem o barco no momento em que ele propõe um suposto naufrágio. Então, qual seria a melhor solução para resolver tudo o que afligia Luiza?

- Oi crianças?
- Tia Luiza! – Todas as crianças do Orfanato João Guimarães corriam para abraçar Luiza.
- Meninas, como vocês cresceram, já estão umas mocinhas!
- A Senhora nunca mais tinha vindo visitar a gente, estamos com saudades de você – Disse um menino, devia ter uns sete anos.
- É que a Tia Luiza andava muito ocupada, procurando resolver alguns problemas sem solução. Mas vamos esquecer isso! Estou aqui, não estou?
- Trouxe algum presente pra mim, tia? – Uma menininha de cabelos loiros bem cacheados abria um sorriso quando foi ao encontro de Luiza.
- Hoje eu não trouxe, porque não venho de casa, mas prometo que da próxima vez, eu trago um monte de presentes para todos vocês!
- Êba! – Todos gritavam de felicidade ao ver Luiza.

Ao sair do Hospital e ter andado horas pelas ruas de Fortaleza, pensando numa solução, Luiza percebeu que precisava encontrar um equilíbrio para não se arrepender de seus atos. O melhor lugar, no qual ela poderia se divertir, esquecendo os seus problemas, era no Orfanato João Guimarães, fazendo trabalho voluntário, ajudando quem realmente necessitava, como ela sempre fazia, antes de todos esses conflitos surgirem.

Ser voluntária nesse orfanato aliviava toda a pressão sob as costas de Luiza e fazia com que ela ocupasse sua mente com uma boa e solidária ação. Dar alegria e diversão para aquelas crianças abandonadas pelos pais fazia com que Luiza percebesse como a vida é injusta, e quantos outros milhares de pessoas têm problemas piores que o dela e nem por isso desistiram de viver. O que Luiza precisava era aprender a saber viver.



"O amor é filho da ilusão e pai da desilusão".

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.


CAPÍTULO 10.


- Mamãe, senta aqui! – Disse Cadu, apontando um local em sua cama, para Cássia sentar-se.
- Todas as janelas do seu quarto estão fechadas? – Cássia falava com receio, por trás da porta do quarto de Cadu, que estava entreaberta.
- Estão, pode entrar sem medo, Dona Cássia!
- Tem certeza? Vê se não tem ninguém tentando entrar pela janela do seu quarto... Por favor!
- Não tem ninguém aqui, pode entrar!
- Ah meu filho, que bom! Assim me sinto mais segura. Não podemos descuidar nenhum minuto.
- Mãe... Eu tenho um assunto muito sério para conversar com a senhora.
- Se for sobre aquela história de psiquiatra de novo, não quero nem ouvir...
- Não é psiquiatra, mãe! É um psicólogo...
- Que seja! Eu não estou louca. É só receio, precisamos ser cuidadosos... Você gostaria de ser assaltado? E assassinado? E... Eu não gosto nem de pensar nisso!
- Claro que não, mãe! Mas nós não podemos viver enjaulados, com medo de ser mais uma vítima dessa violência. Não podemos mudar nossa vida em função disso...
- Eu não quero sair de casa. Isso é uma escolha minha, eu não quero. Isso já basta!
- Mãe, eu sei que foi difícil para a Senhora, perder o meu pai naquele assalto... Mas a gente não tinha como prever, poderia acontecer com qualquer um...
- Mas aconteceu com a gente... E eu não vou deixar que eles façam conosco o mesmo que fizeram com seu pai – Cássia falava entre os soluços – Agora vai tomar um banho, vou servir o jantar em vinte minutos. E não esquece... Eu te amo!
- Também te amo, por isso quero o seu bem...
- Mas eu estou bem, não se preocupe!
- Prometo que vou tentar não me preocupar se você ao menos tentar deixar a vida correr mais solta, nem tanta reserva e problemas – Cadu falava no ouvido de sua mãe enquanto a envolvia num abraço carinhosos, fraternal e protetor – Para de se auto-excluir da sociedade e tenta viver de uma forma normal, como vivíamos antigamente...

Os problemas mentais de Cássia aumentavam a cada dia que passava. Ela não conseguia mais controlar o seu transtorno e a sua insegurança. Carlos Eduardo não conseguia mais controlar a mãe, tudo já estava em um estágio avançado, que impedia um momento de lucidez. Eram tantas coisas na cabeça de Cadu... Desde o dia em que viu Karina na escola, sua mente não parava de girar, matutando uma forma de chegar à moça. “Como uma garota pode ser tão bonita?”, “Não me importa com quem ela anda, me importa somente o que ela é e como ela é de verdade”. Seus pensamentos giravam em torno de Karina, havia até esquecido um pouco de sua mãe... Um amor nesse momento de sua vida poderia significar uma mudança radical em seu cotidiano solitário. Talvez ainda possa existir uma remota chance de alguém ser feliz nessa grande desilusão.

- Oi meninas! Tudo bom Luana? – Falou Guilherme bastante animado.
- Olá, querido! – Luana lançou um olhar de desprezo para Guilherme.
- Oi Gui! Nossa, amei a sua roupa! Está tão fashion, onde comprou? – Karina falava de uma forma deslumbrada.
- Serio? Ah obrigado! Comprei na loja da Calvin Klein, look caríssimo, você nem imagina... Detonei o cartão de crédito do meu pai – Guilherme falava mais espontâneo ainda enquanto trocava figurinhas com Karina.
- Ah que invejinha de você, amigo! Meu pai nunca me deixa ir ao shopping com o seu cartão – Karina falava de uma forma triste, mas sendo cômica nas expressões faciais.
- Fala galera! O gostosão do Rogério chegou, para o delírio da mulherada – Ao chegar no pátio e se juntar com sua turma, Rogério trocou olhares com Luana, que por sua vez observava a forma devoradora com que Guilherme olhava para Rogério. Parecia sentir desejo, sua expressão entregava um delírio fanático de possuir aquele homem.
- E de alguns rapazes também... – Luana completava a fala de Rogério fitando Guilherme com um sorrisinho cínico e seu tom clássico de ironia.
- Bo... Be... Bem pessoas, eu preciso ir agora... Tenho que resolver uns assuntos antes de começar a aula – Guilherme se esquivou dos olhares desconfiados de Luana, dando uma desculpa esfarrapada.
- O que será que deu nesse garoto, hein? Ele anda muito esquisito! – Rogério falava bem confuso, sem entender a situação.
- Não sei e isso também não me importa. Karina, eu preciso falar com você! – Dizia Luana tentando mudar de assunto.
- Claro amiga, pode falar...
- Não, é assunto de meninas. Rogério... – Luana olhava para Rogério, pedindo que ele se retirasse.
- Bom, mas tarde nos falamos – Rogério lançou um olhar para Luana.
- Nossa! O que tanto você quer me falar em Luana? Fala logo que eu ainda preciso retocar a maquiagem e ver como está o meu cabelo...
- Cala essa boca e presta atenção no que eu vou te falar...
- Ai sua ignorante... Tá certo pode falar!
- Já percebeu a forma com que o Guilherme olha para o Rogério?
- Não, por quê?
- A forma como ele fala e age, você nunca observou?
- Não sei aonde você quer chegar com essa história!
- Pensei que você fosse mais inteligente, Karina!
- Eu sou inteligente... Só estou um pouco, digamos que, desorientada – Karina falava de uma forma engraçada e confusa.
- Eu acho que o Guilherme é gay!
- Como assim, gay? – Karina fica indignada e depois para pensar e digerir tudo, com cara de nojo e repudia ao imaginar seu amigo nos braços de outro homem – Agora que você tá falando... É Claro, como eu não cheguei a essa conclusão antes? Que nojo, como eu pude ser amiga de um gay? Pior... Eu já fiquei com ele... Beijei a boca de um homem que já passou pela boca de vários outros homens.  
- É lógico, Karina! E é muito bom termos esse segredinho... Com essa arma em nossas mãos, podemos controlar o Guilherme e fazer com ele faça tudo o que quisermos...
- Mas Luana, seja mais racional. Isso são somente conclusões nossas e não temos como provar!
- Por enquanto, querida. Guilherme que me aguarde, vou pegar esse garoto de jeito... Literalmente – Luana soltava várias gargalhadas, assustando Karina – Quero só ver qual vai ser a reação dele quando todos souberem de sua “O P Ç Ã O” sexual – Luana continuava a sorrir, só que dessa vez, de uma forma mais maquiavélica.


Não há nada que esteja só; nada pode estar em completa solidão: o que existe necessita de outro para ser.
                            Leopoldo Schfer

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

DES | ILUSÃO

Uma história de Gabriel Colares.


CAPÍTULO 9.


- Luana, eu nem sei mais o que faço! Parece que tudo está acontecendo ao mesmo tempo, eu não vou aguentar tudo isso por muito tempo... – Luiza dizia com lágrimas no olhar.
- Calma amiga! Me conta o que aconteceu pra te deixar assim, tão arrasada? – Luana se esforçava para parecer uma amiga gentil e companheira.
- Ontem o Ângelo, aquele meu primo, apareceu aqui no CFM e me deu um beijo – Assustou-se ao imaginar a cena novemente.
- LUIZA! – Grita Luana com histeria – Sua safadinha, pegando todos e nem me contou...
- Eu não estou “pegando ninguém”! Aquele ridículo do Ângelo é que me agarrou. Pra piorar a situação a minha tia, mãe dele está internada, por causa do câncer. – Nesse momento uma lágrima cai do olho esquerdo de Luiza e Luana rapidamente a enxuga com a palma da mão direita.
- Amiga isso é uma besteira. Um beijo não mata ninguém e você não pode fazer nada para salvar a tia doente... “Nem Deus salva essa velha” – Pensou Luana.
- Besteira pra você, Luana, que está por fora da situação. Pra mim isso é o fim, até por que...
- O que mais aconteceu, Luiza? – Luana já estava completamente sem paciência para ouvi-la.
- O Vinícius viu a gente se beijando.
- Sério? – Luana tentava disfarçar o sorriso de alegria – Nossa! E qual o foi a reação dele?
- Não poderia ser pior. Partiu meu coração o ver chorando daquele jeito... Mas ele não pode ser meu!
- Amiga, se for por minha causa, você sabe que...
- Luana, não é por você. Agora é por mim... Vinícius e eu, não nascemos para ficar juntos. Acho que não tenho muita sorte no amor. Essa é a minha sina, viver sem amor...

Isso era o que Luiza queria que acontecesse, mas na realidade ela nunca conseguiria esquecer Vinícius. De onde vem toda essa atração, esse amor tão forte e destrutivo? O amor é paciente, não tem pressa, nem escolha, simplesmente acontece. Não podemos medir sua intensidade, só precisamos vivê-lo. Mas amar demais não é pecado? O que custa pecar uma vez na vida em nome da felicidade!

Errado é deixar que uma obsessão seja confundia com amor. Amor não mata, não destrói, não oprime. Tornar uma relação passional significa deixar de amar. Quando deixamos de amar, perdemos completamente a razão, dando lugar ao desconforto da solidão e ao desamparo da desilusão. Amar, definitivamente, não é sofrer.

- Ai Rô – Luana não conseguia parar de rir – Estou com tanta pena da minha amiguinha Luiza – Luana caçoava de Luiza com uma voz fina, sobressaindo com risadas maléficas.
- Você é péssima, Luana! E é isso que mais me excita em você – Dizia Rogério ao puxá-la para si, envolvendo em um abraço faminto e devorador.
- Eu sei meu gostoso. E o que mais me excita nessa vida é ver como a Luiza é idiota – Luana gargalhava – Imbecil, retardada... Luiza é uma lesma! Não sei como o Vinícius consegue gostar tanto daquela mosca morta...
- Porque ele é mais babaca que a Luiza – Rogério intensificou os risos de Luana
- Isso é verdade! Vinícius e Luiza: O CASAL MAIS NOJENTINHO E IRRITANTE do mundo inteiro – Gritava Luana, de uma janela na ala superior do CFM, que era direcionada ao lado de fora da escola.
- Agora chega! Vamos parar de falar de gente insignificante. E você, Luana, trate de me dar prazer o mais rápido possível – Rogério falava no ouvido de Luana depois de agarrá-la.
- E você vai querer transar aqui, no chão dessa escolinha xexelenta?
- Claro que não! Só quero que você comece a me deixar louco com essa sua boca e depois... Deixaremos que o prazer nos guie – Rogério imprensava Luana na parede, retirando sua camiseta da farda e dando chupões em seu corpo despido.

O romance de Luiza e Rogério ainda irá render muita confusão. Uma mente maligna era pouca, foi preciso unir o útil ao agradável, o prazer em nome da vingança e o ódio pela maestria de sensações promíscuas. O delírio da relação, baseada nos instintos carnais, era mais racional que o sentimento que unia Vinícius e Luiza, o que tornava a relação mau-caráter de Rogério e Luana mais vantajosa na hora de medir forças. Às vezes, ter controle sobre o emocional e manter a serenidade, faz com que as relações durem um pouco mais.

- Cadu, cara, como vai a sua mãe? Esqueci de te ligar para perguntar. Naquele dia você saiu tão preocupado... – Disse Vinícius, com uma voz de preocupação.
- Você nem imagina... Foi uma luta para poder entrar em casa, ela sempre acha que alguém quer assaltar ou matá-la – Falava Cadu com uma expressão bem triste.
- Fica assim não, cara. Precisamos ter fé de que ela vai melhorar.
- É! Eu estou tentando convencê-la a ir a um psicólogo, mas ela faz resistência!
- Vocês vão superar isso, pode ter certeza!
- Vini, muito obrigado eu... – Cadu vê Karina de relance e fica admirado com tamanha beleza – Meu... Quem é aquela gata? Nossa! Nunca tinha reparado nela...
- Acho melhor você nem pensar em ter nada com ela. Vive andando pra lá e pra cá com a Luana, devem ser farinha do mesmo saco! A Karina tem uma cara de sonsa que é incrível...
- Karina, então é esse o nome dela? Tão linda quanto o nome! – Karina é a típica patricinha emergente, que sonhava em sair do subúrbio. Tinha porte de modelo; era loira, tinha os cabelos longos e ondulados, olhos azuis e um sorriso esplendoroso.

Será que novas paixões estão para surgir? Nunca em toda a história do CFM houve tantos conflitos, amores e desamores.



"O amor nos torna patéticos, enquanto o sexo é uma selva de epiléticos..." (Rita Lee)